
Diferentemente de várias fabricantes chinesas, a Leapmotor parece adotar um ritmo mais cauteloso no Brasil e não dá sinais de querer inflar a gama rapidamente; depois do C10, quem aparece é o B10, posicionado como a alternativa mais em conta da marca sob a representação da Stellantis.
Abaixo do C10 em tamanho, o Leapmotor B10 continua enquadrado como um SUV médio e estreia por aqui com uma proposta totalmente elétrica, isto é, na configuração BEV.
Com 218 cavalos, o Leapmotor B10 se coloca como candidato direto a encarar modelos como o BYD Yuan Pro e chega tabelado a R$ 182.990, exatamente o mesmo preço do rival também chinês.
Mais sóbrio do que a média dos carros chineses que temos visto, o Leapmotor B10 segue a cartilha do visual limpo e da cabine bem digital, apostando na ideia de vender tecnologia junto com o carro.

Personalidade interior
O Leapmotor B10 tem um visual bem menos carregado que o de muitos SUVs compactos chineses, ficando bem mais próximo do estilo europeu que, aliás, se tornou uma vantagem para ele na Europa.
Aqui, o B10 não chama tanta atenção, embora seu conjunto óptico full LED com luzes diurnas segmentadas seja atraente. Atrás, um conjunto unificado de luzes para seguir a moda. Já as rodas são igualmente sóbrias.
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As maçanetas, embutidas, não automáticas, ainda confundem algumas pessoas que esperam que elas saltem. Devido às vigias traseiras pequenas, o B10 passa a impressão de ser menor do que realmente é.
Ele mede 4,51 m de comprimento e 1,88 m de largura, bem perceptíveis na garagem de casa. Isso sem contar com os 2,74 m de entre-eixos, que permite ao B10 ter um espaço interno generoso.

Nesse ambiente, o Leapmotor B10 é bem mais distinto do C10 que no exterior, onde ambos são bem parecidos. O painel se diferencia do comum por ter duas barras com elementos vazados.
Elas ficam também à frente da parede do painel e se fundem com os difusores de ar nas extremidades, enquanto os centrais, cromados, se destacam abaixo.
As telas de cluster e multimídia se apoiam nessas barras, que dão mais personalidade ao habitáculo do B10, que ainda tem um volante minimalista. Bem-acabada, a cabine faz jus à proposta mais premium dos chineses atualmente.

Bancos em couro, montagens bem-feitas e materiais que exibem qualidade internacional reforçam a compreensão de que eles chegaram e até avançaram em relação ao tradicional.
O aproveitamento de espaço é bom, mas sem ajuste elétrico para o banco do motorista. Interessantes são os porta-copos dobráveis no console vazado, onde o apoio superior tem recarga indutiva de smartphone.
Bem mais simples que o C10, o B10 tem ainda teto panorâmico, difusores de ar no banco traseiro e sensor de monitoramento do motorista na coluna A.

Na digitalização, o B10 segue o irmão C10 na concentração excessiva em telas, ou seja, quase tudo fica na multimídia, até o básico…
Desde ajuste da climatização, passando por navegador nativo, gravação externa durante a condução, faróis, ajustes de espelhos externos, monitoramento em 540 graus, entre outros.
O lado bom em relação ao C10 é que Android Auto e CarPlay já estão instalados.

Um detalhe que chama a atenção é a ausência de luzes de leitura no banco traseiro, lembrando o Volvo XC40 sem teto solar. O banco traseiro é bipartido, mas não tem apoio de braço central.
Já no porta-malas, o Leapmotor B10 tem espaço razoável com 365 litros e prancha inferior ajustável, além de tampa automática.
Na frente, um pequeno compartimento sobre o bloco de comando elétrico tem espaço para o carregador de bordo e reparo/calibrador de pneu.

Responde rápido
Pesando 1.780 kg, o Leapmotor B10 se torna leve ao acelerar os 218 cavalos com 24,5 kgfm do motor elétrico assíncrono posicionado na traseira, que permite ao SUV ir de 0 a 100 km/h em 8 segundos.
Com transmissão de uma velocidade, o B10 chega à final de 170 km/h, alta até para um veículo de sua classe. Assim, num conjunto robusto e até “old school” em termos de tração, o Leapmotor se mostra agradável.
A aceleração é imediata, com os modos de condução apenas atenuando a resposta ao pedal, uma vez que o carro elétrico entrega toda sua energia literalmente ao ser exigido e de forma instantânea.

No B10, pode-se utilizar a função de um pedal que usa o freio-motor para reduzir a utilização dos freios, mas ele entrega toda a força ao acelerar. Os modos são Conforto, mais econômico, Padrão e Esportivo.
Há também três opções de regeneração dos freios e três de aceleração, permitindo assim várias possibilidades de resposta do B10. Ágil na cidade e na estrada, ele não teve subidas longas e faz retomadas animadoras nos dois ambientes.
Ultrapassagens? Sem problemas.

A vantagem do BEV sobre o REEV da Leapmotor, pelo menos o que vimos no C10, é o imediatismo mesmo diante de baixa carga na bateria.
O B10 tem célula de 56,2 kWh que garante alcance de 355 km no padrão, ainda que o dinâmico seja um pouco menos.
Ele permite uma boa recuperação de energia em descida de serra e tem consumo urbano de 7,7 km/kWh, fazendo 6,9 km/kWh a 80 km/h, 6,5 km/kWh a 100 km/h e 5,9 km/kWh a 120 km/h.

Conseguimos andar na média de uns 380 km num misto diário de cidade e estrada.
Com direção confortável e freios bem atuantes, o Leapmotor B10 tem uma suspensão mais macia e com curso curto, não sendo a melhor configuração para certas vias onduladas e irregulares que temos por aqui.
Mesmo assim, o carro não bateu seco em fim de curso e, com seus pneus 225/50 R18, consegue oferecer uma boa estabilidade adequada em curvas e desvios rápidos. A plataforma altamente rígida dá um bom equilíbrio dinâmico ao SUV chinês.

O pacote ADAS com centralização de faixa e tudo mais é aceitável, enquanto os modos de manobra precisam de atenção, como frenagem diante de movimentação traseira (por conta do susto) e alinhamento das rodas ou do carro em vias ou espaços apertados.
Na faixa
O Leapmotor B10 é a síntese de uma nova proposta de produto no mercado automotivo, refletindo o bom momento dos chineses, agora carregados de tecnologia até em excesso.
A digitalização excessiva de funções essenciais atrapalha mais que ajuda, enquanto ainda peca na expectativa de uma maior interação homem-máquina via inteligência artificial.

Algumas expressões do assistente já soam mais familiares, mas muitas funções ainda não estão disponíveis. No mais, conforto a bordo, ótimo acabamento e desempenho somam para tornar o B10 bem atrativo.
No mercado, seu maior rival é o BYD Yuan Pro, que tem igualmente alcance médio pequeno, o que não ajuda a conquistar a confiança de quem ainda está na velha ordem da combustão.
Ele custa o mesmo, mas tem menos potência, não tem teto panorâmico, mas é mais “físico” nos comandos.

Tem ainda o GAC Aion Y com mais espaço interno, autonomia superior e desempenho parecido por R$ 187.990, mas seu visual de carro de aplicativo desestimula.
No fim, o Leapmotor B10 em sua categoria se mostra uma aposta mais interessante na visão de quem busca por um SUV médio com aspecto mais tecnológico e desempenho agradável.
Vale? Desde que se acostume com a digitalização, a discrição deste chinês vale a aposta.
Leapmotor B10 – Galeria de fotos
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