Avaliação: Fiat Pulse Turbo anda bem, mas bebe muito

Avaliação: Fiat Pulse Turbo anda bem, mas bebe muito

O Fiat Pulse entrou em cheio no cenário automotivo nacional, onde quer ser um player de peso, mas será que ele é tudo isso que se espera?


Testamos um Fiat Pulse Audace e resolvemos ver o que tanto falam dele. É um Argo anabolizado? Anda bem com seu motor 1.0 Turbo de 130 cavalos? Realmente reúne aquilo que o povo quer?

Avaliação: Fiat Pulse Turbo anda bem, mas bebe muito

Falaremos dessas e outras coisas que envolvem o Pulse, o modelo que a Fiat deveu durante anos e está agora aí na pista.

Neste Pulse Audace, com kit multimídia e internet, o preço alcança R$ 113.640 com a pintura metálica. Não é o mais caro de todos, mas revela como está o apetite da Fiat.

Por fora…

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O Fiat Pulse parece um Argo anabolizado sim. Basta olhar as mesmas portas e perceber como os para-lamas ficaram abaulados, dando corpo ao SUV compacto.

As saias de rodas plastificadas ampliam a sensação de maior largura, mas as bitolas com rodas aro 16 polegadas mostram que ele tem mais de Argo que de Pulse em sua essência.

A frente alta e atarracada era o que se esperava de fato de tal derivação de projeto, não sendo nada inédito, mas vale pelo detalhe em cinza, capô retraído e faróis de LED de série.

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Na traseira, a tampa do bagageiro é volumosa, assim como o defletor de ar no teto. A projeção para fora tem intenção, amenizada pelas belas lanternas em LED. As barras no teto ajudam.

O para-choque com saídas de escape falsas encorpa o conjunto traseiro, sendo até interessante. Já os retrovisores são grandes e contribuem na estética também.

Por dentro…

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Para quem já andou no Argo, não há surpresa ao entrar no Fiat Pulse. Exceto por painel e desenho de portas, tudo lembra o hatch, mas o capô alto lá fora indica claramente quem é.

Não se percebe aumento de espaço interno, nem mesmo atrás. Os bancos possuem padronagem em tecido na Audace, com grafismos interessantes de se ver.

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Mas, não percamos o foco. O painel tem um desenho bem resolvido, melhor que do Argo. O display do ar condicionado automático tem botão de dupla função: ventilação/temperatura.

As funcionalidades diversas se apresentam em comandos bem posicionados e a tela de 10 polegadas do Uconnect tem ótima resolução. Há Android Auto e Car Play sem fio, além de GPS.

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A câmera de ré reproduzida também é positiva, tal como as diversas funcionalidades do dispositivo, como Alexa e o Connect Me com Wi-Fi e internet 4G da TIM.

O volante em couro com paddle shifts e comandos de mídia/telefonia/computador/piloto automático e limitador, tem assistência elétrica, mas só ajuste em altura.

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Em compensação, o apoio de braço central projeta-se para frente, tendo um pequeno porta-objetos abaixo. Falando nisso, o porta-luvas tem bom volume e não desaponta.

Bem resolvido também é o porta-copos entre os bancos, assim como os espaços agregados e o carregador indutivo de smartphone, que não sustenta bateria em uso intenso com o Waze.

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Por ser o Audace, esse Fiat Pulse tem cluster analógico que cumpre bem sua função, ainda que pareça antiquado numa versão com alerta de faixa com correção e frenagem de emergência.

O acabamento texturizado do painel, tal coma das portas dianteiras buscam enaltecer o produto, mas é perceptível o projeto de baixo custo. Atrás, não se vai apertado, mas longe do ideal.

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No caso do bagageiro, o estepe fino ajuda a ampliar o espaço interno, onde 370 litros estão disponíveis para compras e bagagens, mas não surpreende. É apenas pouca coisa menor no Argo.

Por ruas e estradas…

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Turbo e injeção direta são o futuro? Parece que sim, ainda que algumas marcas prefiram a entusiástica aspiração natural. No Fiat Pulse Audace, o GSE 1.0 Turbo dá e sobra.

O pequeno e barulhento três cilindros da Stellantis é o que faltava para apimentar a emoção, tantas vezes enaltecida pela marca italiana. Com esse tempero novo, o Pulse agrada muito.

Trata-se de um propulsor bem forte e no limite do que o Pulse pode aguentar. Com 125 cavalos na gasolina e 130 cavalos no etanol, ambos a 5.750 rpm, ele corre solto nas ruas.

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O torque de 20,4 kgfm a 1.700 rpm é mais que o esperado, inclusive, na prática, com progressão vigorosa quando exigido. Mesmo sem pedir muito, ele entrega a força toda.

Enche rápido e mantém o giro baixo, ainda que insista em ficar na casa dos 2.000 rpm, quando bem poderia estar abaixo de 1.500 rpm sem reclamar. É a calibração do CVT para sair rápido.

Com essa transmissão, que não chega a ter a mesma pegada da Honda, o GSE 1.0 Turbo sai rápido e evolui bem nas acelerações, ainda que seja nítido o deslize das correias, algo normal.

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Ainda que não pareça, o Argo, quer dizer, o Pulse, não é exatamente um carro leve, pesando 1.234 kg, mas o conjunto motriz sobra tanto que você acredita que o seja.

Pisando forte, o ponteiro analógico sobe com vigor, enquanto o ronco irregular do GSE se converte em algo mais harmônico e entusiasmante.

Puxa-se aqui e ali manualmente no CVT e o máximo que se chega é a 6.000 rpm, porém, o Fiat Pulse já está em uma boa velocidade ou muito rápido nesse caso. Isso sem o tal modo Sport…

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Acionando o botão vermelho, o giro sobe, o ronco muda e este Fiat pulsa diferente, passando a ser divertido de guiar, ainda que seja mais que a proposta dele.

A pegada do conjunto motor/transmissão nesse modo é ótima, podendo ser sentida com ou sem uso de trocas manuais. Nestas, em modo normal, a rotação já se eleva um pouco mais.

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Num CVT que simula sete marchas, o Fiat Pulse está bem ajustado, rodando a 110 km/h a 2.100 rpm. Na estrada, ultrapassa sem cerimônias e impõe respeito se for pressionado.

Já na cidade, o bom torque em baixa rotação garante rodar tranquilo, sem gritaria em reduções desnecessárias. É essa força inicial que garante bom consumo de combustível.

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Bem, nem sempre… Rodamos com o Fiat Pulse na cidade e, sinceramente, ficamos decepcionados com apenas 6,5 km/l no álcool. E isso em uma cidade costeira, inteiramente plana. O Inmetro fala em 8,5 km/l.

Na estrada, porém, conseguimos 11 km/l com esse combustível vegetal, rodando sempre a 110 km/h. Isso é melhor que os 10,2 km/l do Inmetro.

Tendo uma suspensão bem macia e com pneus largos e altos (195/60 R16), o Fiat Pulse Audace joga bem nas curvas, mas nada exagerado. O lado bom é que em ruas ruins, ele vai bem.

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O conjunto filtra bem as irregularidades e a buraqueira que incomoda muita gente, não tira o ânimo do Pulse, que pode até ser usado em frotas e trabalho diário, dado o conjunto robusto.

A direção elétrica tem boa resposta e a leveza exigida, assim como os freios que aderem bem durante as frenagens.

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Já a posição de dirigir é razoável devido ao banco, porque sem ajuste em profundidade do volante, seria de fato ruim. Sistemas como alerta de faixa e frenagem autônoma ajudam no dia a dia.

Há também farol alto automático, o que é uma boa em viagens noturnas. Com quatro airbags, o Pulse tem ainda os controles de tração e estabilidade, assim como bloqueio do diferencial.

Eles garantem uma condução mais segura em condições extremas de asfalto ou terra. Não é nada especial, mas o suficiente para ser considerado seguro.

Por você…

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O Fiat Pulse é a fome com a vontade de comer. Com perfil de SUV, ainda que tome emprestado partes do Argo, ele tem tudo para ser popular por aqui.

Tem a mesma pegada de qualquer Fiat nacional, com um extra importante: a motorização. Esqueça Argo ou Cronos 1.8, estão longe disso. Pulse é ir com mais emoção, sem dúvida.

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O pacote oferecido no Audace é bom, mas poderia dispor de airbags de cortina, faróis de neblina e rodas aro 17 de série (opcionais) pelo preço cobrado.

A conectividade a bordo é ótima e por falta de conexão você não vai ficar. Contudo, o espaço interno é de um Argo e esse é o preço pago por SUVs subcompactos.

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O bagageiro segue o mesmo caminho, apenas suficiente. No mercado, o Pulse chegou chutando ao Gol (sem conotação) e o Nivus é o mais perto dele, porém, mais caro: R$ 116.655.

Esse preço é com conteúdo parecido com o do Pulse, que perde no porta-malas e espaço interno, no entanto, vence em disposição para andar. Vale a pena? Por conta disso, sim.

Medidas e números…

Ficha Técnica do Fiat Pulse Audace Turbo 200 2022

Motor/Transmissão

Número de cilindros – 3 em linha, turbo

Cilindrada – 999 cm³

Potência – 125/130 cv a 5.750 rpm (gasolina/etanol)

Torque – 20,4 kgfm a 1.700 rpm (gasolina/etanol)

Transmissão – CVT de 7 marchas com mudanças manuais na alavanca e volante

Desempenho

Aceleração de 0 a 100 km/h – 9,4 segundos

Velocidade máxima – 189 km/h

Rotação a 110 km/h – 2.100 rpm

Consumo urbano – 6,5 km/litro (etanol)

Consumo rodoviário – 11,0 km/litro (etanol)

Suspensão/Direção

Dianteira – McPherson/Traseira – Eixo de torção

Elétrica

Freios

Discos dianteiros e tambores traseiros com ABS e EDB

Rodas/Pneus

Liga leve aro 16 com pneus 195/60 R16

Dimensões/Pesos/Capacidades

Comprimento – 4.099 mm

Largura – 1.774 mm (sem retrovisores)

Altura – 1.577 mm

Entre eixos – 2.532 mm

Peso em ordem de marcha – 1.234 kg

Tanque – 47 litros

Porta-malas – 370 litros

Preço: R$ 107.990 (básico) Versão avaliada: R$ 113.640

Fiat Pulse Audace Turbo 200 2022 – Galeria de fotos

Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 25 anos. Há 14 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações.