
Nada derruba a empolgação de um seminovo mais rápido do que perceber que a quilometragem que motivou a compra pode ser, na melhor hipótese, uma fantasia cara.
Foi exatamente esse o problema enfrentado por um comprador de um Ford Bronco usado, que agora processa uma concessionária Ford por certificar um hodômetro supostamente incorreto.
Segundo a ação federal revisada pela Automotive News, o SUV foi colocado em leasing pela Lunghamer Ford, de Owosso, cerca de 145 km a noroeste de Detroit, em abril de 2023.
O Bronco teria sido devolvido em setembro de 2025 e, nesse momento, a concessionária registrou 24.042 milhas, o equivalente a 38.700 km, no painel.
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O ponto é que a denúncia lista cinco datas de serviços feitos em outra concessionária Ford ou em oficina independente, com quilometragens registradas em cada visita.
Nesses atendimentos, a quilometragem teria subido de 33.641 milhas, cerca de 54.100 km, em abril de 2024, para 60.657 milhas, aproximadamente 97.600 km, em julho de 2025.
Isso teria ocorrido cerca de um mês e meio antes da devolução do leasing, mas o carro “voltou no tempo” quando apareceu com 24.042 milhas na documentação de retorno.
O comprador, Wesley Beckman, adquiriu o off-road em novembro do ano passado e, conforme a narrativa do processo, mais de 36.000 milhas simplesmente desapareceram do histórico visível.
A ação alega que a concessionária “sabia ou tinha razões para saber da inexatidão” da declaração de hodômetro no momento da venda do veículo.
O texto também sustenta que a pessoa que arrendou o Bronco anteriormente “adulterou o hodômetro e o reduziu em [mais de] 36.000 milhas”.
Agora, Beckman pede indenização contra a Lunghamer Ford e contra a ex-locatária, que, segundo o advogado dele, seria legalmente responsável pelo recuo de quilometragem.
Para piorar, ele também busca danos do credor que financiou o negócio, ampliando o alcance da disputa para além de vendedor e antigo usuário.
O processo ainda aponta supostas violações de leis federais e de Michigan sobre hodômetro, além de alegar má representação, quebra de contrato e infrações à lei estadual de proteção ao consumidor.
O advogado de Beckman disse à Automotive News que a Ford, que não é ré no caso, ofereceu recomprar o SUV como se fosse um “lemon”, desde que ele assinasse um documento afirmando que a leitura do hodômetro refletia as milhas reais.
Ele teria recusado porque isso poderia deixá-lo exposto a ações de compradores futuros, caso o veículo voltasse ao mercado carregando uma declaração que ele considerasse enganosa.
O caso reforça uma realidade incômoda: recuos de hodômetro não são tão raros quanto deveriam, e quando acontecem, o prejuízo costuma cair no colo de quem menos esperava.
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