
A assinatura de um documento “não vinculante” pode ser o empurrão que faltava para inaugurar o primeiro ciclo de produção em massa de carros chineses no Reino Unido.
Em comunicado, a Nissan disse que fechou um acordo preliminar para avaliar a fabricação de veículos para a Chery no norte da Inglaterra, enquanto as tratativas continuam.
Com o projeto aprovado, a montadora japonesa pretende colocar a produção para a Chery International UK na linha 1 de Sunderland a partir do ano fiscal de 2027.
Nos bastidores, a iniciativa é vista como um jeito de dar mais previsibilidade a cerca de 6.000 pessoas que trabalham na maior fábrica de carros do país.
Referência de eficiência na Europa, Sunderland hoje monta o SUV Qashqai, o crossover Juke e o Leaf elétrico.
Mesmo assim, o complexo sofreu com turbulências na matriz japonesa e com a incapacidade das vendas europeias voltarem ao patamar de antes da pandemia.
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A Nissan atravessa uma reestruturação global dolorosa, com fechamento de várias fábricas no Japão e um esforço para apertar custos e simplificar operações.
No mês passado, ela consolidou a produção de Sunderland em uma de suas duas linhas, sem demissões, e essa decisão abriu espaço para um novo “inquilino” industrial.
Ao mesmo tempo, a empresa cortou 900 vagas na Europa, incluindo um número pequeno de funções administrativas no Reino Unido.
A planta opera bem abaixo da capacidade máxima de cerca de 600.000 carros por ano e, em 2025, produziu 273.000 unidades, queda de 3% frente ao ano anterior.
A Chery, por sua vez, acelerou presença local com as marcas Chery, Omoda e Jaecoo, e o Jaecoo 7 híbrido plug-in (PHEV) virou o modelo mais vendido do país em março.
Massimiliano Messina, responsável por várias regiões incluindo a Europa, disse que o passo é importante e que as empresas vão buscar um formato ideal nos próximos meses.
Steve Bush, dirigente nacional do sindicato Unite, classificou como notícia muito positiva, citando a incerteza do setor e defendendo que trabalhadores britânicos construam carros chineses no país.
Ivan Espinosa, CEO da Nissan, já havia dito no ano passado que a companhia avaliava fabricar carros junto com a Dongfeng, outra montadora chinesa.
Para David Bailey, professor de economia empresarial da University of Birmingham, a possível parceria seria um “acordo histórico” e sinal de que a China virou parte da base industrial.
A Chery já expandiu sua presença europeia com fábricas, iniciando produção em abril em Ebro, perto de Barcelona, e comprando em janeiro uma planta perto de Pretória, na África do Sul.
Outras gigantes também abriram a porta, como a Stellantis ao anunciar produção para a Leapmotor na Espanha, enquanto a Ford teria aceitado vender parte de sua fábrica em Valência para a Geely.
A Volkswagen afirmou estar aberta a parcerias chinesas, embora a Xiaopeng tenha comentado recentemente que fábricas alemãs são “um pouco antigas”.
Gary Lan, CEO da Omoda e Jaecoo no Reino Unido, disse no mês passado que a Chery quer ficar entre as três maiores em vendas no país e que produzir localmente está no radar.
A Chery ainda inaugurou um centro de pesquisa e desenvolvimento de veículos comerciais em Liverpool, reforçando que a ambição britânica vai além de importação.
Por enquanto, Nissan e Chery não informaram se a produção em Sunderland incluiria híbridos ou EVs, e o governo britânico também já ventilou uma parceria envolvendo a Jaguar Land Rover, considerada improvável por um executivo sênior.
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