Depois do lançamento desastroso da Ferrari Luce, CEO da Lamborghini cutuca a empresa dizendo que fez certo em cancelar seu EV

ceo lamborghini stephan winkelmann
ceo lamborghini stephan winkelmann

O lançamento do Ferrari Luce virou um campo minado tão barulhento que até a Lamborghini decidiu entrar na conversa, ainda que sem citar a rival de forma direta.

Depois da enxurrada de críticas ao primeiro Ferrari totalmente elétrico, o CEO da Lamborghini, Stephan Winkelmann, afirmou que cancelar os EVs da marca foi a decisão correta.

Na quarta-feira, ele disse que acabar com o Lanzador 100% elétrico e uma versão elétrica do SUV Urus para concentrar esforços em híbridos plug-in era “o caminho certo” para a empresa.

Em entrevista virtual exclusiva à CNBC, Winkelmann contou que a virada do motor a combustão para o plug-in foi um movimento central para a Lamborghini e que “deu certo”.

Ele reforçou que cada marca precisa decidir a própria estratégia e evitou atacar concorrentes nominalmente, mas o timing da fala colou no momento delicado vivido pela Ferrari.

Winkelmann também disse que inovação é indispensável para o sucesso, só que não pode ser feita “por inovação” nem imposta ao cliente como se fosse obrigação.

Segundo ele, ao observar o mercado, a Lamborghini percebeu que a “curva de aceitação” dos EVs para o perfil de comprador da marca não está crescendo, o que justificou o recuo.

A Lamborghini, que pertence ao grupo Volkswagen, é uma das várias montadoras globais que reduziram investimentos em EVs diante de uma demanda abaixo do esperado.

A crise ao redor do Luce não ficou restrita às redes sociais, porque as ações da Ferrari caíram cerca de 8% na terça-feira em Milão e recuaram 5,3% em Nova York.

O tombo ocorreu logo após a revelação do Luce, apresentada na segunda-feira na Itália, e analistas associaram parte da reação a um fenômeno descrito como “design hate”.

Michael Field, chief equity strategist da Morningstar, disse à CNBC que muitos fãs se decepcionaram ao ver a Ferrari abraçando o conceito de EV.

Para Field, a percepção é de que isso dilui a identidade do supercarro, historicamente ligada a design clássico e à força bruta de motores a combustão.

O Luce foi desenhado por Jony Ive, ex-chefe de design da Apple, e se afasta da estética típica da Ferrari com interior minimalista cheio de telas e uma carroceria de formas mais arredondadas.

A pressão ganhou peso extra quando Luca di Montezemolo, ex-executivo da Ferrari, criticou o carro, assim como Matteo Salvini, vice-primeiro-ministro e ministro dos Transportes da Itália.

Em um evento empresarial em Roma, di Montezemolo afirmou que “espera que tirem o cavallino rampante daquele carro”, segundo a Reuters, e a Ferrari preferiu não comentar.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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