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Veja qual é a diferença entre câmbio automático, automatizado e CVT

Veja qual é a diferença entre câmbio automático, automatizado e CVT

Automático ou automatizado? Você com certeza já ouviu falar sobre eles, ambos dispensam o motorista de pisar na embreagem, mas, há muitas diferenciações. É fundamental conhecer as distinções entre elas para que não haja arrependimento na hora de comprar um carro.


A transmissão automática foi criada pelo engenheiro Alfred Horner Munro no ano de 1921, no Canadá. A patente só foi registrada dois anos depois, em 1923. Horner projetou um sistema que utiliza o ar comprimido e não o fluido hidráulico, em vista disso, a sua criação não teve muito sucesso.

O Brasil também tem história, Fernando Lehly Lemos e José Braz Araripe, brasileiros, desenvolveram em 1932 o câmbio automático com fluido hidráulico. O projeto foi vendido para a Chevrolet/GM que implantou no Oldsmobile 1940 (Hydra-Matic). Outro brasileiro, Gladimir Kohnlein, realizou a patente de uma transmissão mecânica variadora, destinado a veículos e cadeiras de rodas motorizadas.

As vendas de carros automáticos no Brasil subiram muito nos últimos anos. O aumento da renda, observado no começo da década de 2010, motivado em grande parte pelos incentivos absurdos comandados pelo governo, fez com que o consumidor passasse a exigir mais na hora da compra.


Antes os carros eram bem desprovidos de equipamentos, mas depois passaram a oferecer mais itens de série, porém, o principal item que fez mudar o panorama do mercado foi a oferta de câmbio automático.

Em 2017, 40% das vendas de carros no País foram de modelos com esse tipo de dispositivo, que oferece conforto ao dirigir. Para alguns, mais prazer. Para outros, necessidade. Neste último caso, o aumento das vendas para clientes PCD (Pessoa com Deficiência) ajudou na elevação do percentual desse mercado.

Mas, muito se fala na diferença entre automatizado, automático e CVT. Uma das principais características destes sistemas está no conforto, isso porque eles eliminam a necessidade de pisar na embreagem.

Algumas pessoas nem consideram o câmbio automatizado como um automático, mas em realidade o sistema cumpre o que a função designa, ou seja, permite que as marchas sem trocadas sem intervenção do motorista, que assim também não precisa acionar a embreagem para efetuar a mudança de velocidade da transmissão.

Mas vamos falar em detalhes sobre cada um dos tipos de câmbio que trocam as marchas sozinhos.

Câmbio automatizado

Resumidamente o que é: O câmbio automatizado surgiu como uma versão mais barata do câmbio automático. Ele, nada mais é do que o câmbio manual ao qual estamos acostumados, mas quem faz a mudança das marchas é uma peça chamada atuador hidráulico, que trabalha como se fosse nossa perna pressionando a embreagem e nossa mão trocando a marcha na alavanca. Por isso é que nesse tipo de câmbio, as trocas acabam tendo mais trancos do que no câmbio automático convencional.

O nome já indica que é algo que originalmente não é automático, mas que foi adaptado para ser.

Esse tipo de sistema foi popularizado no Brasil com o sistema Dualogic e GSR da Fiat, que era feito pela divisão Magneti Marelli, que acabou por fornecer também à Volkswagen, onde ficou conhecido como Volkswagen i-Motion. A GM também apostou nessa tecnologia com o sistema Easytronic, que não teve sucesso comercial por conta de uma característica bem ruim do dispositivo, que falaremos mais abaixo. A Renault também utiliza a tecnologia, chamada Easy’R.

O sistema automatizado de mudança de marcha é um dispositivo eletrônico que atua diretamente na alteração das marchas atrás de um módulo eletrônico e um atuador eletromecânico que, além de acionar o trambulador para acionamento das marchas do câmbio, pois ao contrário dos automáticos é mecânico (manual), também aciona a embreagem automaticamente.

O sistema gerencia as trocas de marcha e acionamento da embreagem ao mesmo tempo e com rapidez suficiente para conferir um desempenho mediano para o carro, pois como platô e disco geram uma perda de contato com o propulsor durante o acionamento, o desempenho não acompanha a mesma velocidade de resposta de um câmbio automático tradicional, por isso há uma lacuna grande entre as mudanças, com perda de força suficiente para não agradar muita gente.

Para reduzir o feito, a tarefa fica por conta do condutor, ao perceber o tempo da mudança, aliviando o pé no acelerador, mas ainda assim não é suficiente para que a sensação desapareça por completo.

Essa tecnologia permite introduzir modos de condução, geralmente uma opção mais esportiva com o alongamento das mudanças, mas no recente GSR-Comfort da Fiat, empregado no Mobi, o modo Sport altera também os parâmetros do motor, acrescentando também em desempenho.

Carros com câmbio automatizado:

A vantagem do câmbio automatizado é que ele dispensa o uso de uma caixa complexa e hidramática ou um CVT. Assim, utiliza-se o câmbio manual normal, bem como seu sistema de embreagem.

Assim, adiciona-se apenas os atuadores eletromecânicos, alavanca seletora (ou botões de marcha, como da foto no alto) e módulo de gerenciamento eletrônico, basicamente. O custo é menor e por isso no início essa opção era vantajosa por custar menos que R$ 5.000, a diferença tradicional entre câmbio manual e automático. Atualmente apenas Fiat e VW utilizam esse sistema.

Veja qual é a diferença entre câmbio automático, automatizado e CVT

Câmbio automatizado de dupla embreagem

Resumidamente o que é: é uma evolução do sistema automatizado simples, com um sistema de embreagem duplo, que acopla e desacopla as marchas ao mesmo tempo, por isso as trocas são bem rápidas e a sensação para o motorista é de se tratar de um câmbio automático convencional, com mais conforto nas trocas e menos trancos. Este tipo de câmbio existe também em modelos importados de marcas renomadas, ou seja, não se trata de algo mais simples e inferior como o câmbio automatizado simples que vimos acima.

Quando se fala em câmbio de dupla embreagem, muita gente se esquece que ele é na verdade um automatizado. Trata-se de uma transmissão de conceito mecânico, mas com gerenciamento totalmente eletrônico.

O motivo é simples, pois ao invés de um único eixo principal com as engrenagens de cada marcha, como num câmbio manual comum, ele possui dois eixos paralelos, que contêm as engrenagens das marchas.

Para fazer as trocas, ele precisa de um sistema de embreagem duplo, que acopla e desacopla ao mesmo tempo, pois utiliza dois discos de fricção, um dentro do outro, onde o contato com o motor nunca é desligado, por isso é necessário o controle eletrônico.

Assim, não há perda de força nas trocas, fazendo com que a caixa automatizada de dupla embreagem possa ser mais rápida que um piloto manuseando um câmbio manual tradicional. Diferente do automatizado comum, o de dupla embreagem é muito mais rápido que qualquer outro tipo de câmbio automático.

Geralmente é usado em marcas como Ford, Volkswagen, Audi, BMW, Mercedes-Benz, entre outras, permitindo trocas imperceptíveis, suaves e rápidas.

Carros com câmbio automatizado de dupla embreagem:

Mas, se o automatizado comum gera alguns inconvenientes em seu funcionamento normal, o câmbio de dupla embreagem pode apresentar ruídos, vibrações, aquecimento e outros problemas em virtude das altas temperaturas no Brasil.

Um exemplo de câmbio automatizado de dupla embreagem problemático é o Powershift da Ford. Por isso, foi substituído em algumas marcas por câmbios automáticos comuns.

Veja qual é a diferença entre câmbio automático, automatizado e CVT

Câmbio automático

Resumidamente o que é: se trata do câmbio automático já conhecido há décadas, e que antigamente era chamado de hidramático. Ele trabalha com pressão de óleo para que seja possível trocar de marcha, na parte mecânica, internamente, ele tem o conversor de torque e pequenos conjuntos de embreagem que realizam a mudança de velocidade. Falando em mudança de velocidade, o automático, geralmente, é mais elogiado devido às trocas que são mais suaves. Isso ocorre graças ao conversor de torque, que executa um acoplamento fluído.

Ele trabalha com pressão de óleo para que seja possível trocar de marcha, na parte mecânica, internamente, ele tem o conversor de torque e pequenos conjuntos de embreagem que realiza a mudança de velocidade.

Falando em mudança de velocidade, o automático, geralmente, é mais elogiado devido às trocas que são mais suaves. Isso ocorre graças ao conversor de torque, que executa um acoplamento fluido.

Veja qual é a diferença entre câmbio automático, automatizado e CVT

O conversor de torque assume a função de embreagem para o momento em que você para o carro deixando-o no modo “D”. Essa peça possui óleo internamente e, o melhor, não há desgaste da mesma, o que é mais um ponto positivo. Ao lado dela, ainda podemos ver o carter, que armazena todo o óleo.

Trata-se de um sistema que utiliza engrenagens planetárias que estão conectadas entre si e são acionadas de forma hidráulica, sempre de acordo com a velocidade e rotação do motor, dentre outros parâmetros em caixas mais modernas. O gerenciamento eletrônico permite a gestão dessas mudanças, incluindo modos de economia ou performance, alterando assim os tempos de troca.

Para a conexão com o motor, utiliza-se um conversor de torque que utiliza pressão hidráulica para gerenciar a transferência de energia entre motor e câmbio. Em geral apresenta um desempenho abaixo do câmbio manual, tanto em performance quanto em consumo, mas garante conforto e praticidade no dia a dia.

Carros com câmbio automático:

A tecnologia permite que não exista uma embreagem comum e assim tudo é feito pelo dispositivo. Atualmente, algumas caixas desse tipo alcançam 10 marchas.

Há muito tempo que os automáticos são populares no Brasil, e eles vêm ganhando mais preferência dos consumidores. Segundo a Jato Dynamic, 40% dos automóveis novos vendidos por aqui são sem pedal de embreagem e de 10 modelos comercializados, 4 são automáticos. Em 2011 eles representavam 19,7%, em 2017 esse número foi elevado para 39,9%.

Veja qual é a diferença entre câmbio automático, automatizado e CVT

Câmbio CVT

Resumidamente o que é: CVT significa continuamente variável. É um câmbio que não tem marchas, e sim polias de tamanho variável. Por isso, o carro acelera de forma gradual o tempo todo, como se tivesse apenas uma marcha. Ele ganha o aumento gradual da rotação, além disso, a economia de combustível é outro ponto positivo dele. Alguns câmbios CVT simulam marchas, como é o caso do câmbio de 7 marchas do Corolla no Brasil. Confira o seu funcionamento na matéria: carros com câmbio CVT – veja como ela funciona e quais carros têm.

Outra opção de câmbio automático é o CVT. Trata-se de uma caixa que não utiliza engrenagens para mudanças de marcha, mas uma relação infinita provida por duas polias e uma cinta de aço.

Nas polias, estas se abrem para que a relação entre as duas, conectadas pela cinta, possa variar infinitamente, fazendo com que o motor transfira seu movimento ao carro de forma linear e com aumento gradual da rotação. Esse sistema pode utilizar a chamada embreagem de partida (multidisco banhado em óleo) ou conversor de torque, tal como nos automáticos com engrenagens.

O CVT é um câmbio ainda mais confortável que o automático comum, pois favorece um funcionamento suave e ideal do motor, o que acaba por render um nível de consumo superior, especialmente na caixa com embreagem de partida, onde a perda de energia é menor que no conversor de torque.

Carros com câmbio CVT:

Mas, esse tipo de câmbio possui um deslizamento no funcionamento que o torna mais lento em resposta numa comparação com o automático. Mesmo assim é utilizado até em carros esportivos, como o Subaru Impreza STI, por exemplo.

No Japão, é o câmbio “obrigatório” em quase todo kei car. Mesmo assim, carros grandes ou com boa performance o utilizam também, como o Honda Civic Touring, por exemplo. A Audi chegou a usar o sistema, batizado de Multitronic (foto acima) e feito pela alemã Luk.

Automático e automatizado: consumo x desempenho

Sobre o consumo, o automático tende a ser maior em comparação com o automatizado. Ele depende de energia do motor para que funcione, principalmente os antigos, além disso, ele é mais pesado. Devido a isso, é bom ficar de olho.

Mesmo dependendo de informações do carro para efetuar as trocas de velocidade/marcha, o automatizado não tem muitos sistemas hidráulicos e ainda é mais leve.

Os automatizados/robotizados (modernos) também conhecidos como dupla embreagem, permitem melhor desempenho e baixo consumo, montadoras como Porsche, Audi e até a Ford já oferecem esses modelos. Esse tipo de transmissão proporciona troca de marcha rápida ou manuais sequenciais.

Veja qual é a diferença entre câmbio automático, automatizado e CVT

Mesmo com todas as críticas, os automatizados estão ficando cada vez mais modernos e estão ganhando melhorias, inclusive na redução de trancos. Claramente que se você está acostumado com o automático irá estranhar o automatizado e é aí que surgem as críticas em relação a ele.

Ao adquirir um carro com um desses dois câmbios, preste muita atenção, há muitos vendedores informando errado, que modelos automatizados são automáticos, por isso, fique atento, em especial se ele for usado, pois, no final você pode ter problemas, sem ao menos conhecer direito o câmbio do seu veículo.

Lembre-se de que os carros mais baratos do mercado tem câmbio automatizado, isso inclui os Dualogic e GSR da Fiat, os I-Motion da VW e os Easy’R da Renault. No caso da Chevrolet ela não usa mais os automatizados, apenas automáticos. E a Ford tem o câmbio PowerShift, que é automatizado de dupla embreagem, melhor que os automatizados simples, mas com uma fama de problemático.

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