China está cansada das “invenções” dos EVs e agora quer cortar o barato dos bancos “gravidade zero” que viraram febre nas cabines-lounge

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A cena de passageiros quase esticados como em uma poltrona de avião executivo pode parecer futurista, mas a China está começando a enxergar isso como um problema.

O país que ajudou a criar várias das tendências mais exageradas dos EVs agora dá sinais de arrependimento e mira uma nova moda: os bancos “gravidade zero”.

Depois de apertar o cerco contra maçanetas escondidas e interiores dominados por telas gigantes, reguladores passaram a questionar assentos que reclinam demais.

O ponto central é simples e incômodo: em uma colisão, uma pessoa quase deitada foge do cenário para o qual cintos e airbags foram projetados.

Nesta semana, o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação alertou que ocupantes em posições muito reclinadas podem “submarinar”, escorregando por baixo do cinto.

Na prática, isso significa que o cinto pode deixar de segurar o corpo como deveria e o airbag pode não encontrar a pessoa no ângulo correto.

Esses bancos tipo lounge viraram febre em EVs chineses porque as marcas passaram a disputar atenção transformando a cabine em uma sala de estar sobre rodas.

Massagem, telas enormes, iluminação ambiente e espaço de sobra para as pernas criaram um convite permanente para cochilos em trajetos longos.

Só que o desconforto dos reguladores cresce com a sensação de que o carro está virando uma cápsula de relaxamento primeiro e um meio de transporte depois.

As regras propostas, segundo a Reuters, ficarão abertas a comentários públicos até o fim da consulta em 25 de julho e fazem parte de uma ofensiva maior de segurança.

Não é a primeira intervenção desse tipo, porque no início do ano a China proibiu maçanetas externas que saltam para fora após colisões chamarem atenção.

Outras ideias “modernas” também entraram no radar, incluindo volantes em formato de manche, que podem dificultar recuperar o controle em emergências.

Sistemas de direção com um pedal também receberam críticas, em parte por haver motoristas que se acostumam demais à regeneração e demoram a acionar o freio.

Até as telas gigantes perderam imunidade, já que a China discutiu exigir comandos físicos para funções críticas como pisca-alerta, setas, seleção de marcha e chamada de emergência.

O recado, no fim, é que a China deixou de ser apenas o laboratório de modas dos EVs e começou a atuar como o árbitro mais duro do jogo.

Como o país segue sendo o maior mercado de EVs do mundo, decisões tomadas ali tendem a influenciar projetos globais muito além das fronteiras chinesas.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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