
Quando o preço no posto dispara, o que o motorista quer é uma saída concreta, mas a resposta pública de um executivo da Chevron soou como provocação.
Andy Walz, presidente da área de downstream, midstream e químicos da Chevron, disse à CBS News que os americanos deveriam “tentar dirigir menos” e conservar energia.
A justificativa veio num momento em que o petróleo alcança níveis recordes, pressionado pelo conflito no Irã e pelos reflexos que isso traz para o custo da gasolina.
O problema é que a recomendação ganha outro peso quando parte de um dos principais nomes de uma das maiores petrolíferas do mundo, distante da rotina do consumidor.
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Walz não é um motorista comum decidindo se dá para encher o tanque do crossover antigo antes do trabalho, e sua posição torna a frase fácil de parecer insensível.
No mesmo ambiente de alta, um termômetro paralelo aponta mudança de humor: buscas por EVs teriam saltado 20% em uma semana com a escalada dos preços.
O conselho também embute a ideia de que há muita “gordura” no uso do carro, como se uma parte relevante das viagens fosse mero capricho.
Os dados citados no texto mostram o contrário: segundo o U.S. Census Bureau, cerca de 77% dos americanos vão ao trabalho de carro e apenas 3% usam transporte público.
O deslocamento médio de ida é de aproximadamente 26 minutos, e o trajeto típico é de cerca de 20,5 milhas por trecho, somando uma rotina pesada.
Quando isso é multiplicado por um ano normal de trabalho, o resultado chega a aproximadamente 9.800 milhas rodadas apenas para ir e voltar do emprego.
Esse número importa porque a média anual de condução nos Estados Unidos gira em torno de 13.500 milhas, então o commuting sozinho representa perto de três quartos.
Depois que entram supermercado, levar crianças, consultas médicas e tarefas básicas, sobra pouco espaço para chamar o restante de “opcional” sem forçar a barra.
E embora existam entusiastas e motoristas de fim de semana, a ideia de que isso domina as ruas não se sustenta no retrato estatístico.
Uma pesquisa de 2022 da Federal Highway Administration indicou que apenas uma pequena minoria das viagens é classificada como social ou recreativa.
Na prática, a maioria não está escolhendo a estrada mais longa no Mustang, mas tentando cumprir trabalho, família e compras sem mais uma parada dolorosa no posto.
Por isso, a fala de Walz parece mirar principalmente os apaixonados por dirigir, enquanto o grosso dos americanos já faz exatamente o mínimo que consegue.
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