
Não é mais sobre potência ou telas gigantes: a Slate Auto está tentando vender uma ideia rara no setor, um EV que não vive conectado e não rastreia o dono.
Sediada em Warsaw, Indiana, a startup escolheu um caminho bem diferente para sua picape elétrica, reduzindo o projeto a cerca de 600 peças e componentes.
Esse minimalismo aparece sem vergonha na cabine, com dois assentos e vidros com manivela, mas sem sistema de infotainment para centralizar tudo.
A proposta conversa com leitores do Ars que pedem um carro elétrico “que não te monitore”, e a Slate sugere que a solução é cortar a conectividade pela raiz.
A experiência, porém, não é 100% analógica, porque existe um aplicativo de smartphone que ajusta configurações, muda modo de condução e mostra autonomia e recarga.

A diferença é que o app só funciona quando está conectado localmente ao carro, já que não há modem embarcado, então esqueça acesso remoto e comandos à distância.
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A empresa afirma que pode usar dados do aplicativo para melhorar produtos, mas diz que não venderá essas informações, apostando em confiança como diferencial real.
Essas declarações aparecem em um novo relato da SAE International, assinado por Roberto Baldwin, que também colabora com o Ars em algumas ocasiões.
Segundo a Slate, o objetivo é construir o veículo em torno do “valor de propriedade”, coletando dados apenas quando contribuírem diretamente para habilitar ou melhorar a experiência.
A lista do que pode ser necessário inclui cadastro de conta, conexão dispositivo-veículo, diagnósticos, manutenção, suporte, contexto de recarga, status de atualizações OTA e melhoria do produto.

Mesmo assim, a Slate diz preferir ser precisa e confiável, em vez de prometer recursos conectados demais ou coletar dados sem um benefício claro ao cliente.
Dá para dirigir sem levar smartphone, e aí a sensação é de ser tão “inrastreável” quanto alguém num Toyota SR5 em 1985, tirando as câmeras de leitura automática de placas.
Se a Slate Truck não revelar uma demanda enorme por carros desconectados, a tendência é que o restante da indústria não corra para copiar esse modelo.
Em paralelo, defensores de carros chineses baratos costumam apontar serviços conectados como vantagem decisiva, mas essas ligações também impressionaram legisladores dos EUA e impulsionaram regras de importação.
Na Europa, desde 2018 todos os carros precisam ter modem embarcado capaz de acionar serviços de emergência, embora a União Europeia trate dados automotivos como pessoais e protegidos.
Nos Estados Unidos, montadoras coletam dados com histórico de segurança digital fraca, como a Mozilla Foundation detalhou em 2023, e algumas marcas viram isso como receita extra.
Em 2024, após a General Motors ser flagrada vendendo dados de condução frequentemente sem consentimento claro, a FTC alertou que OEMs não têm licença livre para monetizar informação além do necessário.
O problema é que ficou incerto se essa diretriz continuou valendo depois de janeiro de 2025, e é nesse vácuo que a Slate tenta vender privacidade como parte do produto.
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