O restomod mais discreto do ano: Escort XR3i parece de fábrica, mas esconde upgrades que o modelo nunca teve nos anos 80

Ford Escort Xr3 Toleman 1
Ford Escort Xr3 Toleman 1

Nostalgia costuma ser barulhenta no Brasil, mas o Escort XR3i da Tolman Engineering aposta no oposto: parecer absolutamente original e, ao mesmo tempo, ser muito mais carro.

A comparação com o XR3 brasileiro é inevitável porque aqui o modelo virou símbolo de visual, acessórios e presença, enquanto este projeto inglês nasceu para performance escondida.

A Tolman é conhecida por preparar carros de corrida e por restomods de Peugeot 205, só que também faz restauração e modificação de vários modelos, inclusive projetos fora do óbvio.

O Escort escolhido segue a mesma lógica aplicada nos Peugeots da casa: melhorar tudo o que importa sem matar o caráter do carro que as pessoas lembram.

Segundo a empresa, o carro chegou em 2022 como um “rust bucket”, exigindo uma reforma pesada antes mesmo de falar em potência, acerto ou confiabilidade.

Ford Escort Xr3 Toleman 2
Ford Escort Xr3 Toleman 2

Foram 1.600 horas de trabalho, com o desmonte até o chassi e a troca de painéis apodrecidos, incluindo um teto completamente novo.

Por fora e por dentro, a Tolman manteve o padrão de fábrica, algo que conversa com o XR3 do Brasil pela estética, mas contrasta com a filosofia mecânica usada aqui.

A única pista visual está nas rodas, cópias das originais, só que com 15 polegadas de diâmetro, uma polegada a mais que o conjunto de fábrica.

Para enganar até fã atento, os centros das rodas originais foram recortados e usinados como calotas, depois fixados nas novas, preservando até marcas de fundição do logotipo Ford.

Esse detalhe é crucial porque a base de freios foi elevada a um patamar que o XR3 brasileiro não conheceu de fábrica, com tambores traseiros substituídos por discos.

Ford Escort Xr3 Toleman 3
Ford Escort Xr3 Toleman 3

Na dianteira, entraram pinças de quatro pistões e componentes da AP Racing, e o conjunto simplesmente não caberia nas rodas originais.

A suspensão trocou para amortecedores Bilstein e recebeu uma barra estabilizadora dianteira sob medida, mas a altura permaneceu a original para manter a silhueta “de showroom”.

A Tolman também mexeu na geometria dianteira para permitir mais ajuste de cáster, um tipo de refinamento que vai além do “andar mais” e muda como o carro se comporta.

O motor 1,6 litro CVH de quatro cilindros foi totalmente refeito com pistões e bielas novos, e a mudança mais polêmica veio no cabeçote.

Saiu o comando simples de fábrica e entrou um cabeçote de comando duplo de um Ford Zetec bem mais recente, disfarçado com uma tampa de comando de Escort RS1600i adaptada.

Com coletor e escapamento em aço inox sob medida, o resultado declarado é de 152 cv nas rodas e 16,6 kgfm, cerca de 50 cv e 2,8 kgfm acima de um XR3i de quarta geração reestilizado original.

Ao contrário do que aconteceu no Brasil, onde o XR3 ficou marcado por versões e soluções locais ao longo dos anos, este Tolman Edition é um one-off encomendado, feito para ser “melhor que o original” sem parecer modificado.

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Escrito por

Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook

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