Avaliação: Fiat Pulse Drive 1.3 pede força, bebe pouco

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Depois do Pulse Turbo 200, na versão Audace, avaliamos agora o Fiat Pulse Drive 1.3 CVT, que é a opção de entrada do SUV italiano.


Com poucas diferenças externas para o irmão avaliado anteriormente, ele muda mesmo é por dentro, é mais simples, ainda que tenha muitos itens que chamam atenção na sua faixa de preço.

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Nesse Pulse Drive 1.3, existem duas coisas distintas que se destacam. Uma é a falta de força do motor, com seu 1.3 Firefly atenuado para o Proconve L7. O outro é o bom consumo de combustível.

Ruim de qualquer forma é o preço: R$ 89.990. Não esse exatamente, mas como da versão testada: R$ 99.440.

Por fora…

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Mais uma vez com o Pulse, não há como negar que o sangue do Argo corre em suas veias… a frente alta e truncada contrasta com o teto curvado, próprio do hatch.

Parar ao lado de um Argo e ficar comparando a carroceria virou rotina. Boa para os faróis de LED e visual moderno no frontal. As lanternas em LED positivam ao chamar atenção.

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As rodas de liga leve aro 16 polegadas com os mesmos pneus 195/60 R16 não ampliam tanto o visual do carro, diferente do teto e colunas pretas, nesse tom de cinza que anda agradando.

Nota-se que no para-choque, as entradas de ar laterais são verdadeiras, saindo nas caixas de rodas. Antena e barras no teto, bem como retrovisores pretos com piscas, fecham o pacote.

Por dentro…

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Como é de se esperar, o acabamento é mais simples na versão Drive, onde o Fiat Pulse tem painel preto com apliques em cinza, inclusive nas maçanetas das portas.

O cluster é semelhante ao do Pulse Audace Turbo, tendo boa visibilidade e fácil compreensão. Já a multimídia presente tinha tela de 7 polegadas, apesar de serem apenas R$ 500 que a separam daquela de 10 polegadas.

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O volante não tem couro, mas é completo, com o botão do modo Sport sem o vermelho, mas, com alteração motriz similar. Ruim é não ter paddle shifts e nem ajuste de profundidade.

Já o ar-condicionado automático é o mesmo, inclusive com comandos na tela, que tem ainda Android Auto, CarPlay e GPS inteligente, uma vez estar com pacote de internet instalado.

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Isso, mais Wi-Fi e retrovisor eletrocrômico com botão de SOS, custam R$ 3.650. Falando em opcionais, o Fiat Pulse Drive testado tinha ainda o pacote Plus, por R$ 4.300.

Ele traz entrada presencial, partida por botão, câmera de ré, carregador wireless e partida remota, que fará muito vizinho ficar de boca aberta com esse Fiat.

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Tem ainda a pintura bicolor em cinza, nesse caso, mas pode-se pagar R$ 1.500 para ser todo cinza ou ter essa opção à parte.

Os bancos são simples e há duas entradas USB, além de uma USB-C. Porta-luvas iluminado, luzes de leitura claras e luz traseira, além do bagageiro de 370 litros. Só o banco é inteiriço…

Por ruas e estradas…

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O Fiat Pulse Drive 1.3 CVT é muito diferente das versões com o motor GSE 1.0 Turbo Flex de três cilindros, que tem 125 ou 130 cavalos, a depender do combustível.

Nessa versão, o conhecido GSE Firefly Flex 1.3 8V se apresenta acanhado. O motivo é o Proconve L7 que reduziu sua já pouca potência e torque, botando a engenharia para suar.

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Seus quatro cilindros com 1.332 cm³ e uma taxa de compressão alta, de 13,2:1, entregam apenas 98 cavalos na gasolina e 107 cavalos no etanol, ambos a 6.250 rpm.

Já o torque é de 13,2 kgfm no derivado de petróleo e 13,7 kgfm no combustível vegetal, obtidos a 4.000 rpm. Só de olhar os números, o desânimo já aparece.

Para tudo isso, uma caixa CVT com simulação de sete marchas converterá a situação em algo que não seja de todo ruim. A calibração da transmissão, apesar do Firefly 1.3, se mostra boa.

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Traduzindo isso logo de saída, o Pulse Drive 1.3 tem boa resposta no trânsito. O CVT chega até a lembrar o da Honda, não deslizando de imediato nas partidas dos semáforos.

Contudo, o pequeno 1.3 precisa de fôlego para responder, e se o continuar pressionando, chega rápido até 3.000 rpm e ronca para isso.

A partir daí ele fica um pouco mais esperto, porém, o CVT mostra seu lado linear e atenua a breve disposição do Firefly. Assim, quanto mais você pisa, mais ele vai morrendo…

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Mesmo se exigir até os 6.000 rpm, sem a intervenção do modo Sport, ele não deslancha. É preciso usar a alavanca no modo manual para ter mais disposição.

Contudo, é melhor apertar o botão Sport e ver onde a engenharia da Fiat fez o seu. Rapidamente o giro sobe e a resposta se torna agradável. Pode-se ver o CVT fazendo bem.

O acordar do Firefly produz um efeito interessante na aceleração, com um ronco até animador e o ponteiro batendo nos 6.000 rpm, e de novo, para mais um toque.

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A sensação descrita aqui, no Pulse Turbo, é muito mais empolgante, mas no 1.3 até que é interessante, dada a proposta frugal do conjunto, com ultrapassagens que exigem alto giro e retomadas de alguma paciência.

O lado bom disso, em tempos de combustíveis nas nuvens, é o baixo consumo de combustível, mas antes de falar do consumo, vamos explicar um pouco o porquê de avaliarmos o consumo dos carros cedidos pelas montadoras com etanol, já que todo mundo sempre reclama que hoje em dia não vale a pena usar etanol em lugar nenhum do país.

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Estes veículos são emprestados por um período que geralmente é de uma semana, e o carro já vem com tanque cheio. As montadoras, para não gastarem muito com combustível, abastecem os carros sempre com etanol (nos carros com motor flex).

Como não rodamos 1.000 ou 2.000 km com o carro nesse período (a avaliação é feita por um editor que tem várias outras responsabilidades diárias, incluindo a publicação de várias notícias em nosso site), não temos como acabar com o etanol deste primeiro tanque e chegar a encher um segundo com gasolina para verificar o consumo com este outro combustível.

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Tendo deixado a explicação acima, vamos ao consumo: o Pulse Drive 1.3 CVT faz 9,0 km/l no urbano, com etanol, sem necessitar uma condução especial para se economizar combustível.

Na estrada, os 13,2 km/l com etanol são mais que se esperava num carrinho de 1.186 kg, mas ele pode fazer ainda melhor, depende do estilo de cada um.

Rodando a 110 km/h, onde medimos esse consumo, o Pulse 1.3 marca 2.200 rpm com nível de ruído moderado. Só nas retomadas, subidas bem íngremes e no que exigir muito, avisamos: o ruído é alto.

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É aquilo, exigiu dele, ele responderá roncando alto, ainda que não em performance. Já na dirigibilidade, a reprodução da versão Audace se mantém.

A suspensão alta é uma benção para nossas ruas com lombadas montanhosas, buracos com próprio ecossistema e valetas que adoram arrancar assoalhos.

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Além da altura, a calibração é ótima, com pneus série 60, molas e amortecedores suportando bem a superfície lunar existente no Brasil.

Mesmo em curso de suspensão, o Pulse manda bem, não batendo no fim do curso diante do que não é observado nas ruas, mas bem sentido no habitáculo.

A estabilidade não é lá essas coisas, mas o que se ganha em conforto em lugares de ruas e estradas ruins, compensa e muito. Direção leve e freios adequados permitem boa usabilidade.

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Quando se percebe isso, logo de cara se vê que realmente a proposta do Pulse é rodar em qualquer canto e aguentar como um carro de frota.

A boa impressão disso se faz tanto no 1.3 quanto no 1.0 Turbo. Para a realidade brasileira, o conjunto de suspensão do Pulse é mais que adequado.

Por você…

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O Fiat Pulse Drive 1.3 CVT seria uma opção ideal há dois anos, quando os preços estavam pelo menos R$ 20 mil abaixo do patamar atual. Pelo conjunto, os R$ 89.990 já não assustam tanto.

Afinal, para onde se corre atualmente, só se encontra algo acima e, em alguns casos, sem comparação. Nessa configuração, os R$ 99.440 são exagerados, mas no valor básico, se perde pouco.

O Pulse já vem bem completo de série na Drive 1.3 CVT, onde nós só adicionaríamos a tela de 10,1 polegadas por R$ 500. Ligar a distância, carregar sem fio, por exemplo, não retornarão na hora da revenda.

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Um dia, o boom da Fipe acaba e a realidade voltará. Hoje, para o Pulse Drive, apenas o Chery Tiggo 3x parece um bom rival, mas ele custa R$ 101.990.

Ou seja, sem ter para aonde ir, abraçar o Fiat Pulse Drive 1.3 CVT com ou sem opcionais, é uma ideia interessante. Claro, tendo em vista o que se quer, nesse caso, um “SUV barato”.

Medidas e números…

Ficha Técnica do Fiat Pulse Drive 1.3 CVT 2022

Motor/Transmissão

Número de cilindros – 4 em linha, flex

Cilindrada – 1.332 cm³

Potência – 98/107 cv a 6.250 rpm (gasolina/etanol)

Torque – 13,2/13,7 kgfm a 4.000 rpm (gasolina/etanol)

Transmissão – CVT de 7 marchas com mudanças manuais na alavanca

Desempenho

Aceleração de 0 a 100 km/h – 11,4 segundos

Velocidade máxima – 177 km/h

Rotação a 110 km/h – 2.200 rpm

Consumo urbano – 9,0 km/litro (etanol)

Consumo rodoviário – 13,2 km/litro (etanol)

Suspensão/Direção

Dianteira – McPherson/Traseira – Eixo de torção

Elétrica

Freios

Discos dianteiros e tambores traseiros com ABS e EDB

Rodas/Pneus

Liga leve aro 16 com pneus 195/60 R16

Dimensões/Pesos/Capacidades

Comprimento – 4.099 mm

Largura – 1.774 mm (sem retrovisores)

Altura – 1.576 mm

Entre-eixos – 2.532 mm

Peso em ordem de marcha – 1.186 kg

Tanque – 47 litros

Porta-malas – 370 litros

Preço: R$ 89.990 (básico) Versão avaliada: R$ 99.440

Fiat Pulse Drive 1.3 CVT 2022 – Galeria de fotos

Autor: Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 26 anos. Há 15 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações.