
A apresentação do Luce deveria ter sido um choque controlado, mas o que se viu foi uma avalanche de piadas que escapou totalmente do roteiro.
Em poucos dias, o primeiro EV totalmente elétrico da Ferrari virou alvo de comparações cruéis, de um mouse recarregável da Apple a um hatch da Nissan.
A maré de memes ganhou volume com vídeos gerados por IA retratando Enzo Ferrari detonando o carro, material que se espalhou com velocidade impressionante.
A novidade é que até a Toblerone resolveu entrar na brincadeira, e a marca suíça de chocolate escolheu justamente o ponto mais sensível do projeto.
Em uma postagem nas redes sociais, a empresa mostrou uma barra redesenhada, com seus picos triangulares alisados até virar uma “linguiça” sem forma.
O doce ainda apareceu pintado em um azul pálido parecido com o de uma das versões de lançamento do Luce, deixando a provocação impossível de ignorar.
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O texto da publicação dizia “This is not happening” e, em seguida, afirmava que a Toblerone “sempre vai manter os ângulos”.
A piada funciona porque cutuca o que muita gente está dizendo: o problema não é o Luce ser elétrico, e sim não parecer uma Ferrari.
Para boa parte do público, o desenho não soa excitante, desejável ou glamouroso, e a sensação é de que o carro abriu mão do impacto visual típico da marca.
As críticas, porém, não ficaram restritas a comentaristas com Photoshop e tempo livre, e acabaram ganhando um peso simbólico dentro do próprio universo Ferrari.
O ex-presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, que comandou a empresa por 23 anos e resistiu por muito tempo a aprovar um SUV, reagiu de forma devastadora.
“Se eu dissesse o que realmente penso, eu estaria machucando a Ferrari”, afirmou o executivo de 78 anos, visivelmente indignado com o caminho escolhido.
Ele ainda alertou para o risco de “destruição de uma lenda” e sugeriu que a marca deveria até remover o emblema do cavallino rampante.
Na avaliação dele, a única “vantagem” seria que nem os chineses tentariam copiar o modelo, uma alfinetada que escancara o nível do incômodo.
A Ferrari aposta que a experiência ao volante pode virar o jogo, alegando 1.050 cv gerados por quatro motores elétricos e 0–100 km/h em 2,5 s.
Mesmo assim, com espaço para cinco ocupantes e um porta-malas enorme, o Luce estreia com uma pergunta difícil no ar: desempenho basta quando a identidade é o alvo?
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