
A cena se repete: o comprador sai feliz do showroom com um EV cheio de equipamentos e, meses depois, encara uma proposta de troca que parece piada.
Nos últimos anos, montadoras chinesas avançaram com preços agressivos, pacotes generosos e ofertas de parcelas mensais difíceis de ignorar.
O catch que começa a ficar óbvio é que muitos desses EVs “barganha” podem perder valor com rapidez incrível assim que viram seminovos.
Números recentes do grupo alemão DAT, especializado em avaliação de veículos, mostram EVs e híbridos plug-in chineses desvalorizando duas vezes mais rápido que a média do setor.
Para piorar, o DAT indica que esse ritmo de depreciação não está estabilizando, e sim acelerando, o que amplia o risco para todo mundo na cadeia.
O proprietário sente a pancada na hora do trade-in, enquanto a montadora pode ser obrigada a engolir prejuízos em programas de recompra garantida.
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Do lado do leasing, o susto vem quando os carros retornam ao pátio valendo muito menos do que a conta original previa, corroendo margens rapidamente.
Martin Weiss, do DAT, disse à Autonews Europe que “não basta lançar um bom produto” se a marca não sustenta o pós-venda e a confiança no longo prazo.
Uma parte central do problema é a incerteza: muitos europeus se perguntam se algumas marcas chinesas realmente vão permanecer no mercado por anos.
Dúvidas sobre manutenção, disponibilidade de peças de reposição e a robustez das redes de concessionárias continuam fazendo o comprador de usado hesitar.
O ruído também aparece no noticiário de bastidores, como a história do modelo apelidado de “Temu Range Rover”, que seguradoras estariam precificando como se fosse o original.
Ainda assim, a pressão não se limita aos chineses, porque o Reino Unido vê os valores residuais de EVs caírem no mercado inteiro, segundo relato recente do Financial Times.
Citando dados da Indicata, o jornal afirmou que, no mês passado, o EV médio de três anos no Reino Unido valia 38% do preço original, ante 46% na Alemanha, França e Espanha.
No mesmo recorte britânico, um carro a gasolina da mesma idade reteve 45% do valor, enquanto um híbrido segurou 51%, ampliando o contraste contra os EVs.
Com fabricantes pressionados a elevar vendas de EVs para cumprir metas do governo, descontos pesados em modelos novos deixam seminovos parecendo caros ao lado de carros zero superincentivados.
Nesse ambiente, um carro chinês, o Jaecoo 7, chegou ao topo do ranking de vendas no Reino Unido pela primeira vez, mas o efeito colateral é espremer ainda mais o usado.
Ironicamente, o avanço tecnológico rápido também derruba preços, porque atualizações em ritmo frenético fazem o EV “de ponta” de hoje envelhecer em poucos meses, ótimo para inovação e cruel para revenda.
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