
Poucas coisas expõem um erro de leitura de mercado tão bem quanto quando gigantes decidem, de uma vez, riscar bilhões do próprio planejamento e seguir adiante como se fosse “normal”.
Até agora, cinco montadoras já fizeram revisões profundas nas suas estratégias de EVs, e o custo desse recuo se aproxima de US$ 70 bilhões (R$ 367 bilhões), valor comparado ao PIB de Uganda ou da Venezuela.
General Motors, Ford, Stellantis e agora a Honda anunciaram baixas contábeis bilionárias ligadas a capacidade de fábrica, programas de veículos e produção de baterias.
A Honda foi a mais recente a engrossar a lista ao registrar um write-down de US$ 15,7 bilhões (R$ 82,3 bilhões) após cancelar o 0 Series SUV, o 0 Series Saloon e o Acura RSX.
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Ela se junta ao write-down de US$ 6 bilhões (R$ 31,5 bilhões) da GM, à perda de US$ 19,5 bilhões (R$ 102,2 bilhões) da Ford e ao baque de US$ 26,5 bilhões (R$ 138,9 bilhões) da Stellantis.
Para completar o clima, a Porsche também comunicou uma baixa de US$ 4,5 bilhões (R$ 23,6 bilhões) em projetos de EVs, segundo a EuroNews.
Somadas, essas baixas chegam a US$ 72,2 bilhões (R$ 378,6 bilhões) em perdas para quatro montadoras, retrato de um mercado que não amadureceu como elas apostavam.
O texto relaciona esse esfriamento ao fim do crédito federal de US$ 7.500 (R$ 39.300) para EVs nos EUA e ao afrouxamento de padrões federais de economia de combustível, reduzindo a pressão por emissões menores.
Os sinais de demanda aparecem nos emplacamentos: em dezembro, os registros de EVs caíram 48% ano a ano para 75.427 veículos, e a fatia no mercado de leves recuou para 5,3% ante 9,9%, segundo a Automotive News.
Em janeiro de 2026, a queda continuou, com recuo de 41% para 59.802 EVs em um total de quase 1,2 milhão de veículos, derrubando a participação para 5,1% frente a 8,3%.
No caso da Honda, o tom é de abandono total dos projetos 0 Series e do RSX, que seriam feitos nos EUA e já estavam avançados desde os conceitos mostrados na CES em janeiro de 2024.
O Acura RSX tinha sido apresentado em janeiro de 2025 e ganhou um protótipo quase de produção em agosto, mas agora também foi colocado na gaveta.
Sobre o Sony Honda Mobility Afeela 1, com preço acima de US$ 100.000 (R$ 524.300), o texto diz que ele está tecnicamente em produção desde janeiro, porém sem grande expectativa de sucesso.
A nova prioridade da Honda passa a ser híbridos, movimento parecido com a guinada da Ford, que estaria “matando” o F-150 Lightning elétrico em favor de um F-150 híbrido de autonomia estendida, com motor a gasolina recarregando a bateria.
A Ford também teria abandonado uma nova geração de picape e van elétricas para pivotar forte a outros híbridos, esperando que a mistura global de híbridos, EREVs e EVs puros chegue a 50% até 2030.
Na GM, a reviravolta é menos direta: a fábrica de Orion, antes apontada para EVs, deve produzir Escalade, Silverado e Sierra, enquanto a empresa reduz células de bateria, corta turnos e demite centenas na Factory Zero.
A CEO Mary Barra disse à Automotive News que a companhia estava “avaliando” híbridos plug-in, mas por enquanto os únicos híbridos da GM seriam Corvette E-Ray e ZR1X, longe da ideia de carro econômico.
Na Stellantis, a empresa vende 49% da joint venture de baterias para a LG Energy Solution e troca a Ram 1500 REV totalmente elétrica por uma versão híbrida plug-in de autonomia estendida, além de ressuscitar o Hemi V8 em larga escala.
Já a Porsche redesenhou sua rota ao repensar o 718 Boxster e Cayman elétricos com uma variante a combustão, cogitar unificar Panamera e Taycan e manter o Macan a gasolina além do prazo que parecia inevitável.
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