
A conta da indústria automotiva na América do Norte pode mudar de um dia para o outro se uma nova regra de conteúdo local, defendida pela Casa Branca, avançar.
Segundo o primeiro-ministro canadense Mark Carney, Washington pressiona por exigências que obriguem veículos feitos na zona de comércio norte-americana a terem ao menos 50% de componentes dos EUA.
Falando com repórteres em Ottawa na terça-feira, Carney disse que veículos produzidos no Canadá já atingem, em média, esse patamar de 50%, mas muitos fabricados no México não chegam lá.
A proposta dos Estados Unidos foi revelada na semana passada pelo The Wall Street Journal, colocando a cadeia de autopeças no centro da disputa comercial.
O Acordo Estados Unidos–México–Canadá (USMCA), negociado no primeiro mandato do presidente Donald Trump, já prevê que 75% do valor do veículo venha da América do Norte para ter tarifa zero.
Mesmo com essa regra, Trump impôs novas tarifas sobre automóveis estrangeiros no início do segundo mandato, dizendo que a medida incentivaria as montadoras a transferirem empregos para os EUA.
Veja também
Carney fez os comentários no mesmo dia em que o ministro canadense responsável pelo comércio com os EUA, Dominic LeBlanc, tinha encontro marcado em Washington com o representante de comércio Jamieson Greer.
A reunião ocorre enquanto a revisão programada do USMCA ganha tração, e LeBlanc confirmou, em carta a Greer e ao ministro da Economia do México, Marcelo Ebrard, que o Canadá quer renovar o acordo por mais 16 anos.
Carney também citou que EUA e México já iniciaram discussões bilaterais formais de comércio, em meio a críticas de que o Canadá estaria ficando para trás.
Ele afirmou que os EUA têm cerca de 60 questões técnicas de comércio com o México, contra aproximadamente 30 com o Canadá, algumas envolvendo níveis provinciais.
Para o Canadá, porém, Carney disse que existem questões mais “fundamentais e estruturais”, apontando as tarifas setoriais de Trump sobre automóveis, aço, alumínio e madeira.
“Estamos procurando determinar se existe a possibilidade de uma nova parceria”, afirmou Carney, ao mesmo tempo em que disse não estar “endossando” a proposta de conteúdo americano de 50%.
Ainda assim, ele destacou que a demanda dos EUA seria um problema muito maior para o México, dado o desenho do setor automotivo mexicano e suas cadeias de suprimento.
As tarifas setoriais, segundo o governo canadense, atingiram duramente essas indústrias e pesaram na economia, levando o país a responder com contra-tarifas sobre aço dos EUA e sobre a parcela americana de componentes em automóveis.
Em algumas províncias, a retaliação também virou gesto político, com bebidas alcoólicas americanas sendo retiradas das prateleiras de lojas estatais.
Na carta enviada a Greer e Ebrard, LeBlanc elogiou o acordo norte-americano, mas disse que o Canadá está disposto a considerar propostas de qualquer lado que elevem a prosperidade dos três países.
“Em paralelo, discussões com os Estados Unidos sobre como tratar as tarifas setoriais serão essenciais”, afirmou LeBlanc, que terá ao lado na reunião a negociadora-chefe do Canadá com os EUA, Janice Charette, antes do retorno a Ottawa ainda na terça.
📣 Compartilhe esta notíciaXFacebookWhatsAppLinkedInPinterest
📨 Receba um email com as principais Notícias Automotivas do diaReceber emails
📲 Receba as notícias do Notícias Automotivas em tempo real!Canal do WhatsAppCanal do Telegram
Siga nosso site no Google Notícias

