Ex-chefão da Ferrari diz que novo modelo da marca é tão feio que nem os chineses vão querer copiar o seu design

Luca Di Montezemolo
Luca Di Montezemolo

8,4% na Itália e 5,1% nos Estados Unidos: esses foram os recuos das ações da Ferrari logo após a marca apresentar o novo Luce.

A reação chamou atenção porque, meses antes, o discurso em torno do modelo era bem mais favorável, ao menos quando o assunto era a cabine.

O Luce é um EV de quatro portas que nasceu com uma missão clara: puxar uma geração mais jovem de compradores endinheirados, especialmente os que valorizam o apelo ambiental.

Só que a conversa mudou rápido quando o carro finalmente apareceu por inteiro e a discussão saiu do painel para a carroceria.

Em fevereiro, Jony Ive já havia avisado que o Luce seria controverso, mas o debate sobre o visual externo foi além do que muita gente imaginava.

ferrari luce 3
ferrari luce 3

A LoveFrom, agência de design comandada por Ive, recebeu elogios por um ponto específico: a escolha por botões, chaves e seletores físicos, sem depender tanto de comandos sensíveis ao toque.

Esse detalhe foi lido como uma correção de rota diante da tendência de telas e superfícies “limpas” que dominou parte da indústria e também outros modelos da Ferrari.

O problema é que, para muitos, o mesmo cuidado que aparece no interior não se repetiu do lado de fora, e o formato virou o alvo principal.

Quem vocalizou isso de forma mais contundente foi Luca di Montezemolo, ex-chefe da Ferrari, em uma breve conversa com a publicação italiana Askanews.

“Se eu dissesse o que realmente penso, eu estaria prejudicando a Ferrari”, afirmou, antes de lamentar o que enxerga como risco para a imagem da marca.

ferrari luce 6
ferrari luce 6

Di Montezemolo ainda disparou que o Luce seria o tipo de veículo que “nem os chineses” estariam dispostos a copiar, num comentário com clara intenção de provocar.

A frase soou como um recado indireto à Xiaomi, que no ano passado lançou o SUV YU7 com aparência considerada muito próxima à do Ferrari Purosangue.

O coro não parou aí e chegou à política italiana, com Matteo Salvini, vice-primeiro-ministro e ministro dos Transportes, publicando sua opinião no X.

“Não parece em nada com um (Ferrari)”, escreveu Salvini, questionando se aquilo deveria ser visto como “inovação” e imaginando o que Enzo Ferrari diria.

Com o Luce, a Ferrari tenta equilibrar tradição e uma nova vitrine tecnológica, mas o início mostrou que a aceitação do público pode ser tão importante quanto a ficha técnica.

Resta saber se o modelo conseguirá conquistar exatamente quem a marca mira, ou se o debate sobre o design seguirá dominando a narrativa do carro.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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