
A escalada da BYD no mercado global de EVs parece ter chegado a um ponto de inflexão em janeiro de 2026, com queda expressiva nas vendas e sinais claros de desaceleração na produção.
As entregas globais somaram 210.051 veículos no mês, representando uma retração de 30,1% em comparação com o mesmo período de 2025.
Esse é o quinto mês consecutivo de queda nas vendas, reflexo de uma combinação entre competição acirrada dentro da China e incertezas nos mercados externos.
A produção também seguiu em baixa, recuando 29,1% na comparação anual e mantendo a trajetória descendente iniciada em julho do ano passado.
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Apesar da expansão internacional, com 100.482 unidades exportadas em janeiro, o cenário doméstico tem sido cada vez mais desafiador.
Dentro da China, a BYD renovou alguns de seus modelos híbridos plug-in com baterias de maior autonomia, numa tentativa de tornar seus produtos mais atrativos frente à concorrência, principalmente nos segmentos mais acessíveis.
No entanto, a estratégia ainda não surtiu o efeito esperado.
Os híbridos plug-in, que representam mais da metade das vendas da empresa, sofreram queda de 28,5% em janeiro — intensificando uma tendência que já se manifestava em 2025, quando esse tipo de veículo teve retração de 7,9%.
A empresa também reviu para baixo sua meta de exportações para 2026.
O novo objetivo é enviar 1,3 milhão de veículos para fora da China, uma alta de 24% sobre 2025, mas abaixo da estimativa anterior, que chegava a 1,6 milhão de unidades, conforme divulgado em reunião com investidores do Citi em novembro.
A companhia não justificou publicamente a redução da projeção.
O plano de internacionalização, no entanto, segue em andamento com força.
A nova fábrica da BYD na Hungria deve começar a operar ainda este ano, somando-se às unidades no Brasil e na Tailândia, além de novas instalações previstas para Indonésia e Turquia.
Foi justamente a expansão global que permitiu à marca ultrapassar a Tesla e se tornar a maior vendedora de EVs do mundo em 2025, apoiada por um crescimento de 150,7% nas vendas internacionais.
Apesar disso, a BYD encerrou 2025 com 4,6 milhões de unidades vendidas, número que atingiu por pouco após uma revisão para baixo da própria meta anual.
Até agora, a empresa não revelou sua ambição para 2026, deixando o mercado em expectativa sobre seus próximos passos em um cenário de pressão crescente.
O mercado automotivo chinês, por sua vez, deve passar por um período de estagnação neste ano, com o governo reduzindo incentivos à substituição de modelos populares — uma medida que pode afetar diretamente marcas como a BYD, que apostam forte nesse nicho.
Com rivais como Geely e Leapmotor ganhando espaço, principalmente entre os modelos mais baratos, a líder do setor pode enfrentar turbulências maiores do que previa.
Para a BYD, o desafio de manter relevância passa não só por crescer fora da China, mas também por reencontrar tração no mercado que a projetou ao topo.
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