
Parcerias empresariais costumam parecer estáveis de fora, mas bastam interesses diferentes para transformar uma convivência estratégica em um embate desconfortável e difícil de esconder.
É exatamente esse o clima entre Aston Martin e Zhejiang Geely Holding Group, dona de 18% da tradicional fabricante britânica de carros de luxo.
Aston Martin voltou para a Justiça no Reino Unido para contestar uma decisão tomada três anos antes sobre o emblema alado usado pela subsidiária de táxis elétricos da Geely em Londres.
Na avaliação anterior, o escritório britânico de propriedade intelectual entendeu que esse tipo de símbolo com asas é comum na indústria automotiva.
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Entre os exemplos citados na época apareceram marcas conhecidas como Mini e Bentley, o que enfraqueceu a tese inicial da Aston Martin de exclusividade visual.
Agora, porém, a fabricante tenta reverter esse entendimento e recoloca no centro do debate um logotipo histórico que, no seu caso, remonta a 1927.
O movimento chama ainda mais atenção porque a Geely ampliou sua participação na Aston Martin justamente no mesmo ano em que a primeira decisão foi feita.
Para a gigante chinesa, no entanto, o caso não deve ser tratado como uma guerra aberta entre empresas ligadas por interesses societários.
Segundo declaração repassada ao jornal The Telegraph, a Geely classificou o processo como um procedimento jurídico rotineiro de confirmação de marca.
A companhia também afirmou que Aston Martin e seus negócios operam de forma independente, acrescentando que disputas desse tipo são comuns na proteção comercial de marcas.
A fala tenta esfriar o ambiente, mas a resposta da Aston Martin foi mais seca e menos inclinada a tratar o episódio como banal.
Sem comentar diretamente o mérito da disputa em andamento, a empresa britânica afirmou apenas que proteger sua marca e sua propriedade intelectual continua sendo prioridade.
Por isso, a montadora disse que seguirá tomando as medidas consideradas adequadas para resguardar seus registros em mercados relevantes.
O pano de fundo ajuda a explicar a sensibilidade do caso, já que a atual London EV Company surgiu no início da década de 2010.
Naquele período, a Manganese Bronze Holdings, então proprietária da London Taxi International, entrou em administração, abrindo caminho para a entrada da Geely no negócio.
Depois disso, a empresa foi reorganizada e passou a usar a sigla LEVC, tendo inclusive um logotipo alado anterior mais estreito do que a proposta atual.
É justamente esse desenho mais recente, percebido como mais próximo do universo visual da Aston Martin, que provocou a nova reação da fabricante britânica.
No fim, o caso expõe como disputas de identidade podem pesar tanto quanto produto e investimento, especialmente quando duas empresas conectadas resolvem medir forças publicamente.
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