
Um gráfico exibido em reunião de acionistas virou combustível para uma nova crise, depois que uma grande apuração questionou como a Tesla calcula a “segurança” do Full Self-Driving.
Uma investigação da Reuters publicada em 29 de maio de 2026 afirma que estatísticas divulgadas pela empresa sobre o FSD se apoiam em metodologia falha e comparações inadequadas.
O trabalho cita entrevistas com nove ex-rotuladores de dados, um ex-engenheiro de direção autônoma e 11 pesquisadores de segurança no trânsito.
Segundo o relatório, Elon Musk e outros executivos repetiram que o Full Self-Driving seria até 10 vezes mais seguro do que motoristas humanos em condições equivalentes.
A apuração diz que o erro central foi comparar ocasiões com acionamento de airbag em Teslas com dados federais que incluem qualquer colisão que exija guincho.
Como muitas situações que pedem guincho não ativam airbags, a diferença de “severidade” distorce o resultado e, de acordo com a Reuters, infla o nível de segurança em cerca de três vezes.
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O pesquisador Marco Benedetti, da University of Michigan, fez a comparação correta entre colisões com airbag em Teslas e com airbag em todos os veículos.
Nesse recorte, a distância entre colisões cairia da retórica “10 vezes” para algo próximo de três vezes, ainda assim com limitações relevantes apontadas por especialistas.
Entre elas, o relatório menciona a diferença de idade média da frota, com Teslas em 4,1 anos contra 12,8 anos no conjunto de veículos dos EUA.
O professor Phil Koopman, da Carnegie Mellon, resumiu a crítica com uma analogia: comparar desempenho assim seria como colocar um jato moderno contra um avião da Segunda Guerra.
Dez dos 11 pesquisadores ouvidos teriam classificado a estatística como marketing enganoso, não como uma investigação séria de segurança viária.
A reportagem também dá peso ao bastidor, dizendo que sete dos nove ex-rotuladores não confiariam no FSD para transportá-los, mesmo trabalhando diretamente no treinamento do sistema.
Eles afirmaram ver falhas recorrentes como dificuldade para abrir espaço a veículos de emergência, falta de margem com motociclistas, frenagens em saídas de rodovia e confusão em áreas de obras.
Um time interno descrito como “trauma team”, em Palo Alto, teria analisado quase-colisões com pedestres, incluindo situações com crianças e falhas de leitura de faixas de travessia.
Outro ponto sensível envolve o robotáxi: a Reuters diz que a Tesla mapeou rotas e zonas operacionais antes de lançamentos, contrariando a narrativa de que não depende de “mapeamento local trabalhoso”.
O texto cita testes noturnos antes do evento do Cybercab em outubro de 2024 e um esforço semelhante antes do lançamento em Austin em junho de 2025, com muitas horas de anotação de guias e marcações.
Quase um ano após Austin, a empresa ainda operaria cerca de 20 robotáxis sem supervisão em uma área limitada e cuidadosamente mapeada, com alguns carros mantendo monitores humanos no banco dianteiro.
No campo regulatório, a Reuters afirma que a NHTSA tem quatro investigações ativas envolvendo FSD e Autopilot, enquanto a Tesla também enfrentou um veredito de US$ 243 milhões (R$ 1,2 bilhão) após um problema na Flórida.
Mesmo com promessas de novas capacidades, o próprio site do FSD continuaria alertando que os recursos exigem supervisão ativa do motorista e não tornam o veículo autônomo.
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