
A ideia de uma gigante japonesa fechar um ano no vermelho soava improvável, mas a Honda está prestes a encerrar um ciclo que durou desde 1957.
Em 69 anos como empresa de capital aberto, todos os exercícios terminaram com lucro, só que o balanço do ano fiscal encerrado em 31 de março deve quebrar essa sequência.
Antes mesmo do resultado oficial, surgiram relatos de um rombo de ¥400 bilhões (R$ 12,5 bilhões), número que levou a Honda a se pronunciar publicamente.
O CEO Toshihiro Mibe afirmou que o dado será confirmado em 14 de maio e que ficará dentro da faixa do guidance consolidado divulgado em 12 de março de 2026.
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Essa faixa, porém, já é pesada: a projeção fala em perda líquida após impostos entre ¥360 bilhões (R$ 11,2 bilhões) e ¥630 bilhões (R$ 19,7 bilhões).
O contraste com a expectativa anterior é brutal, porque a empresa chegou a contar com lucro de ¥360 bilhões, mesmo abaixo dos ¥903 bilhões (R$ 28,2 bilhões) obtidos no ano passado.
Mibe deve apresentar no mesmo encontro um novo plano para voltar ao lucro, com mais cortes e aceleração de medidas que já vinham sendo sinalizadas.
Entre as tesouradas já anunciadas, a mais simbólica foi encerrar de vez a estratégia de EVs, com o cancelamento dos futuros Honda 0 Series e do Acura RSX.
O pacote de recuos também inclui o fim do Sony Honda Mobility Afeela e a interrupção dos trabalhos em uma fábrica de baterias para EVs no Canadá.
A própria Honda declarou que esses EVs “mortos” não seriam competitivos, e ainda houve saída completa de pelo menos um mercado, a Coreia do Sul.
A empresa também reconhece que espera perder US$ 16 bilhões (R$ 78,4 bilhões) ligados ao esforço com EVs, citando a transição de longo prazo e impactos atuais provocados por uma “mudança de política do governo dos Estados Unidos”.
Em março, Mibe disse que até os modelos a combustão estavam sofrendo por falta de investimento, sinal de que o aperto não ficou restrito à eletrificação.
No topo, o ajuste virou gesto político: os quatro principais executivos abriram mão de bônus e aceitaram corte de 30% do salário por três meses, enquanto outros executivos cederam 20% no mesmo período.
A nova aposta declarada para recompor margens é ampliar a linha de híbridos, em vez de insistir em EVs que não fechariam a conta.
No ano passado, a Honda apresentou um sistema híbrido baseado em V6 voltado a modelos como Pilot, Passport e Ridgeline, com foco em reboque, uso fora de estrada e redução de custos para a empresa.
Como parte da reorganização, também circulam relatos de extensão do ciclo de produtos fortes nos EUA, como Acura MDX, Honda Odyssey e Accord, além de um possível adiamento de assistentes avançados de condução para 2028.
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