
A indústria marítima sabe que a próxima grande disputa não será por rotas, e sim por combustível, e o Brasil acaba de ganhar um trunfo regulatório raro nesse tabuleiro.
O país informou que o etanol de milho de segunda safra passou por uma etapa decisiva na Organização Marítima Internacional (IMO), mirando o fornecimento de biocombustíveis para navios oceânicos.
Segundo Flavio Mathuiy, capitão de mar e guerra que representa o Brasil no regulador mundial do transporte marítimo, o combustível teve sua pegada de carbono definida e aprovada pela IMO.
A IMO, sediada em Londres, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário feito durante um feriado no Reino Unido.
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Na prática, a decisão remove um obstáculo importante antes da aplicação de um arcabouço global para reduzir emissões na navegação e pode impulsionar produtores de milho e traders de etanol.
O comitê Marine Environment Protection Committee, que se reuniu na semana passada em Londres, aprovou um “valor padrão” de 20,8 gramas de CO2 equivalente por megajoule para o etanol brasileiro.
O parâmetro de comparação adotado pela mesma metodologia é de 93,3 gramas de CO2 equivalente para o bunker fuel, o combustível fóssil pesado derivado do refino de petróleo usado pela maioria dos navios.
Mathuiy classificou a aprovação como “emblemática” e disse que o valor padrão funciona como sinalização direta para armadoras sobre quais combustíveis alternativos podem escolher.
O framework de net-zero da IMO foi aprovado em abril de 2025, mas sua adoção formal foi adiada para dezembro de 2026 após pressão dos Estados Unidos.
Essas regras abrem caminho para reduzir o domínio do petróleo na navegação, combinando penalidades e recompensas para acelerar a transição para alternativas mais limpas.
A urgência é alta porque o transporte marítimo representa 2% a 3% das emissões globais de gases de efeito estufa, segundo um estudo da IMO de 2020.
Se o setor fosse um país, seria o sexto maior emissor do mundo, entre Japão e Alemanha, de acordo com o Banco Mundial.
O etanol de milho de segunda safra é o primeiro a receber essa designação, e outros combustíveis renováveis ainda precisarão do mesmo tipo de aprovação para entrar no arcabouço global.
No Brasil, o milho de segunda safra é plantado após a colheita da soja nas mesmas áreas e deve responder por quase 80% da produção total do grão no atual ano comercial.
A indústria local argumenta que o etanol de milho brasileiro é menos intensivo em carbono do que o biocombustível dos EUA por fatores como uso de biomassa na produção e o sistema de dupla safra.
A produção de etanol de milho começou em 2017 e, embora a cana ainda seja a principal base, em menos de uma década o milho passou a sustentar quase um quarto do volume produzido.
Mathuiy afirmou que o Brasil também busca aprovação técnica na IMO para etanol de cana e para biodiesel feito de soja e sebo bovino voltado ao transporte marítimo.
Enquanto isso, empresas tentam reduzir sua própria pegada nas rotas oceânicas, e a Vale SA, maior produtora de minério de ferro do mundo, encomendou no mês passado dois navios da classe Guaibamax movidos a etanol.
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