O robô Aeon chega às linhas da BMW com 21 sensores, 2,4 m/s e bateria de 3 horas — e o detalhe da troca automática muda o jogo

Bmw Robo Aeon
Bmw Robo Aeon

Um turno de fábrica pode estar prestes a ganhar novos “colegas” na Europa, com a BMW preparando a entrada de robôs humanoides na produção a partir do verão.

A montadora afirma que será a primeira vez que usará humanoides para fabricar carros em uma planta europeia, com dois exemplares em testes na unidade de Leipzig.

Michael Nikolaides, chefe de gestão de processos e digitalização da BMW, descreveu a iniciativa como “o futuro da produção automotiva”, mesmo com a indústria usando braços robóticos há décadas.

A diferença, segundo ele, é o formato humano, que permitiria colocar o robô em praticamente qualquer posto onde um funcionário trabalha, sem redesenhar toda a linha.

A lógica econômica aparece no argumento de que robôs ficaram mais baratos, enquanto reorganizar uma fábrica continua caro, tornando atraente adaptar a máquina aos processos já existentes.

Bill Ray, VP analista distinto do Gartner, resumiu o raciocínio dizendo que, quando robôs custavam 17 milhões, valia reorganizar a planta ao redor deles, mas isso mudou.

O modelo escolhido chama-se Aeon, é feito pela Hexagon Robotics, tem 1,65 m de altura e pesa 60 kg, tentando equilibrar presença “humana” e utilidade industrial.

Ele alcança 2,4 m/s e consegue carregar 15 kg por curtos períodos ou 8 kg continuamente, perfil pensado para alimentar ferramentas e executar tarefas de pegar e posicionar peças.

Na BMW, o foco inicial é abastecer ferramentas de manufatura e realizar operações de pick-and-place na montagem de baterias, sem a expectativa de troca constante de função.

O Aeon traz 21 sensores, incluindo câmeras, radar, microfone e sensores de força e torque, para melhorar percepção e manipulação em ambientes cheios de variáveis.

O treinamento combina teleoperação, com sensores em humanos para ensinar movimentos, e simulação em um gêmeo digital da fábrica usando software da Nvidia.

Na simulação, o robô repete tarefas para encontrar soluções promissoras, em uma abordagem de aprendizado por reforço, enquanto a teleoperação ajuda a captar “jeitos” humanos de executar ações.

Arnaud Robert, presidente de robótica da Hexagon, destaca o avanço do aprendizado por imitação, que pode reduzir o treino de meses para dias quando professor e aluno têm forma parecida.

Há, porém, limitações práticas, como a bateria de três horas, em contraste com turnos de oito, o que levou a BMW a adotar um sistema de troca de bateria em cerca de três minutos.

A BMW diz que humanoides podem aliviar tarefas repetitivas ou fisicamente exigentes e também mitigar uma futura escassez de funcionários, tratando a tecnologia como complemento e não substituição.

Ray alerta que humanoides foram supervalorizados por demonstrações de palco e que ver um robô andando faz o público supor capacidades que ele não tem, criando expectativas irreais.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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