Ele está com medo: CEO da Ford diz que marcas chinesas devem ser mantidas fora do mercado dos Estados Unidos

jim farley ceo ford 2
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A disputa por quem manda na indústria automotiva global deixou de ser só preço e passou a ser identidade nacional, emprego e até segurança, pelo menos na narrativa da Ford.

O principal executivo da Ford Motor Co., Jim Farley, afirmou que permitir a venda de carros de montadoras chinesas nos Estados Unidos seria “devastador” para a manufatura americana.

“Não deveríamos deixá-los entrar no nosso país”, disse Farley na segunda-feira, durante participação no Fox News, no programa Fox & Friends.

Para ele, “manufacturing” é o “coração e a alma” dos EUA, e perder esse pilar para exportações chinesas seria uma pancada dura para o país.

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Hoje, os Estados Unidos aplicam tarifas de 100% sobre EVs fabricados na China, o que na prática tem mantido fora do mercado marcas como BYD Co. e Xiaomi Corp.

Mesmo assim, Farley ressaltou que os carros chineses baratos e cheios de tecnologia estão decolando no resto do mundo, criando um efeito de pressão indireta.

Um dos exemplos citados é o México, onde a BYD sozinha responde por sete de cada 10 EVs e híbridos plug-in vendidos no país.

Outro ponto de alerta é o Canadá, que recentemente fechou um acordo com a China para importar 49.000 carros por ano, segundo o relato.

“Espero muito que não deixemos eles atravessarem a fronteira”, disse Farley ao falar sobre a entrada de carros chineses via Canadá.

Ele acrescentou que manter esses veículos fora dos EUA deveria ter “grande impacto” nas negociações para refazer o acordo comercial entre EUA, Canadá e México.

As falas estão entre as mais duras de Farley sobre a ameaça chinesa, ao afirmar que o “enorme apoio direto” do governo da China cria vantagem injusta para cortar preços.

“Não existe como essa luta ser justa”, disse ele na Fox, ao sugerir que o jogo é assimétrico contra montadoras sediadas nos EUA.

Farley também elevou o debate ao campo estratégico, alertando para riscos de segurança nacional com veículos chineses carregados de sensores e conectividade.

“Todos esses veículos têm 10 câmeras”, afirmou, dizendo que eles podem coletar muitos dados enquanto circulam pelas estradas americanas.

O tema ganhou ainda mais peso porque o presidente Donald Trump disse em janeiro, ao Detroit Economic Club, que estaria disposto a “deixar a China entrar” se ela construísse fábricas e contratasse trabalhadores americanos.

Depois disso, segundo a Bloomberg, Farley disse a autoridades do governo que montadoras chinesas deveriam formar joint ventures nas quais montadoras dos EUA tivessem participação controladora para produzir no país.

Trump deve viajar no próximo mês a Pequim para uma cúpula observada de perto com o líder chinês Xi Jinping, o que tende a transformar o tema automotivo em peça central da agenda.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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