
Com os preços do lítio em alta e a busca por alternativas mais acessíveis e seguras, a China está liderando uma nova revolução tecnológica no setor de baterias para veículos elétricos.
As gigantes CATL e BYD estão dobrando suas apostas nas baterias de íons de sódio, uma tecnologia emergente que promete mudar a dinâmica do mercado global.
A CATL apresentou sua primeira bateria de sódio em abril do ano passado, batizada de Naxtra, destacando-a como a primeira do mundo pronta para produção em massa para veículos comerciais.
Agora, a empresa confirmou que começará a instalar essas baterias também em carros de passeio a partir do segundo trimestre de 2026.
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O primeiro modelo a recebê-las será o AION Y Plus, e os primeiros testes públicos em clima frio já estão sendo preparados.
A versão de 45 kWh da bateria foi desenvolvida para aplicações como vans e caminhões leves, e é capaz de manter desempenho mesmo a -30°C.
Segundo a CATL, ela ainda pode ser carregada nessas temperaturas extremas, e a -40°C retém cerca de 90% da sua capacidade utilizável — superior às baterias de lítio convencionais, que perdem mais desempenho no frio.
A nova célula de sódio também se destaca pela segurança durante recargas ultrarrápidas (5C), além de oferecer um ciclo de vida mais estável.
Embora tenha densidade energética inferior às baterias de lítio-ferro-fosfato (LFP), a CATL quer igualar esse patamar até 2029.
Hoje, seu modelo de sódio já atinge 175 Wh/kg, o que coloca a tecnologia no nível superior da atual geração de baterias LFP.
A BYD, por sua vez, iniciou em 2024 a construção de sua primeira fábrica de baterias de sódio, com investimento de 10 bilhões de yuans (cerca de R$ 6,9 bilhões) e capacidade anual de 30 GWh.
Outras empresas chinesas, como EVE Energy e Ronbay Technology, também entraram na corrida do sódio.
A principal vantagem do sódio está na abundância e no custo.
Ao contrário do lítio, o sódio é facilmente encontrado em larga escala, o que reduz a dependência de matérias-primas estratégicas e pode ajudar a estabilizar os preços das baterias.
Com o carbonato de lítio chegando a 170.000 yuans por tonelada em 2025 — mais de três vezes o valor médio de 2021 — a alternativa do sódio tornou-se economicamente atraente.
As projeções são otimistas: os embarques de baterias de sódio já alcançaram 9 GWh no ano passado, um crescimento de 150% em relação a 2024, e devem ultrapassar 1.000 GWh até 2030.
Embora o sódio não deva substituir completamente o lítio no curto prazo, ele se apresenta como a solução ideal para veículos urbanos, comerciais leves e aplicações em climas extremos.
A nova ofensiva chinesa pode reposicionar o país como protagonista não só na fabricação de EVs, mas também na próxima geração de tecnologias de armazenamento de energia.
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