
Apesar do marketing em torno dos carros autônomos prometer um futuro onde máquinas fazem tudo sozinhas, a realidade por trás dos robotáxis é muito mais humana — e pouco glamourosa.
Antes que um veículo da Waymo ou da Zoox possa circular sem motorista por uma cidade, ele depende de centenas ou até milhares de pessoas que revisam, etiquetam e corrigem os dados brutos capturados por sensores e câmeras.
Eles são chamados de validadores, anotadores ou labelers.
Sua função é essencial: garantir que o sistema entenda o que está vendo e saiba como reagir a cada situação.
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Isso inclui desde tarefas simples, como distinguir um cone de trânsito de um pedaço de mato, até decisões mais críticas — como interpretar o comportamento de um ônibus escolar parando ou um bloqueio policial inesperado.

Segundo Rowan Stone, CEO da Sapien, empresa que fornece esses serviços para clientes como a Zoox, revelou para a Business Insider, os humanos ainda são indispensáveis para interpretar essas nuances e refinar os dados que alimentam os modelos de inteligência artificial.
O trabalho, no entanto, é repetitivo, mal remunerado e amplamente terceirizado.
Na Sapien, os trabalhadores ganham entre US$ 3 e US$ 6 por hora — algo entre R$ 15,60 e R$ 31,30 pela cotação atual.
São mais de um milhão de colaboradores registrados pela empresa, espalhados por cerca de 100 países, com destaque para regiões como Alemanha, Japão e o Sudeste Asiático.
Para operações diretamente relacionadas a veículos autônomos, o contingente é menor, mas ainda expressivo: cerca de 5.000 pessoas no mundo todo, de acordo com Stone.

Na TaskUs, outra empresa que presta esse tipo de serviço para Waymo, são cerca de 2.000 pessoas atuando apenas na área de AVs, número que deve dobrar nos próximos meses.
Embora a inteligência artificial já seja usada para pré-anotar dados, a revisão humana continua fundamental.
A precisão é crucial, especialmente quando o que está em jogo é a segurança nas ruas.
A evolução tecnológica, no entanto, está começando a mudar esse panorama.
Lukas Grapentine, diretor de engenharia na Sapien, aponta que a IA já consegue lidar com tarefas mais simples, e os humanos vão ficando cada vez mais focados em revisar e ajustar cenários complexos.
Omar Zoubi, vice-presidente da TaskUs, acredita que os labelers devem migrar para um papel mais analítico, voltado a entender falhas, classificar exceções e ajustar a base de dados com mais inteligência.
Mesmo assim, a necessidade por humanos não vai desaparecer.
Com cada cidade trazendo suas próprias regras, culturas e imprevistos, a adaptação completa dos robotáxis à realidade ainda está longe.
Stone resume o futuro: a tendência é que menos humanos sejam necessários — mas o número nunca chegará a zero.
A revolução dos carros autônomos, ao menos por enquanto, ainda precisa ser dirigida por mãos humanas.
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