A indústria automotiva dos EUA travou e o culpado é a incerteza política que congelou investimento, produção e até o futuro do carro barato

fabrica gm ontario
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Ruído político virou rotina e, com ele, a indústria automotiva dos EUA parece ter perdido a marcha, mantendo decisões grandes em suspenso por tempo demais.

Michael Robinet, vice-presidente de forecasting da S&P Global Mobility, descreveu o setor como “sentado em cima das mãos desde o verão de 2024”.

Segundo ele, a virada de poder em Washington no início de janeiro, com o segundo governo Trump, mudou prioridades e reabriu disputas sobre legislação e comércio.

O resultado foi um congelamento de iniciativas corporativas de montadoras e fornecedores, que passaram a esperar a poeira baixar antes de apostar em projetos caros.

Para Robinet, o problema não é abstrato, porque já se caminha para o verão de 2026 com 24 meses de incerteza praticamente no mesmo patamar.

O ponto mais sensível está na relação comercial com Canadá e México, considerada a mais importante para o setor, mas ainda sem estrutura e previsibilidade suficientes.

Em meio às negociações tensas por um novo acordo, Robinet estimou “pelo menos 40% de chance” de um entendimento antes das eleições de meio de mandato em novembro.

Enquanto isso, a falta de certeza comercial se soma a riscos de suprimentos e a um vaivém regulatório que bagunça escolhas entre EVs, híbridos e motores a combustão.

Com o terreno instável, montadoras passaram a esticar o ciclo de produtos, transformando programas de cinco anos em sete, oito ou até nove anos.

Robinet explicou que, sem exigência clara do lado de emissões para reduzir massa e redesenhar estrutura, o dinheiro migra para facelift, interior, software e funções autônomas.

Esse comportamento também reflete uma postura “capital light”, depois que o setor registrou baixas de bilhões de dólares em investimentos ligados a EVs.

O analista resumiu a prioridade do momento com uma frase que virou síntese da fase atual: “hibridização é o novo lightweighting” na América do Norte por quatro a cinco anos.

A estagnação aparece nos dados de produção, porque em 2016 a região fabricou 17,8 milhões de veículos leves com fábricas rodando em três turnos.

A queda para 13 milhões em 2020 veio com a Covid, depois os chips travaram 2021, e a recuperação acabou virando acomodação em torno de 15 milhões.

A S&P Global projeta ligeiramente abaixo de 15 milhões neste ano, incluindo cerca de 200.000 veículos puxados de planos de 2027 por preocupações com preços de combustível e a Guerra do Irã.

Com volume limitado, Robinet disse ser irreal esperar que montadoras fechem plantas no México ou no Canadá para abrir muitas novas nos EUA, apesar da pressão política.

Ele citou reativações de fábricas ociosas e expansões de grupos como Volkswagen (Scout), Hyundai e Toyota, mas avaliou que o foco será otimizar a base existente.

No meio da neblina, a discussão sobre acessibilidade ficou para trás, porque 2026 deveria ser o ano de encarar preços, mas conflito no Irã e tarifas tornaram isso muito difícil.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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