
A disputa automotiva chinesa entrou em uma fase em que vender mais pode significar ganhar menos, e até os líderes parecem sem saída.
A tentativa de Pequim de esfriar a guerra de preços perde força enquanto BYD, Geely, Chery e outras marcas ampliam descontos.
Segundo dados da China Auto Market compilados pela Bloomberg, o abatimento médio nos carros da BYD chegou ao recorde de 10% em março.
As reduções oferecidas por concorrentes como Geely Automobile Holdings Ltd. e Chery Automobile Co. também avançaram no mesmo período.
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O movimento reforça a pressão sobre o maior mercado automotivo do mundo justamente na semana de abertura do Salão de Pequim.
Com margens cada vez mais apertadas em casa, fabricantes chinesas buscam crescimento externo em mercados como Brasil, Reino Unido, Austrália e Canadá.
As advertências dos reguladores contra a deflação no setor ainda não surtiram efeito, e analistas não veem alívio próximo.
Yale Zhang, diretor-geral da consultoria Automotive Foresight, afirmou que a competição por preços sempre existirá e não desaparecerá neste ano nem no próximo.
Há quase um ano, autoridades chinesas reuniram executivos de mais de uma dúzia de grandes fabricantes de EVs para tentar um cessar-fogo.
O governo alertou as empresas contra vendas abaixo do custo e descontos considerados irracionais, uma cobrança repetida pelo menos três vezes neste ano.
A reunião também tratou de vendas de usados de “quilometragem zero” e de atrasos em pagamentos a fornecedores de autopeças.
Poucos dias depois, Wang Chuan-Fu, CEO da BYD, se emocionou em uma reunião com investidores ao falar das pressões de curto prazo.
A empresa, apoiada no início por Warren Buffett, segue no centro das atenções por liderar o setor, apesar de sete meses consecutivos de queda nas vendas chinesas.
Com a fiscalização maior de Pequim, a BYD passou a pagar fornecedores mais rapidamente e perdeu parte da flexibilidade para usar descontos como estímulo.
Segundo fornecedores ouvidos sob anonimato, a montadora vem abandonando um sistema baseado em promessas de pagamento que permitia adiar faturas por meses.
Essa mudança aumentou o uso de dívida com juros, elevando a relação entre dívida líquida e patrimônio líquido para 25%, após quatro anos em terreno negativo.
A combinação de endividamento e receitas menores já pesa nos resultados, e a BYD registrou sua primeira queda anual de lucro desde a pandemia.
Em carta aos acionistas, Wang escreveu que a indústria automotiva chinesa entrou em uma “fase brutal de eliminação”.
Cui Dongshu, secretário-geral da China Passenger Car Association, disse em evento recente que o setor enfrenta enorme pressão e que os resultados revelam dificuldades.
A raiz do problema é a sobrecapacidade, já que as fábricas chinesas podem produzir 55,5 milhões de veículos por ano.
Em 2025, as vendas domésticas ficaram em apenas cerca de 23 milhões de unidades, segundo o China Automotive Technology and Research Center.
Isso deixa a utilização média das fábricas perto de 50%, nível considerado insustentável no longo prazo.
Parte do excedente segue para fora, e as exportações chinesas de EVs mais que dobraram em março, alcançando recorde mensal.
Mas a reação cresce, com União Europeia e países latino-americanos elevando tarifas para proteger suas próprias indústrias automotivas.
Dentro da China, as maiores marcas encurtam ciclos de produto e tentam seduzir compradores com inovações em ritmo acelerado.
A BYD apresentou baterias mais potentes e recargas mais rápidas, enquanto a Xiaomi tenta agregar tecnologia sem elevar demais os preços.
Lei Jun, CEO da Xiaomi Corp., disse que o novo SU7 recebeu quase 20.000 yuans (R$ 14.500) em recursos extras, mas subiu apenas 4.000 yuans (R$ 2.900).
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