Mercedes pode ser empurrada para fora dos EUA por uma lei anti-China e o detalhe é simples: 9,98% podem valer mais do que 90%

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Uma lei nova em Washington pode virar o mercado automotivo dos EUA de cabeça para baixo, e a Mercedes-Benz aparece como um dos nomes que podem sair no prejuízo nesse processo.

Um projeto bipartidário que avança no Congresso tenta reduzir a influência chinesa no setor, mas o texto pode acabar proibindo a Mercedes de vender, importar ou fabricar veículos para o país.

A proposta se chama Motor Vehicle Modernization Act of 2026 e mira montadoras que tenham “qualquer interesse acionário direto ou indireto” de um governo considerado adversário estrangeiro.

China está listada como adversária ao lado de Rússia e Coreia do Norte, e o trecho sobre propriedade é o que cria a maior zona cinzenta para empresas globais.

O ponto sensível é que o maior acionista individual da Mercedes-Benz é a estatal chinesa BAIC, antiga Beijing Automotive Industrial Corp., com 9,98% das ações.

Outro nome relevante é Li Shufu, fundador e presidente da Geely, que detém 9,69% por meio da Tenaciou3 Prospect Investment, elevando o total combinado a 19,67%.

Segundo pessoas familiarizadas com a redação ouvidas pela CNBC, a interpretação do texto pode levar a uma proibição, e duas fontes disseram acreditar que a regra, como está, vetaria a empresa.

Um ex-assessor de política automotiva e lobista consultado afirmou que “a linguagem é inequívoca”, reforçando o temor de que a Mercedes caia no pacote por leitura literal.

O projeto prevê que fabricantes que produzem veículos de passeio nos EUA por pelo menos cinco anos antes de 1º de janeiro de 2026 poderiam ter isenção.

Só que a própria isenção não valeria para companhias com “qualquer interesse acionário direto ou indireto” de governo adversário, tornando o atalho praticamente inútil nesse caso.

O texto também define “controlado por” como 15% de participação por uma pessoa ou combinação de pessoas estrangeiras, cláusula que amplia o alcance de potenciais impactos.

Daniel Kelly, secretário de imprensa do comitê de Energia e Comércio, confirmou os detalhes e evitou comentar efeitos para empresas específicas, enquanto a Mercedes não comentou a legislação.

A montadora, porém, lembrou que tem duas grandes fábricas de montagem nos EUA, emprega mais de 10.000 pessoas e usa isso como argumento de peso no debate.

Em Tuscaloosa, Alabama, a Mercedes diz já ter produzido mais de 5 milhões de veículos desde 1997, e na Carolina do Sul fabricou mais de 450.000 vans desde 2006.

O tema se mistura a outras discussões recentes, como a continuidade do TikTok via uma nova entidade com investidores dos EUA e da MGX, enquanto a ByteDance manteve quase 20%.

Paralelamente, há o Connected Vehicle Security Act of 2026, apresentado no Senado por Bernie Moreno e Elissa Slotkin e na Câmara por John Moolenaar e Debbie Dingell, ainda com isenções indefinidas.

O setor, representado por John Bozzella, da Alliance for Automotive Innovation, elogiou avanços e citou risco econômico e de segurança, mas avisou a Brett Guthrie e Frank Pallone que “detalhes importam”.

As medidas somam-se a restrições já aprovadas para veículos conectados, que passam a valer para software ligado à China a partir do ano-modelo 2027 e para hardware a partir do ano-modelo 2030.

A discussão pode alcançar outras marcas com participação chinesa, e a Volvo afirmou ter autorização específica do governo dos EUA para contornar banimentos federais, após vender 121.600 carros no país no último ano.

No mesmo período, a Mercedes-Benz vendeu 303.200 automóveis de passeio e 12.400 vans nos EUA, números que ajudam a dimensionar o tamanho da aposta em jogo.

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Escrito por

Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook

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