
A ideia de uma BMW com caçamba sempre soou como palavrão em Munique, só que o domínio das picapes no mercado americano e a onda global das “lifestyle trucks” mudaram o clima.
A lógica interna da marca sempre foi proteger o mantra do “prazer de dirigir”, porque utilidade e carga costumam exigir compromissos que derrubam equilíbrio, direção precisa e acerto de chassi.
Mesmo assim, renderizações e rumores de uma suposta X10 M incendiaram a internet, lembrando que desejo de consumidor nem sempre respeita tradição corporativa.
Nesse conceito criado por fãs, a receita seria exagerada: carroceria leve com arquitetura de plástico reforçado com fibra de carbono e alumínio, além de uma caçamba composta para parecer “ultraluxo”.
O motor imaginado é o V8 4,4 biturbo com 634 cv e 76,4 kgfm, com quem sonha levando a história para 710 cv e desempenho de 0 a 96 km/h em 3,8 s.
A lista de fantasias inclui acesso por biometria, tampa da caçamba por gestos e suspensão a ar M adaptativa com diferencial traseiro travante eletrônico, mais cabine com couro Merino e display curvo gigante.
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Só que picape premium não perdoa improviso, e o exemplo mais duro citado no debate é a Mercedes-Benz X-Class, vendida de 2017 a 2020 e eliminada após desempenho fraco.
O problema ali foi a sensação de “emblema caro em plataforma de trabalho”, algo que também envolve casos como Lincoln Blackwood e Cadillac EXT no imaginário do segmento.
Por isso, se a BMW quisesse entrar, teria de evitar pegar emprestado um chassi de parceiro e, em vez disso, entregar engenharia sob medida como se fosse um sedã esportivo.
Curiosamente, a marca já fez picapes reais, mas para uso interno, como a E30 M3 conversível transformada em utilitário em 1986 para levar peças na fábrica.
Ela começou com motor 2,0 e depois recebeu o 2,3 S14, virou ferramenta diária e só saiu de serviço em 2012, após 26 anos de trabalho contínuo.
Em 2011, veio uma “homenagem” baseada na E93 M3 conversível, lançada em 1º de abril com um comunicado técnico tão sério que muita gente quase acreditou.
A BMW alegava capacidade de carga perto de 454 kg, caçamba para 20 bolsas de golfe e ainda levou o protótipo camuflado ao Nürburgring, reforçando que não era só teatro.
Já em 2019, aprendizes e a equipe de construção de conceitos criaram uma X7 picape, alongada em 9,9 cm e com caçamba de madeira teca, ficando cerca de 200 kg mais leve que a X7 de rua.
No fim, a razão para não produzir segue sendo proteção de marca e leitura de mercado, já que compradores de picape querem robustez e custo baixo, enquanto luxo pede sofisticação cara.
O texto aponta que a saída mais plausível, caso a BMW mude de ideia, seria uma arquitetura monobloco eletrificada, possivelmente na base Neue Klasse, para baixar o centro de gravidade e segurar a dinâmica.
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