Toyota reage e desafia chinesas com elétrico de R$ 75 mil que conquistou até ex-donos de Tesla

SUV Toyota bZ3X branco visto de traseira e de lado em um ambiente externo.
O Toyota bZ3X é exibido em vista traseira, com o nome do modelo visível na placa e na tampa traseira.

Depois de anos consecutivos perdendo espaço na China, a Toyota finalmente parece ter encontrado a receita certa para reconquistar os consumidores locais.

A maior montadora do mundo registrou um sólido crescimento de vendas no país asiático em 2025, sinalizando sua primeira recuperação real em quatro anos — algo que nem Nissan nem Honda conseguiram replicar.

O segredo do renascimento da Toyota na China está em duas frentes: carros elétricos acessíveis e uma linha consistente de híbridos, que ainda têm espaço entre os consumidores que não estão prontos para abandonar totalmente o motor a combustão.

Com isso, a montadora japonesa passou a falar a mesma língua do mercado chinês — uma linguagem feita de preços agressivos e tecnologia embarcada.

Um dos destaques da virada é o novo bZ3X, um crossover compacto 100% elétrico desenvolvido especialmente para o público chinês e com preço inicial em torno de US$ 15 mil (cerca de R$ 75 mil).

SUV Toyota bZ3X branco estacionado diante de um edifício moderno.
Toyota bZ3X branco em uma área externa, com o nome do modelo visível na placa dianteira.

O modelo caiu nas graças de consumidores jovens e urbanos, como o empresário de TI Yu Cunhai, de Xangai.

Ele chegou a considerar um BYD Song L e até um Tesla Model Y, mas, segundo a reportagem da Bloomberg, se encantou pelo bZ3X ao ver vídeos nas redes sociais.

“Já tivemos um Corolla por 13 anos e foi um ótimo carro. O bZ3X é acessível e cumpre bem a função no dia a dia na cidade”, contou Yu, que destacou o bom pacote de tecnologia embarcada, incluindo sistemas avançados de assistência à condução.

Apesar de relatar pequenos defeitos de acabamento, ele disse que compraria o carro novamente.

O sucesso do bZ3X abriu caminho para novos lançamentos. A Toyota apresentou também o bZ5 e planeja ampliar sua gama com o bZ7 e versões elétricas e híbridas de modelos da Lexus.

Interior dianteiro de um carro Toyota, com volante, painel digital e tela central.
Interior dianteiro de um carro Toyota, com painel digital, tela central e acabamento claro.

A montadora já anunciou que terá uma fábrica 100% própria na China — algo que só a Tesla havia feito até então — com previsão de iniciar operações em 2027 e capacidade inicial de 100 mil veículos por ano.

No entanto, a Toyota ainda enfrenta desafios. O lucro médio por carro vendido caiu quase pela metade desde 2021, e o lucro total no país despencou de ¥525 bilhões para ¥290 bilhões.

Ainda assim, a estratégia atual parece acertada, especialmente quando comparada ao desempenho desastroso das concorrentes japonesas.

Entre janeiro e agosto, as vendas da Toyota na China cresceram 6%, enquanto a Nissan viu suas vendas caírem 9% e a Honda, impressionantes 21%.

O contraste deixou claro que, dentro do grupo das montadoras japonesas, só a Toyota entendeu o que o consumidor chinês quer — e está disposta a entregar.

Interior claro de um Toyota bZ3X, visto a partir do banco traseiro, com tela central no painel.
toyota bz3x 4

Mesmo com os híbridos perdendo força em relação ao ano passado, a Toyota segue mantendo uma base sólida nesse segmento, enquanto expande sua ofensiva elétrica com modelos desenvolvidos sob medida para o mercado local.

A disputa é feroz, com concorrência afiada da BYD, Leapmotor, Xiaomi e tantas outras, mas a Toyota, ao que tudo indica, voltou ao jogo.

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Escrito por

Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook

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