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Aparelho para economia de combustível funciona?

Aparelho para economia de combustível funciona?

Como gastar menos combustível? Isso já respondemos nesta matéria como como economizar. Porém, muita gente procura outras formas de reduzir o consumo e acabam por apostas em dispositivos e sistemas, fabricados ou artesanais, para reduzir ainda mais o gasto com gasolina ou etanol ao final do mês.


No caso desses aparelhos, muitos prometem reduções incríveis para um carro comum, o que sem dúvida atrai a atenção dos consumidores. Mas, aparelho para economia de combustível funciona? Separamos alguns dispositivos que foram testados por revistas ou foram divulgados em outros sites e jornais. Tem de tudo, desde aplicativo com aparelho wireless até vapor de gasolina.

Aparelho para economia de combustível funciona?

Direto no motor

Por conta disso, separamos alguns dispositivos que prometem e não cumprem no tocante à redução de consumo de combustível. Eles foram testados pela revista Quatro Rodas e outros acabaram virando notícia após não cumprirem com o prometido aos clientes. Um deles é chamado Eco Chip, um dispositivo de apenas 4 cm que fica preso no duto de entrada de ar do motor, tendo que cola-lo para que fique preso.

O fabricante alega que é necessário rodar muitos quilômetros para sua calibração (cerca de 30 a 50 km no caso de um Renault Logan 1.0, por exemplo), mas na prática, ele não cumpre com o prometido, que é nada menos que economia de até 50%. Feito para motores até 1.4, a brincadeira não sai barata: R$ 499. Sem manual físico (apenas virtual) e sem instruções na embalagem, o produto é bem suspeito.

Outro dispositivo milagroso para redução de consumo que é plugado diretamente no motor é o Powermag (foto acima). Como o nome sugere, este dispositivo promete entre 10% e 22% de economia com o poder do magnetismo… Preso à linha de combustível próxima do motor, um envólucro magnético provoca um novo arranjo para as moléculas do combustível em fluxo pela mangueira.

Com um combustível molecularmente reorganizado, a queima é melhor, produzindo melhor performance, mais economia e menor poluição. Tudo perfeito, até ser testado de fato num Nissan Sentra e as médias de consumo com e sem o Powermag não se alterarem. Custando entre R$ 45 e R$ 60, ele é barato, mas não faz nada próximo dos 10% mínimos prometidos.

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Acendedor de cigarros e OBD2

Passando para dentro do carro, alguns dispositivos prometem cortes exorbitantes em consumo e nem precisam do trabalho de se conectar dispositivos suspeitos dentro do cofre do motor. Se a entrada OBD2 parece coisa mais séria, imagina então o acendedor de cigarros. Pois é, ali onde se pode recarregar celulares, por exemplo, alguns dispositivos “high tech” como Fuelshark e Carcony, prometem, mas não cumprem.

O Fuelshark tem um visual bonito e até iluminação azul, porém, isso disfarça sua ineficiência. Como um passe de mágica, ele promete de 10% a 30% de economia apenas plugando esse dispositivo no acendedor de cigarros. Custando cerca de R$ 80, o tubarão azul da fonte 12V não alterou em nada os números de um Mitsubishi Lancer testado. A empresa que o vende não explica como ele promete a fazer essa proeza e o que é dito, está em inglês. Ah..não use em elétricos e híbridos. Ou seja, melhor não arriscar.

Não tão atraente quanto o Fuelshark, o Carcony também aposta naquela pouca usada tomada de 12V. Com formato cilíndrico, sua luz de LED é verde (para operação normal) e vermelho (para algo irregular no alternador). Com promessa de 20% de economia, o dispositivo recomenda girar a ignição sem dar partida e esperar 30 segundos para que ele comece a atuar, aumentando potência e torque, reduzindo consumo e emissão, além de proteger bateria e sistema elétrico. Tudo isso por R$ 70 com manual em inglês e chinês.

Como no primeiro, o Carcony não explica como faz para obter tudo isso apenas usam a energia da fonte 12V. No final com um Citroën C3 1.5, ele não fez nada além de ocupar espaço e produzir iluminação extra no ambiente. É outro dispositivo comprado na internet que em o intuito de enganar. O produto até ganhou uma nova geração, com um formato que lembra as alavancas de carros de luxo, como da BMW, por exemplo.

Outro plugado no interior, mas agora na porta OBD2, é o Eco OBD2… Esse dispositivo até parece ser sério e como usar a porta de comunicação da ECU do motor, poderia mesmo convencer qualquer um, já que em tese alteraria o mapeamento do motor e assim produziria mais economia de combustível, algo em torno de 15%. Com um ritual de inicialização do dispositivo, o condutor precisa de até quase um minuto de espera para que a caixa plugada na OBD2 entre em operação. Num Hyundai HB20 1.6, não fez mais do que ficar piscando. Enfim, o Eco OBD2 apenas se apoia na boa fama dessa porta de comunicação do carro.

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Vapor de gasolina e comprimidos potencializadores

Outra novidade para reduzir consumo de combustível, mas que na verdade é pura enganação, o chamado “vapor de gasolina”. O dispositivo emprega um reservatório com gasolina, mas este possui um dispositivo que agita o combustível, produzindo um gás ou vapor do líquido. Ele é conectado ao TBI ou coletor de admissão para injetar esse vapor de gasolina dentro da câmara de combustão, mas ao se fazer isso, a sonda Lambda entende que a quantidade extra de gás na mistura original tornou-a muito rica.

Diante disso, o gerenciamento eletrônico da injeção passa a reduzir a injeção de combustível e isso provoca um consumo menor, mas com o passar do tempo, o módulo começa a atuar conforme a mistura pobre, embora analise que está rica e por isso continuará reduzindo o envio de combustível.

Na realidade, o vapor de gasolina apenas engana o gerenciamento do motor, que sempre “pensa” que a mistura é rica e por isso reduz o envio de combustível. Esse conflito dentro do motor vai acarretar em performance fraca, aumento da emissão e até potenciais problemas futuros. O consumo é realmente menor, mas o desempenho também cai. Como o condutor está focado na alterações dos números, ele estará condicionado obter melhor média, por isso muitos dizem que funciona de 20% a 50% de economia. Não chega nem perto disso. O valor do kit varia de R$ 600 a R$ 1.500.

Outra promessa não cumprida é a dos potencializadores de combustível, que são misturados no tanque com o intuito de aumentar a potência com gasolina ou etanol ainda mais aditivados, garantindo também mais economia. O problema é que esses aditivos que prometem também limpar resíduos do motor, podem entrar em conflito com os aditivos originais da formulação do combustível e isso pode acabar gerando mais depósitos de sujeira. A composição desses comprimidos geralmente é o trioxano e custam menos de R$ 10, sem trazer qualquer benefício.

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Hidrogênio

Um dos dispositivos mais populares é o kit de hidrogênio, os chamados HH2 ou HHO, referências aos elementos químicos oxigênio e hidrogênio. Tudo se baseia na eletrólise da água (que é guardada num reservatório em solução com sal), onde se obtém o hidrogênio para ser injetado na câmara de combustão para ser queimado. Dos kits, pode-se comprar desde o manual, por uns R$ 4 até um kit propriamente dito que custa de R$ 2.000 a R$ 4.000 instalado.

A promessa é de 60% de economia, mas essa solução é instável e reverte o objetivo, aumentando o consumo ao invés de reduzi-lo. Isso sem contar explosões eventuais por causa do hidrogênio altamente explosivo, bem como curto-circuito e descarregamento da bateria, visto que o processo de eletrólise exige energia demais da bateria e do sistema elétrico, que assim são forçados além do projeto original. Muitos alegam economia, mas não há nenhuma base científica independente que comprove sua eficácia.

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