Volkswagen muda estratégia da Scout: novo SUV será híbrido com 800 km de autonomia e visual retrô

A Scout, marca lendária de utilitários norte-americanos que parou de produzir veículos em 1980, está de volta — mas com uma estratégia bem diferente da inicialmente planejada pela Volkswagen.

Embora o plano original fosse lançar uma linha 100% elétrica, a Scout renasce como uma marca focada em SUVs e picapes híbridas plug-in (PHEV) e com versões de autonomia estendida (EREV), combinando motores elétricos com geradores a gasolina.

O motivo? A resposta do público foi clara: mais de 80% dos consumidores que fizeram reservas preferiram versões híbridas em vez de modelos totalmente elétricos.

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Segundo Scott Keogh, CEO da Scout, o mercado “falou alto” e deixou evidente a preferência por soluções híbridas que combinam praticidade, autonomia e familiaridade.

“É como ter um elétrico — só que sem o drama”, declarou Keogh, ao destacar que os modelos EREV podem rodar até 800 km com um único tanque de combustível.

A Scout recebeu mais de 130 mil reservas não vinculativas desde o anúncio da marca, com cerca de 73% das intenções voltadas ao SUV Scout Traveler e 27% para a picape Scout Terra.

O lançamento oficial dos modelos está previsto para 2027, e os preços partirão de cerca de US$ 60 mil, sem desconto mesmo com a possível extinção do crédito fiscal de US$ 7.500 para elétricos.

Keogh afirmou que a empresa não reduzirá os preços em resposta à medida anunciada por Donald Trump e aliados republicanos, que querem acabar com os incentivos aos EVs.

“A Scout é um projeto de longo prazo. Não tomamos decisões de 50 anos com base em políticas que mudam em quatro”, justificou o executivo.

A decisão da VW de trazer a Scout de volta como híbrido ocorre em um momento em que outros fabricantes recuam nas ambições elétricas.

Tesla, Ford, GM e Stellantis vêm enfrentando dificuldades com vendas de picapes elétricas, especialmente por preocupações com autonomia em reboques e uso pesado.

A Ford, inclusive, avalia cancelar a F-150 Lightning, e a GM reduziu os planos de produção elétrica. Keogh não descartou uma decisão semelhante caso a picape Scout não decole.

“Não tomamos essa decisão agora, mas é algo que pode ser avaliado no futuro”, disse.

A Scout será produzida em uma nova fábrica de US$ 2 bilhões na Carolina do Sul, com previsão de início de operação no fim de 2027.

Além disso, o complexo terá um parque fornecedor de 200 acres e US$ 300 milhões de investimento adicional, reforçando o compromisso com a produção local.

Há rumores de que a Audi poderá fabricar modelos sobre a mesma plataforma da Scout nos EUA, especialmente um SUV focado no mercado americano.

Keogh confirmou que a estrutura permite isso, mas diz que qualquer anúncio deve vir da própria Audi.

A escolha por modelos híbridos também responde ao novo clima político dos EUA, com Trump buscando derrubar o chamado “mandato dos EVs” e promover uma agenda mais protecionista.

Para a Volkswagen, ressuscitar a Scout com um visual retrô, foco em autonomia e apelo emocional pode ser a chave para finalmente ganhar espaço no competitivo mercado americano de utilitários — mesmo que o futuro totalmente elétrico fique para depois.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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