Toyota derrapa no mundo pela 3ª vez seguida e o motivo não é falta de cliente: a guerra no Oriente Médio está travando tudo

Toyota Concessionaria
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Mais de 90% de queda nas exportações para o Oriente Médio virou o sinal mais claro de que a guerra na região já está mexendo com o dia a dia da Toyota.

Em abril, as vendas globais da Toyota Motor Corp., incluindo a subsidiária Daihatsu Motor Co., caíram 3,7% na comparação anual, para 902.015 unidades, segundo a empresa.

Na contramão das vendas, a produção global subiu 3,4% e alcançou 933.685 unidades, um contraste que evidencia o esforço para manter as fábricas operando apesar das rotas instáveis.

A fabricante tem atravessado o conflito com mais estabilidade do que outras montadoras, mantendo linhas de montagem funcionando mesmo com interrupções em trajetos que passam pelo Estreito de Hormuz.

O problema é que um aperto prolongado, com escassez se espalhando, pode testar essa resiliência e expor o quanto a indústria depende de suprimentos ligados ao Golfo para peças, materiais e energia.

Mesmo com demanda firme, há consumidores esperando meses por alguns modelos em mercados importantes, mas a comparação anual ficou prejudicada por um ano anterior inflado por corrida de compras antes de tarifas.

Outro fator que ajudou a inflar a base de comparação foi o lançamento de uma nova versão do utilitário esportivo RAV4, que puxou vendas no período anterior e agora dificulta repetir o desempenho.

Na China, onde as condições seguem duras para marcas japonesas, as vendas da Toyota encolheram 25%, reforçando o peso do mercado local em um momento de disputa acirrada.

O choque mais dramático apareceu no Oriente Médio, com exportações despencando 92% em relação ao ano anterior, para apenas 2.418 veículos no mês.

Na divulgação de resultados no início do mês, o diretor de contabilidade Takanori Azuma afirmou que a Toyota exporta cerca de 500.000 a 600.000 veículos por ano para o Oriente Médio.

Segundo Azuma, a empresa estava assumindo que um volume ligeiramente inferior à metade desse total anual seria afetado, diante da deterioração logística e das incertezas da região.

No mesmo evento, a Toyota projetou uma queda inesperada no lucro no ano fiscal até março de 2027, citando custos maiores de matérias-primas por causa das interrupções ligadas à guerra no Irã.

A montadora estimou lucro operacional de ¥3 trilhões (R$ 97 bilhões), abaixo das expectativas de analistas, depois de ter registrado ¥3,8 trilhões (R$ 123 bilhões) nos 12 meses anteriores.

Fornecedores da Toyota já vinham alertando que começavam a enxergar escassez associada ao conflito no Irã, ampliando o risco de gargalos em componentes e insumos industriais.

A empresa disse que seria difícil compensar o impacto de ¥670 bilhões (R$ 22 bilhões) no resultado final provocado pela turbulência regional.

Na segunda-feira, o Nikkei informou que a Toyota planeja ampliar cortes de produção no exterior para cerca de 83.000 unidades, citando problemas logísticos causados pelas tensões na região.

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Escrito por

Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook

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