
A eletrificação total, do jeito que foi vendida, está encontrando um muro de custo, tarifa e demanda instável, e a Mazda decidiu não bater de frente com ele.
A montadora japonesa anunciou que vai adiar em dois anos seu primeiro EV dedicado, empurrando o início de produção para 2029 no mínimo, depois de planejar 2027.
Ao mesmo tempo, a empresa vai cortar quase pela metade o investimento em EVs até 2030, priorizando híbridos e produtos eletrificados com origem chinesa para preencher lacunas.
O CEO Masahiro Moro afirmou que a Mazda deve evitar as baixas bilionárias que atingiram rivais ao recuar de estratégias semelhantes, porque o dinheiro ainda não estava totalmente travado.
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Segundo ele, a Mazda sempre se descreveu como “seguidora intencional” nos EVs, atrasada por orçamento limitado de P&D e por cautela, o que agora virou vantagem.
No comparativo citado, Honda Motor Co., General Motors, Ford Motor Co. e Stellantis aparecem como exemplos de quem ficou com o prejuízo pesado após mudanças de rota.
Dentro de casa, Moro disse que a empresa está realocando horas de engenharia de projetos de EVs para motores a combustão e veículos híbridos.
Entre 2028 e 2030, a Mazda pretende lançar três novos híbridos, além da versão híbrida do CX-5 redesenhado, esperado para o ano que vem.
Esses híbridos usarão um conjunto desenvolvido pela própria Mazda com o motor quatro-cilindros Skyactiv-Z de mistura superpobre, e não a tecnologia gasolina-elétrico “emprestada” da Toyota no CX-50 montado nos EUA.
Para atender demanda de EVs em mercados específicos, a marca vai se apoiar em produtos desenvolvidos na China com a parceira local Changan Automobile Co.
A ideia é exportar EVs feitos na China para regiões como Europa, Austrália e Sudeste Asiático, dentro do que a Mazda chama de estratégia “lean-asset”.
A empresa já vem tratando a operação chinesa como hub global de exportação, enviando para a Europa modelos como o crossover EZ-60 e o sedã EZ-6.
Moro citou padrões de economia de combustível mais frouxos, tarifas dos EUA, cortes em incentivos globais a EVs e uma demanda cambaleante como razões para a virada.
Com isso, o plano de investimento em EVs cai para US$ 7.52 bilhões (R$ 36,9 bilhões) até 2030, ante um orçamento anterior de aproximadamente US$ 12.53 bilhões (R$ 61,5 bilhões).
A maior parte do recuo, segundo Moro, virá do volume de baterias necessário para casar com a demanda real, e não com projeções que ficaram otimistas demais.
Ainda assim, a Mazda diz mirar capacidade de 200.000 a 250.000 EVs em 2030, o que representaria cerca de 15% do volume global da companhia.
Antes, a expectativa era que EVs respondessem por 25% a 40% das vendas globais em 2030, um intervalo que agora soa como retrato de uma era regulatória diferente.
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