Motor queimando óleo: 5 causas e o que fazer

Motor queimando óleo: 5 causas e o que fazer

Ligou o carro logo cedo e ao abrir o portão da garagem, notou aquela fumaça estranha e azulada saindo do escape e, pior, ainda com um cheiro forte. Ao se desligar o veículo e esperar algum tempo, nota-se que o nível de óleo está bem abaixo do que deveria.


E agora? O que estaria acontecendo com o motor?

Após uma visita ao mecânico, a constatação: motor queimando óleo! A notícia chega como um baque para muita gente, afinal, quando isso acontece, quem mais sente o efeito é o bolso.

Mas aí vem as perguntas: Como? Quando? Por que? O desespero logo bate forte, mas não tem jeito, o negócio será coçar o bolso e resolver a questão antes que a coisa fique pior.

Motor queimando óleo: 5 causas e o que fazer

Veja também: óleo do motor escuro, o que isso significa?

Como o motor queima o óleo?

Mas então, vamos lá. Quais as causas para um motor estar queimando óleo lubrificante? É bom primeiro lembrar que todo motor baixa um pouco o nível do óleo a cada, digamos, mil quilômetros. Isso até mesmo está previsto no manual de muitos modelos.

Mas a respeito de motores baixando o óleo mais rapidamente, com sintomas notados no escapamento, podemos dizer que a primeira coisa é que o motor já está cansado, bem desgastado para estar nessa condição. Ocorre que o atrito entre as peças requer lubrificação constante, mas antes disso, é preciso que o amaciamento tenha sido feito corretamente, para que o ajuste fino entre as peças móveis não tenham produzidos tantos resíduos que não foram eliminados.

Com o funcionamento ao longo do tempo, é natural que as folgas entre as peças aumente devido ao desgaste, mas mesmo assim elas precisam atingir um certo limite para que o propulsor continue funcionando corretamente. O problema é quando isso é ultrapassado e aí tais forças começam a produzir o contato entre o óleo lubrificante e a câmara de combustão. Com a folga elevada entre anéis do pistão e cilindro, os primeiros não têm como impedir que um fluxo de lubrificante entre na combustão e é lá que ele começa a ser queimado.

Esse consumo de óleo acaba por reduzir seu nível no cárter e por isso é necessário sempre estar completando para que o motor não fique sem lubrificação e acabe travando. O pior ainda não é isso. Com o tempo, as folgas aumentam e a quantidade de óleo na câmara aumenta tanto que ele começa a encharcar as velas, prejudicando a ignição. Se o óleo entra na câmara, então algo pode sair de lá também. Por isso, a taxa de compressão acaba por cair e o rendimento do motor idem.

Bom, lembra do “é necessário sempre estar completando para que o motor não fique sem lubrificação”, pois é, isso é para quem já percebeu o problema está remediando. Mas, nem todo mundo fica ligado nessa situação e com o nível descendo além do mínimo, os efeitos da queima do óleo começam a aparecer. A lubrificação entre bielas e virabrequim logo ficará prejudicada e um ruído metálico se fará presente. O tal “motor batendo” é outro drama de quem foi pego de surpresa.

Acontece que sem a lubrificação necessária, as bronzinas (casquilhos) da biela começam a entrar em atrito com os mancais da manivela do virabrequim, provocando desgaste e folgas. Estas folgas é que geram o barulho de batida por causa do movimento de sobe e desce dos pistões. Mas não é só isso, os mancais do virabrequim, onde o mesmo se sustenta na base do bloco, também começam a se desgastar e uma hora poderão travar completamente.

Mas, o mais frequente é o contato entre biela e virabrequim acabar gerando uma quebra do primeiro, que será esmigalhado quando não resistir mais. Isso, falando de motor moderno, pois nos antigos, a biela furava o próprio pistão, cilindro e até o bloco, não raros os casos de destruição também do radiador do veículo. Claro, uma das vítimas era o virabrequim.

Motor queimando óleo: 5 causas e o que fazer

Quando esse problema começa?

Como exemplificado no começo do texto, o problema começa quando exatamente as folgas se tornam excessivas e os sintomas aparecem. Além da fumaça azulada e do cheiro forte, o consumo de óleo do motor aumenta radicalmente, numa taxa de mais de um litro a cada 1.000 km.

Isso vem acompanhado de falta de força do motor, que já não rende o mesmo. Se isso acontece, o consumo de combustível também se eleva. O escapamento também se encharca de óleo não queimado na combustão, prejudicando também o catalisador. O barulho também já denuncia que o motor “queimador de óleo” já está nas últimas, tanto por bater biela quanto por estar “rajando”, que é a falta de lubrificação no topo, no cabeçote, onde o comando também sofre com a falta de lubrificação.

Motor queimando óleo: 5 causas e o que fazer

Por que o motor queima óleo?

As causas para o motor estar queimando óleo são diversas e podem ou não estar relacionadas com a atenção (a falta dela) dispensada pelo proprietário em relação à manutenção do veículo. Um dos motivos mais frequentes para que isso ocorra é o esquecimento. Muitas pessoas acabam por deixar de fazer a correta manutenção do veículo por não lembrarem o momento da troca de óleo lubrificante e de seu filtro. Tem gente que nem sabe que é preciso trocar o óleo! Casos em que o motor fundiu por nunca ter sido feita a troca não são histórias de mecânico.

Quando novo, o carro vem acompanhado com a obrigação de fazer as revisões na quilometragem especificada no manual. Muitos modelos avisam automaticamente no painel quando se aproxima a hora da troca.

Algumas marcas até avisam quando isso acontece por conexão remota, mas no geral, é o proprietário que precisa estar atento a este importante momento. Quando usado, o comprador deve substituir lubrificante e filtro, mesmo que o vendedor já tenha dito que o fez. Cautela não faz mal algum…

Outra causa comum é a famosa e temida quebra da correia dentada. Antigamente, quem tinha certos modelos de automóvel nem se preocupavam com isso, por causa de varetas e balancins do comando no bloco, corrente ou mesmo os bons e os bons cabeçotes onde as válvulas não ficavam ao alcance dos pistões.

Isso era uma maravilha, mas em muitos casos, a correia dentada quebrada significa prejuízo, mas com danos variáveis de acordo com o desenho da câmara, dos pistões e do cabeçote. Pode nem ser preciso fazer um reparo maior, mas isso pode contribuir para que no futuro haja queima de óleo.

O motor também pode ter enfrentado enchentes sem o cuidado devido ou o sistema de refrigeração sofreu aquecimento excessivo em algum momento, podendo ter queimado a junta no cabeçote, quando as galerias de óleo acabam por entrar em contato com a câmara ou pior, misturar-se imediatamente com o líquido de refrigeração.

Motor queimando óleo: 5 causas e o que fazer

O que fazer?

Só existem duas opções: A primeira é respirar fundo e meter a mão no bolso. Faça cotação de retífica do motor e em locais especializados. Não tente apenas “fazer a parte debaixo” ou outros artifícios para evitar uma retífica completa.

O impacto no orçamento familiar pode girar em torno de R$ 4.000 para um carro comum, com motor 1.0 litro. Depois de fazer o serviço, novamente (se foi comprado zero) terá de fazer o amaciamento porque quase tudo é novo, pistões, anéis, pinos de pistão, bronzinas, virabrequim retificado, cabeçote revisado (válvulas, guias, superfície da peça), juntas, etc.

Mas, se o custo for igual a metade do preço de tabela do veículo, melhor esquecer, exceto se ele produzir algum sentimento extra no proprietário. Caso contrário, mesmo que o custo não represente isso tudo e você não quer ter trabalho com isso, então o melhor é vender nas condições em que se encontra.

Mas seja honesto, informe sobre o problema e faça o comprador assinar um termo reconhecendo o defeito. O valor da venda será menor, afinal, quem está comprando precisará arcar com os custos, mas pelo menos você se livrou do problema e poderá pegar um novo carro em condições de uso.

Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 25 anos. Há 14 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações. Também trabalhou nas áreas de retificação de motores, comércio e energia.