
Sobra capacidade industrial na Volkswagen, e a empresa decidiu encarar o assunto de frente diante de milhares de funcionários em Wolfsburg.
Na assembleia geral de trabalhadores realizada na quarta-feira, o CEO Oliver Blume afirmou que o excesso de capacidade na Europa e na Alemanha “precisa ser resolvido” para manter competitividade.
Ao mesmo tempo, Blume tentou conter um dos rumores mais inflamáveis do momento ao dizer que “não há planos ou discussões” com fabricantes chineses sobre compartilhamento de plantas.
A fala ocorre em meio a especulações crescentes sobre o futuro das fábricas alemãs da montadora, pressionada por lucros em queda, demanda fraca e concorrência mais agressiva.
Veja também
Blume reconheceu que o cenário europeu não deve voltar aos níveis de vendas de antes da pandemia, o que mexe diretamente com a lógica de produção do grupo no continente.
Segundo ele, o modelo de décadas baseado em exportar carros a partir da Alemanha para o mundo está sendo substituído pela necessidade de localizar produção em mercados-chave.
A China foi citada como exemplo dessa virada, já que a Volkswagen opera lá por meio de joint ventures com parceiros locais e precisa ajustar produtos e cadeias ao contexto interno.
O CEO também buscou defender a resiliência da empresa ao citar três anos de corte de custos, incluindo 50.000 reduções de postos na Alemanha, com cortes em Audi e Porsche.
Mesmo com o discurso de robustez, Blume alertou para um ambiente instável, afetado por tarifas elevadas e mercados em transformação que exigem reações rápidas.
A Volkswagen mantém o compromisso de evitar fechamentos de fábricas, amparada por um acordo com sindicatos alemães e pelo peso político do conselho de trabalhadores.
No fim do mês passado, porém, Blume mencionou que contratos com empresas de defesa ou acordos de uso de plantas com chineses poderiam ser alternativas, alimentando novas especulações.
Autoridades regionais na Baixa Saxônia e na Saxônia se mostraram abertas a parcerias industriais com empresas chinesas, em nome de proteger a atividade local.
Outros atores, no entanto, alertaram que abrir portas para rivais pode fortalecer marcas como BYD e Chery, que buscam ampliar participação na Europa.
A Volkswagen informou que avança nas conversas para vender sua planta de Osnabrueck, no norte da Alemanha, a um parceiro do setor de defesa.
Em Wolfsburg, Emden e Zwickau, a empresa diz já ter reduzido custos em mais de 20% em média no ano passado, como parte da tentativa de ganhar fôlego.
A chefe do conselho de trabalhadores, Daniela Cavallo, pediu o fim da especulação e criticou a narrativa de que a Volkswagen seria um “alvo de takeover” que precisaria ser resgatado.
Cavallo cobrou que a gestão priorize o sucesso dos produtos da marca, e não “a enésima discussão” sobre fechamentos e supostas conversas com terceiros para usos alternativos das plantas.
📣 Compartilhe esta notíciaXFacebookWhatsAppLinkedInPinterest
📨 Receba um email com as principais Notícias Automotivas do diaReceber emails
📲 Receba as notícias do Notícias Automotivas em tempo real!Canal do WhatsAppCanal do Telegram
Siga nosso site no Google Notícias










