
Por anos, o argumento mais forte a favor dos EVs foi o custo de rodar, mas o Reino Unido começou a virar a mesa justamente no ponto que mais trava a compra: o preço de entrada.
Segundo dados do Autotrader, o maior site de compra de carros do país, os EVs já custam menos, em média, do que os modelos a gasolina, como reportado pelo The Guardian.
O levantamento aponta que o preço médio de um EV é £785 (R$ 5.300) menor do que o de um carro a gasolina, juntando economia de abastecimento com economia na hora de assinar o contrato.
De acordo com o The Guardian, o carro novo a gasolina médio listado no Autotrader aparece por £43.405 (R$ 292.200), enquanto o elétrico médio fica em £42.620 (R$ 286.900), já com descontos e impostos.
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Uma peça central dessa conta é o volume de descontos aplicado recentemente em EVs, com montadoras reduzindo valores para cumprir metas de descarbonização e evitar multas por emissões.
Outra parte vem de um incentivo implementado no Reino Unido no ano passado, oferecendo abatimento de até £3.750 (R$ 25.200) na compra de um EV.
O subsídio tem limite por preço de tabela, o que empurrou parte do público para modelos mais acessíveis e ajudou a puxar a média para baixo.
Só que existe um ponto que muda o tabuleiro britânico: o país não proíbe a importação de EVs chineses e não aplica uma tarifa específica para EVs de origem chinesa.
Em muitos outros mercados, a história é diferente, porque EUA e União Europeia impõem barreiras ou tarifas que elevam o preço desses carros.
A União Europeia ainda permite EVs montados na China, mas as tarifas deixam os valores mais altos do que no Reino Unido.
Sem tarifas comerciais sobre EVs chineses no mercado britânico, esses modelos podem custar mais de dez mil dólares ou libras a menos do que custariam do outro lado do Canal da Mancha.
Além de baratear o carro chinês, a presença de opções de baixo custo força marcas não chinesas a competir, em vez de manter margens altas em SUVs caros protegidos por barreiras.
É essa pressão que ajuda a explicar por que o Reino Unido recebe certos modelos e os EUA não, como o Honda Super-N citado no texto.
O mesmo raciocínio aparece no caso do Volvo EX30, que foi cancelado recentemente nos EUA, junto de outros projetos, enquanto segue viável em mercados com outra estrutura.
Uma busca rápida no Autotrader também mostraria EVs zero km na faixa de ~£15k (R$ 101.000), tanto de marcas chinesas quanto europeias, reforçando o efeito de oferta.
O fato de EVs estarem mais baratos na compra ajuda o Reino Unido a buscar metas de descarbonização, inclusive a de 2035 para eletrificação total, que foi enfraquecida recentemente.
As vendas de EVs no país teriam disparado no fim do ano passado e atingido a meta de fim de 2026 com um ano de antecedência, impulsionadas por um pico de final de ano.
Se o ritmo continuar, a leitura é que o Reino Unido está mais ou menos no trilho para cumprir seus objetivos de 2026.
Ao mesmo tempo, o tema do custo de uso voltou a ficar sensível com a alta global da energia ligada à guerra dos EUA com o Irã, que aumentou o interesse por EVs em várias regiões.
No Reino Unido, o texto menciona gasolina acima de €2.20 por litro (R$ 14.800) como retrato do aperto, um cenário que tende a fortalecer a migração para eletrificação.
Austrália, que também não tarifa EV chinês, estaria vendo um salto forte de vendas com foco em modelos chineses mais acessíveis, em reação à preocupação com energia.
A leitura final é direta: quando a etiqueta do EV fica menor e o custo de rodar já era mais baixo, o “custo de paridade” deixa de ser debate e vira constrangimento para quem apostou em barreiras e atrasos.
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