Lei Jun fecha a porta para EVs baratos da Xiaomi e deixa claro que a marca não quer entrar na guerra do mercado chinês

xiaomi su7 cinza (4)
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Em um mercado obcecado por preço baixo, a Xiaomi resolveu adotar o caminho oposto e deixou claro que não pretende entrar na faixa mais popular dos EVs.

Durante a transmissão ao vivo do desafio de endurance do SU7 em 17 de abril, Lei Jun afirmou que a empresa não lançará veículos elétricos abaixo de 100.000 yuan (R$ 72.900) nos próximos anos.

Ao responder sobre uma possível entrada no segmento mais barato, o CEO explicou que o desenvolvimento de carros inteligentes eleva demais os custos do projeto.

Na avaliação do executivo, entregar sistemas competitivos de direção inteligente, software mais sofisticado e hardware avançado torna muito difícil sustentar preços abaixo desse patamar.

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A fala reforça uma linha estratégica que já vinha sendo percebida no posicionamento do SU7, modelo tratado pela marca como vitrine de tecnologia e valor agregado.

Lei Jun revelou que a nova geração do SU7 recebeu mais de 100 atualizações em relação à versão anterior, aumentando significativamente o custo de produção.

Segundo ele, apenas os custos de materiais subiram quase 20.000 yuan (R$ 14.600), enquanto o preço de varejo aumentou só 4.000 yuan (R$ 2.900).

Isso ajuda a explicar por que o SU7 renovado parte agora de 219.900 yuan (R$ 160.400), bem distante da faixa que a Xiaomi descartou publicamente.

A decisão vem acompanhada de uma resposta comercial forte, já que a empresa informou ter recebido 15.000 pedidos do SU7 em apenas 34 minutos.

Esse ritmo de encomendas fortalece a leitura de que a Xiaomi prefere disputar o mercado intermediário e superior em vez de mergulhar na guerra dos modelos de entrada.

Na prática, a fabricante aposta que consumidores aceitarão pagar mais por uma experiência embarcada mais rica, conectada e alinhada ao ecossistema digital da empresa.

Lei Jun também comentou que a comunicação pública se transformou em fonte de pressão, porque qualquer fala imprecisa pode gerar reações negativas rápidas na internet.

Por isso, segundo ele, a Xiaomi pretende se comunicar de forma mais direta para melhorar a compreensão do público sobre seus produtos automotivos.

O pano de fundo dessa escolha é um mercado chinês extremamente competitivo, sobretudo entre EVs abaixo de 150.000 yuan (R$ 109.400), dominados por modelos focados em eficiência de custo.

Esse ambiente ficou ainda mais sensível no início de 2026, quando hatchbacks elétricos de entrada sofreram com o fim da isenção do imposto de compra.

Em março de 2026, as vendas de sedãs e hatchbacks somaram 844.000 unidades, queda de 19,8% na comparação anual, enquanto o primeiro trimestre recuou 20,6%, para cerca de 2,13 milhões.

Os números mais recentes mostram um cenário misto, com Geely Xingyuan liderando com 30.953 unidades, Nissan Sylphy em 28.093 e EVs como BYD Yuan Up e BYD Dolphin ainda entre os destaques.

Já modelos mais sensíveis ao preço, como Wuling Hongguang Mini EV e BYD Seagull, registraram tombos anuais de 57,9% e 57,6%, reforçando que a Xiaomi quer distância do trecho mais volátil desse mercado.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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