
Quando todo painel vira uma parede de vidro com menus, o risco é o interior do carro perder alma e virar apenas uma tela grande com volante.
Para Luke Miles, fundador da NewTerritory, as telas invadiram os veículos e são atualizáveis, mas, se não forem bem tratadas, podem ser uma “intervenção preguiçosa”, como ele disse à Autocar.
Miles prevê que está chegando um momento em que haverá um novo nível de valor em partes analógicas e em componentes realmente “de alto valor” com os quais o usuário interage.
A NewTerritory construiu reputação na aviação, assinando projetos de interiores para a gigante americana Delta e para a Virgin Atlantic, antes de entrar no setor automotivo.
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Agora, o estúdio já soma clientes como Ford e Mercedes, e o próprio Miles traz no currículo a liderança de design na LG Europe e na Virgin Atlantic.
Segundo ele, o avanço de comandos por voz e por gestos dá às montadoras um caminho para reduzir a dominância das telas dentro do carro.
Quando tudo passa a ser ativado por voz ou gestos, diz Miles, aqueles momentos analógicos e físicos se tornam “realmente valiosos” por criarem experiências humanas bem desenhadas.
Na visão dele, isso permite “destilar” a marca em interações bonitas, bem engenheiradas e bem construídas, em vez de depender só de interfaces digitais.
Miles imagina um cenário em que a tecnologia fica no pano de fundo, com voz, iluminação e gestos, enquanto o primeiro plano vira um conjunto de contatos físicos cuidadosamente trabalhados.
Esse primeiro plano pode ser uma peça metálica ou um controle mais “construído”, com uma capacidade digital embutida, mas sem virar um festival de telas.
Para Miles, controles físicos criam esses “momentos humanos” que fortalecem a conexão entre carro e motorista pela sensação imediata de qualidade.
Ele cita o feedback de um objeto recartilhado, o clique de um comando e a percepção de encaixe como sinais que fazem o usuário sentir que tudo foi montado com cuidado.
Ao mesmo tempo, ele avalia que a voz pode fazer a tela “encolher de novo”, a ponto de você não necessariamente precisar dela.
A indústria já ensaia o retorno, e o chefe da marca Volkswagen, Thomas Schäfer, chegou a dizer que a guinada anterior para longe dos botões causou “muito dano”.
A abordagem revisada da VW, descrita como um conceito de “tátil premium”, aposta em botões, chaves e seletores giratórios, e aparece como referência em ID Polo, ID Cross e no ID 3 atualizado.
No pano de fundo dessa virada, Miles diz que as marcas vão querer investir em “momentos de fricção positiva”, pontos de contato que diferenciem cada carro no olhar e, principalmente, no toque.
Ele também aponta as chaves como uma interface crucial, porque é um pedaço da marca que você carrega o tempo todo fora do carro, ainda que seu valor percebido às vezes seja baixo.
Miles descreve o ato de inserir uma chave para dar partida, hoje quase extinto com botões de start, como um “aperto de mão” e um momento de transição entre modos de deslocamento.
O futuro Ferrari Luce é um exemplo desse ritual, já que o chaveiro precisa ser encaixado no console central para iniciar o carro.
A peça traz e-ink que, depois de fixada, “escorre” visualmente para o console e destrava o seletor de marchas.
Outras empresas, porém, seguem no sentido oposto e tentam eliminar a chave tradicional, como a Tesla nas versões de entrada do Model 3 e do Model Y, sem cartão físico como item padrão.
Volvo e Polestar também trocaram chaves convencionais por fobs no estilo cartão de crédito e por versões digitais acessadas pelo aplicativo no celular.
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