
Muita gente ouve “carro definido por software” e pensa em atualização pelo celular, mas o conceito vai muito além de corrigir falhas à distância e liberar um mimo novo depois da compra.
A expressão ganhou força quando a Tesla popularizou a ideia de adicionar funções via atualizações over-the-air, reduzindo a sensação de que o carro “envelhece” assim que sai da concessionária.
Só que “SDVs” representam uma virada de arquitetura, saindo de até 150 módulos eletrônicos separados para um modelo de computação mais centralizado, com funções comandadas sobretudo por software.
Essa centralização promete experiências mais personalizáveis, grande redução de chicotes e complexidade, reaproveitamento de software, ciclos de desenvolvimento mais rápidos e assistências de condução mais avançadas.
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A lógica é parecida com a do Waze, que reage ao trânsito em tempo real, mas aplicada ao carro para reconhecer perigos com IA e intervir quando necessário, inclusive com frenagem automática.
Mesmo assim, a indústria vende a narrativa como se fosse algo iminente, e um recado de mercado é que “SDV de verdade” ainda não chegou ao showroom.
Himanshu Khandelwal, partner e managing director da prática Automotive & Industrial da AlixPartners, diz que as montadoras chinesas estão mais avançadas que as americanas, europeias e outras asiáticas.
Para ele, as ofertas de Tesla e Rivian são as mais próximas do que se considera um SDV, embora ainda longe de um conceito plenamente realizado.
Khandelwal afirma que não haverá uma frota significativa de SDVs nos próximos três, cinco ou até sete anos, o que contraria a expectativa criada por discursos corporativos.
A AlixPartners discutiu o tema em um webinar e citou uma pesquisa com mais de 1.000 executivos seniores, apontando liderança chinesa e obstáculos práticos ainda grandes.
No lado do consumidor, a promessa também abre um dilema: recursos podem virar cobrança extra ao longo do tempo, incluindo assinaturas mensais para funções antes compradas no ato.
Khandelwal questiona se o público pagará por novidades que não são claramente diferenciadas, mas admite que pagaria por controle de cruzeiro avançado com capacidade “olhos fora” em nível 3.
Outra linha de monetização envolve segurança do veículo e do motorista, como serviços que ajudem em situações de risco, colocando “software” como camada de proteção além da mecânica.
A Kia trouxe cronograma para o debate e disse que pretende concluir o desenvolvimento do seu primeiro SDV até o fim de 2027, com tecnologia de condução autônoma nível 2++ no início de 2029.
A marca também fala em um hatch do segmento B como SDV na Europa, reforçando a ideia de entrada rápida e liderança sustentável em autonomia no médio e longo prazo.
O ponto mais sensível, segundo a AlixPartners, é que a corrida está centrada no controle da arquitetura e do futuro “pool” de lucro, e o Ocidente pode estar terceirizando pontos-chave demais.
Khandelwal diz que, antes de transformar o SDV em “receita recorrente”, as montadoras precisam ir além de usar OTA apenas para corrigir problemas e evoluir para economia real de ciclo de vida.
No fim, o SDV pode ser mais do que “Netflix sobre rodas”, mas a indústria ainda precisa provar que a transformação entrega valor de verdade e não só um novo jeito de cobrar.
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