
Desafiador. Essa parece ser a definição do mercado brasileiro atualmente na visão das montadoras ou pelo menos no olhar de uma delas, dado o desembarque contínuo de marcas chinesas, mas sem uma resposta positiva em vendas no geral.
Mauro Correia, CEO da HPE, que representa no Brasil as marcas Mitsubishi e Suzuki, compartilhou em entrevista ao site AutoData sua visão do mercado brasileiro com o aumento expressivo da oferta de marcas e modelos.
Correia disse: “Hoje existem mais de 40 marcas no mercado e, de uma hora para outra, aparece uma marca nova. Só que o volume total de vendas continua o mesmo.”
De fato, o Brasil nunca teve tantas marcas presentes, nem mesmo na época das newcomers, quando o país se abriu para o mundo novamente após 16 anos de fechamento total.
Longe de épocas como 2012, o mercado nacional agora tem muito mais opções de marcas e modelos, em especial na faixa entre R$ 150 mil e R$ 250 mil, com ofertas na casa dos R$ 200 mil tão variadas quanto numerosas.

Já na faixa dos R$ 120 mil, isso ainda não ocorre, com a presença chinesa ainda tímida, mas suficiente para colocar um produto perto dos líderes de mercado e com reais chances de brigar pela ponta.
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Além da ampliação da oferta sem uma contraparte em vendas, Correia criticou também o conteúdo nacional presente na oferta das novas marcas que chegam ao país.
“Mesmo aqueles que dizem que estão montando carros no Brasil, provavelmente 95% ou 99% são peças importadas. Então não movimenta a economia brasileira. Não faz crescer os fornecedores locais”, comentou o executivo.
Nesse sentido, Correia defende o modelo de negócio proposto com a GAC, outra marca chinesa que chegou ao mercado nacional há pouco tempo.
“Essa parceria estratégica traz para a HPE e para a região o crescimento da operação, geração de novos empregos, geração de riqueza na região. E, para a GAC, traz a possibilidade de localização da produção de produtos mais competitivos e também a possibilidade de desenvolvimento local”, explicou Mauro.
O executivo revelou que a HPE trabalha em etapas para ampliar o índice de nacionalização dos carros feitos em Catalão: “Já concluímos a primeira etapa, estamos seguindo para a segunda e, em mais dois anos, devemos concluir todo esse plano.”
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