
A imagem glamourosa da MotoGP vende adrenalina, velocidade e contratos milionários, mas a realidade para muitos pilotos é bem menos dourada do que o público imagina.
Enquanto alguns astros do grid recebem cifras robustas, uma fatia relevante do pelotão vive com salários que mal refletem o risco de disputar um campeonato mundial de motos.
Por isso, MotoGP Sports Entertainment, detentora dos direitos comerciais da categoria, está perto de fechar um acordo que estabeleceria um salário mínimo em torno de R$ 3,02 milhões anuais a partir de 2027.
Esse piso seria incluído no novo acordo comercial de cinco anos entre a empresa e as equipes, funcionando como valor base obrigatório para qualquer piloto do campeonato.
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Segundo relatos publicados pela imprensa especializada, a Associação dos Fabricantes de Motos de Competição discutiu a proposta em reunião recente, dando um passo importante para tirá-la do papel.
O valor mínimo, porém, não levaria em conta bônus de desempenho, prêmios por pódio ou títulos, que continuariam sendo negociados à parte entre pilotos e equipes.
A pressão por um piso salarial ganhou força após revelações de que novatos estariam recebendo propostas na casa de R$ 185 mil por temporada, algo exposto publicamente por Jack Miller.
O piloto da Pramac Yamaha defendeu abertamente a criação de um mínimo obrigatório, argumentando que a MotoGP não pode tratar estreantes como mão de obra barata em um esporte de altíssimo risco.
Nos bastidores, a insatisfação começou a ferver de vez em 2023, quando a categoria decidiu adicionar corridas sprint em todas as etapas, sem consultar diretamente os pilotos.
Na prática, o número de provas praticamente dobrou da noite para o dia, mas os contratos permaneceram congelados, ampliando a sensação de exploração entre os competidores.
Embora exista uma Comissão de Segurança para discutir preocupações da categoria, muitos pilotos passaram a boicotar as reuniões, alegando que suas reivindicações não eram realmente levadas em consideração.
O clima ficou tão tenso que começou a ser montada uma associação independente de pilotos, com o ex-piloto e comentarista Sylvain Guintoli sendo cotado para liderar o grupo.
As conversas, porém, travaram em detalhes práticos, especialmente sobre como os próprios competidores bancariam o salário de Guintoli para coordenar o sindicato em tempo integral.
Mesmo assim, o simples fato de se discutir um salário mínimo já é considerado histórico, já que nenhuma grande categoria internacional de automobilismo ou motociclismo adotou algo semelhante.
O contraste fica ainda mais gritante quando se lembra que a MotoGP foi vendida recentemente por cerca de R$ 21,5 bilhões, enquanto o piso proposto para pilotos ainda parece modesto.
Para comparação, o jogador estreante da liga de futebol americano dos Estados Unidos tem salário mínimo próximo de R$ 4,31 milhões, reforçando o descompasso entre risco e remuneração na MotoGP.
Além da questão financeira, causa estranheza que a categoria tenha demorado tanto para estruturar uma representação forte de pilotos, algo consolidado há décadas na Fórmula 1 com a associação de competidores.
Como e quando esse piso salarial será oficialmente aprovado, e de que forma mudará o equilíbrio de forças entre pilotos, equipes e promotores, deve definir o próximo capítulo político da MotoGP.
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