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Virtus Highline 1.0 TSI: rodamos 15 dias e 2.200 km, veja avaliação

Quando chegamos na VW para pegar o Virtus Highline, vimos no motorista que nos levou uma atitude que se mostraria comum no período de duas semanas que avaliamos o carro.

A maioria das pessoas faz questão de observar com calma o sedã da Volkswagen.


Virtus Highline 1.0 TSI: rodamos 15 dias e 2.200 km, veja avaliação

É claro que o fator novidade ainda contribui para isso, mas não dá pra negar que o modelo (especialmente nessa versão) chama um pouco a atenção por onde passa. Você acaba se acostumando com comentários do tipo “é o novo Jetta?” ou até mesmo “que carro é esse?”.

Mesmo quem já conhece o Virtus Highline fica muito satisfeito com alguns aspectos, especialmente seu espaço interno, dirigibilidade e tecnologia. Além disso, poucas pessoas discordariam com a afirmação de que seu exterior é bonito e moderno.


Mas o que a versão topo de linha do Virtus tem a oferecer?

Como foi a experiência de duas semanas e mais de 2.200 km rodados com o sedã?

Afinal, vale a pena ter esse modelo da VW na garagem?

Conhecendo o Virtus Highline e seus opcionais

Virtus Highline 1.0 TSI: rodamos 15 dias e 2.200 km, veja avaliação

A linha do Virtus (com suas outras variantes além da Highline) é dividida em três versões, sendo que apenas a versão mais barata é equipada com o motor 1.6 de 110/117 cv.

O valor inicial é de R$ 61.390, com câmbio manual de cinco marchas, subindo para R$ 66.525 se o Virtus for equipado com transmissão automática de seis velocidades.

Essa versão tem dois pacotes opcionais: o Safety Pack, que custa R$ 1.352 e adiciona assistente para partida em rampa, controle eletrônico de estabilidade (ESC), controle de tração (ASR) e bloqueio eletrônico do diferencial (EDS), e o Interatividade, que sai por R$ 3.355 e agrega sensores de estacionamento traseiros, espelhos elétricos com função tilt down no lado direito, rodas de liga leve aro 15 e Composition Touch.

As outras duas versões do Virtus (Comfortline e Highline) vem com o propulsor 1.0 turbo de 3 cilindros, bem mais moderno e divertido.

Ele rende 115/128 cv e 20,4 kgfm de torque (ou 200 Nm, o que gerou a nomenclatura 200 TSI), e tem transmissão automática de seis velocidades apenas.

Virtus Highline 1.0 TSI: rodamos 15 dias e 2.200 km, veja avaliação

A opção intermediária custa a partir de R$ 74.680, e conta com três pacotes opcionais, sendo que um deles tem apenas as rodas de liga leve aro 16, por R$ 1.219.

Os outros dois, chamados de Tech I e Tech II, variam entre R$ 1.819 e R$ 3.597, adicionando itens como abertura das portas e partida sem chave, sensores de estacionamento dianteiros, piloto automático, sensor de chuva e crepuscular, volante multifuncional com shifts paddles, ar-condicionado digital, câmera de ré e outros.

Finalmente, a versão topo de linha Highline sai por salgados R$ 79.990, valor que pode chegar a salgadíssimos R$ 88.149 com todos os opcionais, além de pintura metálica.

A lista inclui revestimento em couro sintético nos bancos e portas (R$ 800) e rodas de liga leve aro 17 (R$ 1.200), além de um terceiro pacote chamado Tech High, que sai por salgados R$ 4.690 e tem como destaques comando de voz, sistema de navegação, central multimídia de 8 polegadas Discover Media e o excelente painel digital.

No caso da versão que avaliamos, o único opcional que não estava presente era o revestimento em couro.

Ou seja, o carro que você vê nas fotos custa incríveis R$ 87.349, e isso expõe o principal ponto negativo do Virtus Highline. Mesmo com tantas qualidades (depois de ler esse texto você vai entendê-las bem), é difícil pagar tanto por um sedã que embora seja espaçoso por dentro, ainda é compacto, ou seja, um nível abaixo do tamanho dos sedãs médios atuais.

Rodando com o Virtus Highline

Virtus Highline 1.0 TSI: rodamos 15 dias e 2.200 km, veja avaliação

Como dissemos acima, rodamos mais de 2.200 km com o Virtus Highline durante os 15 dias que ficamos com o carro. Esse percurso incluiu trechos urbanos em cidades grandes e pequenas, também muitos quilômetros em estradas, como as rodovias Fernão Dias, Dom Pedro I e outras.

No primeiro dia, fizemos uma viagem de mais de 200 km e logo nos impressionamos com o consumo registrado no painel: 16,4 km/l. Levando em conta que o percurso incluiu um trecho dentro da cidade de São Paulo e que na estrada fizemos alguns testes de retomada com o motor turbo (dentro da velocidade permitida), o número poderia ter sido ainda melhor, mais de 17 km/l.

Numa das últimas viagens, já rodando com etanol, conseguimos uma boa marca de 13,6 km/l, como pode ser visto na imagem acima.

Acabamento do Virtus Highline é fraco

A impressão inicial ao dirigir o Virtus Highline é muito boa. O interior é interessante, pecando apenas na qualidade do acabamento. O acabamento está mais para um carro de no máximo R$ 60.000 do que um carro de mais de R$ 80.000.

Mas infelizmente esse é o caminho que os carros vendidos no Brasil estão tomando, simplificação ao extremo e uso de materiais mais pobres para reduzir os custos e aumentar as margens de lucro.

No interior, algo que ajuda a minimizar o acabamento ruim (de baixa qualidade, apesar dos encaixes bem feitos e sem rebarbas) é o painel digital. Ao lado da central multimídia de 8 polegadas, o conjunto dá um ar futurista, com todas as funções do carro ao alcance das mãos.

Virtus Highline 1.0 TSI: rodamos 15 dias e 2.200 km, veja avaliação

E é claro que a VW sabe disso. Se o brasileiro faz tanto questão de tecnologia, ela pode inserir estes itens “chiques” no Virtus Highline e ao mesmo tempo piorar o acabamento que talvez uma boa parte das pessoas nem percebam.

Dirigibilidade

Vamos falar um pouco mais sobre o painel digital daqui a pouco, mas antes é importante destacar alguns pontos (positivos e negativos) sobre a dirigibilidade do Virtus Highline.

Se você está acostumado com sedãs maiores (e, consequentemente, motores maiores), saiba que o propulsor 1.0 turbo dá conta do recado, e ele faz isso com muita tranquilidade e mais economia.

É claro que ao pisar fundo você não vai grudar no banco, nem mesmo ter aquele desempenho super interessante que este motor entrega no Up, mas pelo menos o desempenho é igual (ou até levemente superior) ao visto em sedãs maiores, que são mais pesados.

A retomada do Virtus Highline também agradou muito. Ele leva cerca de 7,4 segundos para ir de 80 km/h a 120 km/h, uma marca que pode ser considerada como muito boa pelo tamanho de seu motor.

E se a opção for por uma viagem mais tranquila, o piloto automático cumpre bem seu papel. Ele é fácil de manusear e não demora para retomar a velocidade programada.

Virtus Highline 1.0 TSI: rodamos 15 dias e 2.200 km, veja avaliação

Isolamento acústico ruim

Mas quando você faz retomadas ou qualquer aceleração mais vigorosa, logo percebe um ponto negativo: o fraco isolamento acústico. Alguns poderiam argumentar que isso é provocado pelo ronco característico dos motores 3 cilindros, algo que você se acostuma com o tempo.

Em nossa opinião esse não era o problema; sinceramente, até gostamos do ronco do Virtus 1.o turbo. Mas em qualquer situação, mesmo rodando tranquilamente e com a mais baixa rotação possível, a cabine é invadida pelos barulhos externos.

Não é algo grave, mas poderia ser melhorado, principalmente levando-se em conta o quanto o Virtus Highline custa.

A impressão é a mesma em relação à construção do Virtus Highline: ela é boa, mas poderia ser melhor. Isso é percebido nos materiais usados no interior, que tem bom encaixe e relativa qualidade, mas não condizem com um carro de quase R$ 90.000.

Pra todos os lados, tudo o que se vê é aquele plástico duro, não tão agradável ao toque. A única exceção no modelo que testamos era uma pequena área das portas dianteiras, que tinha tecido.

Vida a bordo é confortável e espaçosa…

Virtus Highline 1.0 TSI: rodamos 15 dias e 2.200 km, veja avaliação

E o que dizer do conforto e espaço interno? Bem, no primeiro ponto parece existir uma diferença entre o banco do motorista e o do passageiro. As abas laterais dos bancos dianteiros dão uma excelente sustentação ao motorista, mas podem incomodar alguém mais espaçoso, pois o banco tem o encosto muito estreito.

A altura do teto é muito boa, mesmo para pessoas mais altas. Pedimos a um amigo com 1,93 m fazer o teste e ele saiu satisfeito. Aliás, ele também entrou satisfeito, destacando que sua cabeça não bateu ao entrar e sair do veículo, como às vezes acontece em outros veículos.

Mesmo com os bancos dianteiros bem recuados, os passageiros de trás continuam viajando tranquilamente, sem encostar os joelhos no banco. Esse espaço veio graças ao generoso entre-eixos do Virtus Highline, que iguala os 2.651 mm do irmão maior Jetta.

Apesar disso, o espaço lateral entrega que o modelo é um sedã compacto (3 adultos viajam um pouco apertados) e o túnel central é alto.

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…mas no banco de trás, quem é mais alto sofre

A queda na altura do teto também atrapalha um pouco, pois a cabeça fica encostada no teto.

E não estamos mais falando no caso do nosso amigo de 1,93 m (ele ficou até um pouco encurvado), mas sim de pessoas mais baixas, com pouco mais de 1,80 m. E isso é completamente relevante, pois sabemos que hoje em dia os jovens adolescentes que sentam no banco de trás dos carros passam de 1,80 m com facilidade.

Além disso, o assento do banco traseiro é curto, na típica redução de custos da indústria automotiva, fazendo com que apenas metade da coxa fique apoiada. Os encostos de cabeça são difíceis de regular e a falta de um apoio de braço central são outros pontos negativos.

Em uma das viagens que fizemos colocamos cinco adultos e tudo o que coube no porta-malas (tudo mesmo, fazendo com que a tampa quase não fechasse). Mesmo assim viajamos tranquilamente, com o motor turbo dando conta do recado.

E foi nessa viagem que percebemos o quanto o porta-malas de 521 litros do Virtus Highline é bem grande, sendo esse um dos pontos mais positivos do modelo.

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O Virtus tem bons porta-objetos

Outro aspecto que vale a pena citar no espaço do Virtus Highline é em relação aos seus porta-objetos, sempre bem localizados e espaçosos.

No meio dos bancos dianteiros, por exemplo, temos um apoio de braço que pode ter sua tampa posicionada até 10 cm para a frente, revelando um porta moedas. Nas portas, os espaços levam até pequenas garrafas.

No console central existem dois porta-copos e outro porta-objetos menor, enquanto que à frente da alavanca do câmbio a VW colocou um porta-treco com textura antiderrapante.

Dentro dele você ainda encontrará uma das três entradas USB presentes no Virtus Highline, sendo que as outras estão no suporte de celular e abaixo da saída do ar-condicionado para os ocupantes traseiros.

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Não é comum ver, pelo menos nesse segmento, uma entrada USB para os passageiros traseiros, bem como uma saída de ar-condicionado com controle de intensidade.

Além disso, o Virtus Highline oferece luzes de leitura individuais (posicionadas no meio), Isofix e Top Tether.

Painel digital, a cereja do bolo do Virtus Highline

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Propositalmente, não pesquisamos nada sobre o painel digital e suas funções antes de pegar o Virtus Highline para essa avaliação.

Nosso objetivo era testá-lo como qualquer outra pessoa faria. E temos que admitir, demorou um pouco para se acostumar com essa novidade.

Quando o carro foi entregue, o painel estava com o GPS em tela cheia, o que é estranho de início. Estranho no sentido de não estarmos acostumados com isso, e não de ser algo ruim, pois no final, essa é uma função muito interessante e útil.

Virtus Highline 1.0 TSI: rodamos 15 dias e 2.200 km, veja avaliação

Do lado direito do volante multifuncional estão as teclas que permitem mudar o que é visualizado, alternando em três modos principais.

O primeiro modo mostra uma função em tela cheia (que pode ser do telefone conectado, status do veículo, dados da viagem, navegação ou áudio), deixando o velocímetro em modo digital, no lado direito inferior.

O segundo modo deixa as cinco funções citadas apenas no centro do painel, reservando as laterais para diversos dados, como data, autonomia e outros. Já o terceiro e último modo mostra o painel num formato mais convencional.

Algo interessante é que, mesmo nesse terceiro modo, o sistema permite que você altere o que aparece no centro de cada mostrador (velocímetro e conta-giros). Isso é feito através do botão CAR, na central multimídia, que permite mudar a maneira como tudo é visualizado.

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Não dá para negar que, apesar de estar presente num carro considerado caro, essa tecnologia coloca o Virtus Highline em outro patamar.

Você só poderia ter acesso a um painel como esse em modelos bem mais caros, como outros veículos da própria Volkswagen. É um atrativo e tanto, capaz de convencer alguns compradores a optarem por esse modelo e versão.

A central multimídia também merece elogios.

Ela conta com uma tela sensível ao toque de 8 polegadas e várias funções, como Bluetooth, GPS e ajustes do painel digital. O GPS, por exemplo, é muito fácil de manusear, e pode ser visualizado tanto na tela central, quanto no painel de instrumentos.

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Mas aí tivemos uma dificuldade curiosa: não conseguimos encontrar a cidade de Campinas (SP).

Ao inserir um endereço, você precisa primeiro escolher a cidade, depois a rua e o número. Quando digitávamos Campinas, só apareciam outras opções de cidades menores com o mesmo nome, mas não a metrópole do interior paulista.

Opinião de outras pessoas

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Nas duas semanas que avaliamos o Virtus Highline, fizemos questão de colocar várias pessoas para andar junto conosco. Como foram pessoas de diversas idades, homens e mulheres, isso nos fez perceber vários pontos de vista diferentes, e de pessoas com uma visão totalmente neutra sobre o assunto.

Os elogios mais comuns eram sempre em relação ao visual externo e ao espaço no interior, além do painel digital. Como citamos no começo dessa matéria, virou rotina ter que responder algumas perguntas de curiosos na rua, além de pessoas que passavam e olhavam com mais atenção para o Virtus Highline.

Quem andou junto com a gente sempre elogiou bastante o painel digital e a central multimídia, que conta com Apple CarPlay, Android Auto e Mirrorlink. São tecnologias cada vez mais comuns em nosso mercado, mas impressiona o quanto elas continuam desconhecidas para a maioria das pessoas.

Outro destaque foi o comando de voz, usado com muita facilidade até por quem nunca tinha tido acesso a isso.

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Em relação à condução do modelo, os modos Manual e Sport foram elogiados, assim como a posição de dirigir. O volante tem um revestimento em couro muito agradável ao toque, e todos os comandos ficam voltados ao motorista. Essa com certeza é a melhor posição dentro do Virtus.

Mas ouvimos também algumas críticas. Uma das pessoas que andou conosco citou a suspensão como sendo firme demais, o que faz os ocupantes sentirem muito as imperfeições das vias brasileiras.

E olha que o Virtus Highline tem um acerto mais suave do que costumamos ver nos carros da Volkswagen.

Outra pessoa também citou que a aceleração parece um pouco lenta, explicando que você precisa pisar um pouco mais para o motor acorde. Caso contrário, a condução é bem mais tranquila.

Conclusão

A Volkswagen certamente colocou um produto de qualidade no mercado brasileiro ao lançar o Virtus Highline. E isso é visto em todas as versões, já que a marca não lançou simplesmente um Polo sedan, mas sim um modelo novo e bem pensado.

No caso da versão Highline avaliada, existem atrativos que certamente farão muitos optar pelo Virtus.

O destaque, como já citado, é o excelente painel digital. À primeira vista parece algo dispensável, e talvez alguns realmente o considerem assim. Mas no dia a dia, esse item tornou o Virtus Highline um carro muito mais agradável e interessante.

Ao devolver o carro, reconhecemos que sentimos falta desse painel.

A economia do motor 1.0 turbo de três cilindros também é um fator interessante, assim como o enorme espaço interno que o Virtus apresenta. Podemos ter certeza que muitas pessoas vão migrar do segmento dos sedãs médios, e sem reclamar ao fazer isso.

Mas, como tudo na vida, o Virtus tem seus pontos negativos. Citamos alguns ao longo dessa matéria, como acabamento ruim e posição não muito boa no banco de trás, mas aqui vamos nos concentrar em apenas um: o preço que a Volkswagen cobra por tudo isso.

Todos sabem (e reclamam) dos preços praticados pelas montadoras aqui no Brasil, e ninguém achou que o Virtus Highline chegaria com preços baixos.

Mesmo assim, é importante perguntar: vale a pena pagar cerca de R$ 88.000 por um sedã compacto, mesmo com algumas tecnologias inovadoras e interessantes? A conclusão que chegamos é que vale somente se para você o motor 1.0 TSI e o painel digital forem atrativos bem fortes.

Se estes dois itens não forem tão importantes, podem existir outras opções melhores na casa de R$ 80.000 a R$ 90.000.

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