O acordo da Stellantis que parece genial no curto prazo pode custar caro: por que a aposta na Leapmotor é mais arriscada do que parece

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A ampliação da parceria entre a Stellantis e a chinesa Leapmotor está sendo tratada como um divisor de águas para o futuro da indústria europeia.

Anunciado no fim da semana passada, o acordo abre caminho para a Leapmotor iniciar, em 2028, a produção de um modelo destinado ao mercado europeu.

Além disso, as duas empresas vão cocriar um SUV elétrico sob a marca Opel, com fabricação prevista para a planta da Stellantis em Zaragoza, na Espanha.

Por trás do discurso de eficiência, a estratégia parece ter dois objetivos simultâneos: reforçar a operação europeia da Stellantis e dar à Leapmotor um atalho regulatório.

Produzir localmente ajuda a cumprir metas de “Made in Europe” e, ao mesmo tempo, reduz o impacto de tarifas sobre EVs importados da China.

A Stellantis, dona de marcas como Jeep, Dodge, Fiat e Chrysler, não é a única a flertar com esse tipo de saída para aliviar custos e acelerar produtos.

A Ford, segundo relatos, conversa com a Geely sobre uma parceria europeia, enquanto a Volkswagen já disse estar aberta a compartilhar fábricas subutilizadas com marcas chinesas.

No FT Future of the Car summit, em Londres, o CEO da Stellantis, Antonio Filosa, defendeu que o conceito de parceria não deveria se limitar à China.

Filosa reconheceu que as montadoras chinesas chegam “com muita força” à Europa, elogiou a Leapmotor e sugeriu que “há muitas coisas que podem ser feitas”.

A Stellantis foi uma das primeiras ocidentais a avançar com uma chinesa, ao comprar cerca de 21% da Leapmotor em 2023.

Na sexta-feira, o CEO da Leapmotor, Zhu Jiangming, afirmou que a tecnologia da empresa somada ao alcance global e às raízes regionais da Stellantis cria “uma parceria singularmente poderosa”.

O movimento acontece num cenário em que gigantes ocidentais enfrentam custos de produção em alta, tarifas nos EUA, competição intensa e uma transição para EVs marcada por tropeços.

Para quem analisa o setor, o “ganha-ganha” imediato não elimina um risco estrutural: a transferência de aprendizado e de legitimidade para novas marcas.

Julia Poliscanova, diretora sênior de veículos e cadeias de suprimentos de e-mobilidade na Transport & Environment, disse que, para algumas empresas, isso vira quase a única forma de “seguir no jogo na Europa”.

Ela avaliou que, no curto prazo, europeias precisam otimizar fábricas e chinesas querem entrar no mercado, mas alertou para o efeito colateral de construir reconhecimento de marca.

Poliscanova afirmou que, quando o consumidor percebe que “não é um carro tão ruim”, pode ser “um ponto de não retorno”, e cobrou que as europeias não aliviem o desenvolvimento de modelos elétricos se quiserem existir em 2030.

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Escrito por

Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook

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