
A era em que volume por si só parecia garantir força industrial está ficando para trás, e a Volkswagen agora admite que precisa se adaptar a um mercado muito menor.
Pressionada por condições econômicas duras, mudanças regulatórias e uma demanda por EVs abaixo do esperado, a empresa decidiu aprofundar uma reestruturação que já vinha em curso.
O movimento, porém, não tem perfil emergencial nem caráter temporário, mas sim de reinicialização estrutural para adequar o grupo a uma realidade bem diferente da projetada no início da década.
Em entrevista à Manager Magazin publicada nesta semana, o CEO Oliver Blume afirmou que a Volkswagen Group pretende cortar mais 1 milhão de veículos de capacidade global de produção até o fim da década.
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Com isso, a capacidade anual do conglomerado cairá para cerca de 9 milhões de veículos, ante aproximadamente 12 milhões antes da pandemia de Covid-19.
Naquele período, o grupo ainda entregava perto de 11 milhões de unidades por ano, um patamar que hoje parece cada vez mais distante.
A maior parte dos cortes deve atingir a Europa, com impacto especialmente forte sobre fábricas da Audi e da própria marca Volkswagen na Alemanha.
Em carta aos acionistas divulgada em março, Blume já havia indicado que o quadro de funcionários na Alemanha deverá encolher em cerca de 50.000 pessoas até 2030.
O anúncio ganhou peso extra depois que o grupo reportou uma queda de quase 50% no lucro líquido em comparação com o ano anterior.
Diante desse cenário, fica claro que a Volkswagen está trocando a antiga corrida por volume por uma defesa mais agressiva da rentabilidade.
A margem operacional do grupo caiu para 2,8% em 2025, refletindo menor poder de precificação, especialmente na China, além de custos persistentemente altos com eletrificação e software.
A pressão estrutural ainda se soma a fatores externos, como tarifas nos Estados Unidos, risco de energia mais cara por mais tempo e possíveis rupturas de fornecimento ligadas à instabilidade no Oriente Médio.
Mesmo assim, os Estados Unidos seguem como um dos raros pontos de esperança para o conglomerado neste momento delicado.
A empresa mantém o plano de inaugurar uma nova fábrica na Carolina do Sul para a recém-criada Scout, unidade que também poderá produzir veículos de outras marcas do grupo.
Entre as apostas para o mercado americano está ainda a nova geração do Volkswagen Atlas 2027, que será produzida na planta de Tennessee.
A China continua sendo outro foco central, embora o mercado tenha deixado de ser a antiga máquina de lucros para montadoras estrangeiras em meio ao avanço das marcas locais.
Durante o Auto China, em Pequim, a Volkswagen anunciou que pretende lançar mais de 20 veículos eletrificados no país apenas em 2026 e elevar esse total para cerca de 50 modelos até 2030.
No conjunto, as medidas mostram uma empresa tentando cortar custos e capacidade sem abandonar participação de mercado, num equilíbrio difícil que expõe o tamanho da transformação em curso na indústria automotiva global.
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