
Quem acompanha a Tesla já se acostumou com preços que sobem e descem sem aviso, mas o que aconteceu agora com o Cybertruck levou essa prática a outro nível.
A marca aumentou o valor da nova versão AWD de US$ 59.990 (R$ 309.300) para US$ 69.990 (R$ 360.800), um salto de 17% aplicado apenas dez dias depois do lançamento.
Esse reajuste veio logo após uma jogada de marketing considerada por muitos como uma das mais cínicas da indústria: lançar barato, criar urgência artificial e depois culpar a própria demanda pelo aumento.
No dia 19 de fevereiro, a Tesla apresentou o novo Cybertruck AWD como a picape EV mais “racional” da gama, com dois motores, 325 milhas de autonomia estimada e pacote bem completo de equipamentos.
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O modelo trazia amortecimento adaptativo, capota motorizada, tomadas na caçamba com função Powershare V2X e parecia, finalmente, oferecer um equilíbrio aceitável entre preço e proposta da picape futurista.

Só que poucas horas depois da divulgação, Elon Musk foi ao X e resumiu tudo em cinco palavras que mudaram o jogo: “Only for the next 10 days”.
Na prática, o próprio CEO avisou que aquela configuração do primeiro Cybertruck verdadeiramente interessante estava com os dias contados, antes mesmo de o público processar a novidade.
Questionado sobre o que pretendia fazer, Musk respondeu que o preço dependeria de “quanto de demanda” a Tesla veria naquele nível, como se fosse um simples reflexo do mercado.
O problema é que, ao anunciar que o valor vai subir em dez dias, a marca cria urgência artificial, inflando pedidos e depois usando essa procura inflada como justificativa para subir o preço.
A Tesla ainda colocou um aviso no configurador do Cybertruck dizendo que os US$ 59.990 só valeriam até 28 de fevereiro, enquanto os prazos de entrega escorriam de 2026 para 2027.

Hoje, o preço saltou oficialmente para US$ 69.990, um aumento de US$ 10.000 (R$ 51.600), e a opção de leasing dessa versão simplesmente desapareceu do configurador.
Para quem olha apenas o conteúdo, o novo Cybertruck AWD a US$ 70.000 (R$ 360.900) é muito superior ao antigo RWD de US$ 69.990, descontinuado após poucos meses porque quase ninguém quis.
A versão de tração traseira tirava suspensão a ar adaptativa, capota motorizada e tomadas na caçamba, entregando apenas um motor, pior tração e uma proposta considerada fraca para o preço.
O AWD atual, pelo mesmo patamar de US$ 70.000, oferece dois motores, tração integral, 325 milhas de autonomia, amortecimento ajustável e bem mais capacidade, deixando o antigo RWD completamente constrangido.
Essa comparação, porém, só parece tão favorável porque o RWD era tão pelado que, na prática, nunca deveria ter existido como produto de linha.
O contraste mais incômodo está com o que a própria Tesla prometeu em 2019, quando anunciou um Cybertruck dual motor AWD por US$ 49.900 (R$ 257.300) e um RWD por US$ 39.900 (R$ 205.700).
Naquela época, a marca também falava em um tri-motor AWD por US$ 69.900 (R$ 360.400) com 500 milhas de alcance, preço muito próximo do que hoje é cobrado na versão básica mais desejada.
Agora, o Cybertruck AWD custa 40% a mais que a promessa original de US$ 49.900, mesmo considerando que a inflação colocaria aquele valor em algo próximo de US$ 63.000 atualmente.
Enquanto isso, o topo de linha Cyberbeast saiu do sonho de US$ 69.900 para a realidade de US$ 99.990 (R$ 515.500), um acréscimo de cerca de US$ 30.000 sobre o que foi anunciado em 2019.
O resultado é uma sequência de promessas descumpridas de preço e, com esse último aumento relâmpago, um componente novo e perigoso entra na história: a manipulação explícita da percepção de demanda.
Fica a dúvida sobre quanto isso corrói a confiança de quem pensa em gastar US$ 70.000 em uma picape, sabendo que a Tesla mostrou disposição para reajustar 17% quase do nada.
Mesmo com todo o barulho de lançamento, o Cybertruck vende por volta de 20 mil unidades por ano, bem abaixo dos 250 mil anuais que já foram ventilados como objetivo interno.
Talvez esse novo AWD mais equilibrado em conteúdo até dobre o volume, mas ainda deixaria a fábrica operando muito abaixo da capacidade e, provavelmente, com margens apertadas ou negativas.
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