Toyota diz que não, mas a China já está dentro dos EVs da marca: estimativa aponta quase 90% de peças locais e isso desmonta o “keiretsu” no Japão

toyota bz7 vazou china (2)
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Por trás do discurso de independência tecnológica, a Toyota está cada vez mais presa à realidade do mercado chinês de EVs, onde preço baixo e conteúdo local viraram condição de sobrevivência.

Estimativas citadas por analistas indicam que quase 90% das peças de alguns EVs da Toyota vendidos na China são obtidas localmente, apesar de a montadora minimizar esse movimento.

A lógica é simples: a China virou o maior “balcão” de baterias, powertrains, software e componentes de EVs, e os grandes fabricantes passaram a comprar onde a tecnologia é mais barata e avançada.

Segundo a PwC Research, as vendas globais de EVs a bateria passaram de 4 milhões pela primeira vez no quarto trimestre de 2025, com a China respondendo por quase 3 milhões.

No mesmo ano, BYD e CATL, líderes chinesas em baterias, somaram mais de 55% das vendas globais de baterias para EVs, reforçando a força do país na cadeia.

É nesse ambiente que a Toyota tenta correr atrás de rivais como BYD e Tesla, usando tecnologia e fornecedores chineses para reduzir custos e encurtar ciclos de desenvolvimento.

O caso mais simbólico é o bZ3X, apontado como o EV mais acessível da Toyota na China, com preço inicial de 109.800 yuans (equivalente a R$ 79.100).

Entre setembro de 2025 e janeiro de 2026, o bZ3X liderou as vendas de veículos de nova energia entre marcas de joint venture no país, somando EVs a bateria e híbridos plug-in.

Um relatório recente do Nikkei xTECH descreveu o fenômeno como “bZ shock”, dizendo que Toyota e outras japonesas, como a Nissan, passaram a depender mais de componentes chineses.

Analistas estimam que quase 90% das peças do bZ3X sejam chinesas, com desenvolvimento liderado pela joint venture local GAC Toyota.

Mesmo com mais de 80.000 unidades vendidas no primeiro ano, o sucesso teria um efeito colateral, porque o Nikkei afirma que fornecedores do grupo “Toyota Keiretsu” no Japão perderam contratos.

(Keiretsu é um sistema japonês de alianças empresariais, onde empresas independentes (fabricantes, fornecedores, distribuidores) colaboram estreitamente e detêm participações acionárias cruzadas entre si.)

A mudança não ficou restrita a um modelo, pois a Toyota lançou o bZ5 e, mais recentemente, o bZ7 como topo de linha, ambos recheados de peças locais, com o bZ7 trazendo cerca de 30% de componentes chineses.

A montadora também é apontada como interessada em levar tecnologia chinesa para EVs vendidos fora da China, incluindo regiões como o Sudeste Asiático, num sinal de que o “padrão China” pode virar exportação.

Outras japonesas estão no mesmo trilho, e a Nissan, via Dongfeng Nissan, estaria aumentando exportações de EVs para a Europa e outros mercados, incluindo o N7.

A pressão é tão forte que a Honda admitiu recentemente perda de competitividade frente à tecnologia chinesa de EVs e alertou para custos de reestruturação que podem chegar a 2,5 trilhões de ienes (aproximadamente R$ 82,7 bilhões).

Com isso, marcas japonesas e suas redes de fornecedores, antes conhecidas por vantagem de custo, parecem estar pagando o preço do atraso em EVs e ficando cada vez mais dependentes da China para competir.

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Escrito por

Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook

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