
Antes mesmo de qualquer linha de montagem ser ligada, o projeto que deveria inaugurar a era da BYD na Europa virou sinônimo de abuso trabalhista.
A fábrica de EVs em Szeged, no sul da Hungria, prevista para abrir em 2027, passou a ser tratada como um caso-teste sobre como a indústria chinesa opera dentro da UE.
As denúncias partiram da China Labor Watch, organização de direitos sediada em Nova York, que diz ter entrevistado mais de 50 trabalhadores migrantes ligados à obra.
O relatório cita possíveis violações de leis europeias, incluindo semanas de sete dias, excesso de horas extras, dívida por recrutamento e irregularidades de visto entre subcontratados chineses.
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Perto do canteiro, um trabalhador chinês que preferiu anonimato afirmou que alguns escolhem trabalhar sem folga, sobretudo os que vieram diretamente da China.
Um colega descreveu supervisão rígida e condições de moradia “bem duras”, dizendo que para migrantes isso seria “nada fora do comum” em obras desse tipo.
A Comissão Europeia declarou estar ciente das acusações e informou ter recebido notícia de que existe um caso pendente perante a inspeção do trabalho húngara.
A temperatura subiu ainda mais depois de um incidente fa tal em fevereiro, confirmado pela BYD, e de rumores locais sobre problemas de saúde entre trabalhadores.
Um porta-voz da empresa em Londres disse que houve uma morte em 14 de fevereiro durante uma operação de carga e guindaste conduzida por um subcontratado.
A BYD afirmou que o caso está sob investigação, sem causa estabelecida, enquanto moradores relatam incômodo com o volume de boatos e a escassez de informações oficiais.
Na rua principal de Szeged, a preocupação mistura infraestrutura e impactos ambientais, com gente dizendo que a cidade não foi devidamente informada sobre o funcionamento do projeto.
O investimento de US$ 4.5bn (R$ 22,1 bilhões) é visto como capaz de transformar a economia local, ainda mais num país apontado como estagnado nos últimos anos.
A CLW afirma que a obra teria cerca de 4.000 trabalhadores, com dormitórios no próprio site, e falou em prédios cheios com aproximadamente 450 pessoas cada.
Segundo os relatos, recrutados por subcontratadas pagaram taxas entre £860 (R$ 5.700) e £2,100 (R$ 13.900), enquanto contratados diretos não teriam pago nada.
O tema também ganhou dimensão política após a queda de Viktor Orbán na eleição do mês passado, com o sucessor Péter Magyar prometendo revisar outros projetos chineses.
Questionada, a BYD disse priorizar a proteção de direitos e exigir cumprimento estrito das leis húngaras e europeias de todos os envolvidos, de contratantes a fornecedores de mão de obra.
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