Argentina: Saiba como é rodar no país dos hermanos

Argentina: Saiba como é rodar no país dos hermanos

O segundo maior país da America do Sul está há pouca distância dos principais centros urbanos do Brasil.


Culturalmente bem distante de nossa realidade, a Argentina é um país de fácil acesso aos brasileiros.

O país dos hermanos reserva boas surpresas para quem vai de carro, como paisagens de tirar o fôlego, literalmente.

Com dimensões generosas, a Argentina tem uma rede de estradas que ligam quase todo o território e uma parte delas está nas mãos da iniciativa privada, que cobra pedágio.

Do trânsito congestionado de sempre da capital portenha até as belas estradas que cortam os Andes, a Argentina tem variedade de condições de rodagem e muitos pontos de apoio em boa parte dos trajetos.

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Fizemos duas viagens à Argentina, uma recentemente com o Volvo XC60 D5, utilizando estradas das mais variadas condições, desde boas pistas de asfalto na província de Salta até o pavimento “lunar” de Santiago del Estero.

Na capital do tango, ruas e avenidas largas (a 9 de Julho é a mais larga do mundo), o trânsito é tocado até pelos apressados motoristas de ônibus.

No interior, as barreiras policiais são tão constantes quanto os carros que rodam bem acima dos limites locais.

Buenos Aires

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Em Buenos Aires, assim como em grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, o trânsito é intenso o dia inteiro.

A avenida 9 de Julho é a mais larga do mundo e tem 10 pistas, divididas por calçadas e com 2 delas servindo aos ônibus.

No centro da cidade, Buenos Aires tem ruas estreitas e há dificuldade em estacionar na rua.

A região de compras de Maipú e Florida tem algumas ruas convertidas em calçadões, mas os carros passam por lá também.

Existem diversos estacionamentos com preços variados, partindo geralmente de 50 pesos na primeira hora.

Para maior conforto, também pode-se contar com os estacionamentos públicos (pagos) subterrâneos, especialmente próximos das principais vias, como a 9 de Julho.

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Nos bairros mais distantes, o trânsito é menos caótico e flui bem, tendo poucos semáforos nas adjacências e avenidas bem largas cortando boa parte da cidade, numa região longe dos pontos turísticos.

Bairros como El Caminito e San Telmo tem ruas com grande movimentação de veículos e o estacionamento é sempre pago, num sistema de monitoramento por câmeras e com parquímetros em determinados pontos.

Na zona portuária, as avenidas são bem largas e possuem um sistema de monitoramento de trânsito com radares que identificam placas.

Recentemente, Buenos Aires passou a ser a primeira cidade da América do Sul com pedágio urbano entre o início da rua Florida e a avenida Belgrano, com limites da zona portuária e da avenida 9 de Julho.

Nessa região, que inclui a zona de compras e de turismo, a Casa Rosada e a Praça de Maio, os carros têm de pagar 1.560 pesos anuais e ainda precisa comprovar estacionamento próprio ou alugado na região. A restrição de circulação vai de 11h a 16h.

No famoso e belíssimo Porto Madero, existem grandes avenidas e ruas largas entre os edifícios espelhados e o antigo cais. É possível estacionar de graça nessa região, que fica à leste da capital.

Como chegar?

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Buenos Aires fica a 2.238 km de São Paulo, aproximadamente.

Para quem quer ir à Buenos Aires de carro, a rota mais indicada é por Uruguaiana-RS.

A viagem pode ser feita também por São Borja-RS ou por cidades fronteiriças brasileiras desde Foz do Iguaçu-PR, passando por Dionísio Cerqueira-SC/Barracão-PR, por exemplo.

Também pode ser acessada via Uruguai, mas isso implica em mais burocracia se com carro alienado ou de terceiros, assim como pedágios extras e o caríssimo ferry boat da Buquebus.

No entanto, corre-se o risco de ficar mais tempo no Uruguai do que o esperado, devido a beleza e a tranquilidade do nosso vizinho, onde o “norte é o sul”, como dizem por lá.

A principal rota para chegar a Buenos Aires é pela Ruta Nacional 14 (RN-14), tanto pelo Rio Grande do Sul quanto por Santa Catarina e Paraná.

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Trata-se de uma boa estrada a partir de Uruguaiana, tendo pista duplicada com asfalto “meia vida” em alguns trechos.

A RN-14 é bem plana e tem alguns postos Axion e YPF ao longo da rota.

Também existem poucos restaurantes (comedores), sendo que a melhor aposta é ir no fast food da YPF ou Axion.

Os pedágios ficam na faixa dos 70 pesos e existem pelo menos uns cinco até a CABA (Ciudad Autonoma de Buenos Aires).

Ao chegar à capital, existe um pedágio quase urbano após o Aeroparque Jorge Newberry (o Congonhas de Buenos Aires), mas dá para acessar o centro da cidade e os principais bairros antes dele.

Até Zárate, onde fica a fábrica da Toyota e o principal porto de veículos do país, às margens do Rio Paraná, a já RN-12 (a RN-14 termina alguns quilômetros antes) tem trânsito tranquilo.

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A partir de Zárate, o tráfego aumenta conforme vai entrando na província de Buenos Aires e na região metropolitana.

Quase não existe radar móvel ou de qualquer outro tipo antes de Zárate e os argentinos aproveitam para andar bem mais rápido que os 130 km/h de limite da rodovia.

A temível Policia Caminera tem sempre um bloqueio próximo de trevos de acesso. O termo do chamado “regalito” (dinheiro pedido pelos guardas para não aplicar multas, muitas inexistentes) é grande, mas nós não passamos por essa situação em nenhum momento.

No entanto, é sempre bom ficar esperto.

Interior do país

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Andes

Outro destino que pode ser alcançado facilmente por motoristas brasileiros é a cidade de Salta e região norte da Argentina.

Cravada nos pés da Cordilheira dos Andes, a cidade argentina tem duas estradas que levam aos destinos mais bonitos da região.

Com 462 mil habitantes, Salta tem trânsito considerado até bom para seu porte. Assim como outras cidades do interior da Argentina, ela tem poucos semáforos, valendo a lei da preferência nos bairros e mesmo em algumas ruas do centro.

Tal como em Buenos Aires e no restante do país, existem muitos carros velhos circulando pelas ruas e estradas próximas.

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Também é possível ver clássicos como o Ford Falcon com frequência, exceto em grandes centros, como a capital do país.

No interior da Argentina, a maioria das cidades tem ruas de concreto e os cruzamentos não têm semáforos.

Quando estes existem, vale a dica: o amarelo surge antes do verde e não o contrário, como aqui.

Existem boas estradas na região de Salta, especialmente no anel externo da cidade (próximo dos Andes) e na região de Jujuy, cidade mais ao norte.

A RN-9 termina na fronteira com a Bolívia, mas muito antes, temos o primeiro acesso para o Chile.

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De pista simples e asfalto bom em alguns trechos, a estrada tem pontos de passagem de água do degelo e placas indicadoras devem ser obedecidas, pois, as depressões são grandes no asfalto.

Entrando na RN-52, uma estradinha de asfalto bom e encravada num vale, chega-se a Purmamarca, uma cidadezinha de ruas de terra bem estreitas, muito poeirenta, mas com grande comércio.

Subindo a “primeira” cordilheira, após traçado sinuoso que serpenteia a montanha, alcança-se 4.170 m.

Nesse ponto, alguns veículos rodam com a tampa do motor aberta para poder ver a grande elevação.

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O ar é rarefeito e qualquer esforço extra é acompanhado rapidamente da fadiga.

Descendo mais suavemente, chega-se às Salinas Grandes, um verdadeiro mar de sal.

Novamente, rumo ao Chile, passa-se por Susques (onde retornamos) e a subida continua até Paso de Jama, na fronteira, onde a altitude é de 4.230 m.

Cardones

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Ao sul de Salta fica o Parque Nacional dos Cardones, que deve ser acessado pela RP-33 (Ruta Provincial).

Há apenas 1h30m do centro de Salta, o parque surpreende pela mescla de paisagens ao longo do caminho.

No início, a RP-33 corta um vale arborizado com asfalto novo e curvas sinuosas.

Após uma ponte, o vale fica seco e com pouca vida, seguindo então para o vale dos cactus, alguns com mais de 5 m de altura.

A estrada é a principal para acesso às cidades que ficam no meio dos Andes, como Cachi, onde fica o famoso Nevado de Cachi.

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O asfalto é de qualidade razoável até um trecho de terra, com muita poeira e cascalho. Antes, porém, existem as passagens de água na via.

O trecho sem pavimento é longo e necessita-se paciência e atenção por causa da visibilidade com o trânsito de carros locais, caminhões, ônibus e as vans de turistas.

Após um serpenteado quase sem fim, pode-se avistar do alto o Vale Encantado na direção de Salta.

No portal do parque, mais alguns poucos quilômetros e a paisagem vira uma enorme planície, cheia de Guanacos.

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Eles cruzam a estrada com frequência e por isso é preciso atenção, pois, são animais protegidos.

Nessa região, a altitude fica em torno dos 4.000 m ou pouco menos, sendo que o marco de 3.120 m está bem mais abaixo, no deserto de Cachi.

Dali é possível ver os picos eternamente nevados da “cordilheira principal”, na fronteira com o Chile, onde o tempo não passa nem para os que adormecem ali

Como chegar?

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Para se alcançar Salta e região, a distância de São Paulo é de aproximadamente 2.500 km.

As rotas podem ser feitas através de Dionísio Cerqueira-SC e sua irmã Barracão-PR pela divisa entre os dois estados.

Outro caminho é ir direto por Foz do Iguaçu, mas preferimos o citado acima.

Não se deve evitar os pedágios caríssimos da Caminhos do Paraná, na BR-277, porque a BR-280 ao sul está em péssimo estado e cheia de carretas.

As demais entradas mais sul também são recomendadas para acesso à província de Missiones.

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Para a província do Chaco é necessário dar a volta no Paraguai pela província de Corrientes.

As RN-14 e RN-12 estão em condições boas, exceto um trecho próximo de Bernardo de Irigoyen (irmã das brasileiras acima) e próximo da “fronteira” com Corrientes, respectivamente.

A estrada é simples e conta com dois pedágios até Corrientes, tendo trechos com longas retas.

Na Argentina, geralmente as estradas não possuem acostamento de asfalto, mesmo as duplicadas e em bom estado.

Também é preciso paciência se houver trânsito, pois, tanto a Caminera quanto a Gendarmaria (polícia de fronteira) param os carros na própria pista e não no acostamento, como acontece no Brasil.

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As barreiras policiais são constantes ao longo da viagem e, normalmente, os carros argentinos (veja como trazer um carro da Argentina) ligam o pisca-alerta em movimento quando estão passando por esses postos.

Corrientes e sua história íntima com o Brasil tem muitos radares e se liga à Resistência (capital do Chaco) por uma bela ponte sobre o Rio Paraná.

A estrada (RN-16) fica muito boa até Sáenz Peña, depois segue simples e com asfalto aceitável até o pior de todos os trechos.

Quando entra na província de Santiago del Estero, a RN-16 passa a sofrer muito, chegando ao trecho de 40 km antes da província de Salta, quando o abandono é total e explícito, com crateras que nem mesmo as picapes 4×4 (existem muitas na Argentina) precisam desviar sob risco de ficar.

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O acostamento de terra vira uma estrada de péssimas condições até onde não suporta mais o tráfego, exigindo dos motoristas malabarismo sobre o asfalto destruído, como se tivesse sido bombardeado.

Em região baixa da província de Salta, a RN-16 segue boa até a RN-9, aquela mesma de Buenos Aires, igualmente duplicada e subindo suavemente até a cidade.

Os pedágios variam de 45 pesos a 80 pesos, sendo o mais barato perto de Salta.

É bom ter atenção nas rodovias argentinas, pois o tráfego local com animais no acostamento e mesma na pista não são raros.

O mesmo em relação aos motociclistas, que andam sem capacete e levam de três a quatro pessoas numa moto.

Permissões e regras

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Para ingresso ao território argentino é preciso ter cédula de identidade com menos de 10 anos ou passaporte válido.

No caso do carro, se o mesmo for próprio, não há exigência de documento adicional.

Se o mesmo for alienado ou de terceiro, então é necessária uma autorização do proprietário ou banco para fazer a viagem.

Este documento precisa também de um adicional, o Apostilamento de Haia, uma convenção internacional onde o Brasil é signatário desde 2015.

A maioria dos cartórios fazem a Apostila de Haia, mas o preço varia de acordo com o estado. Em São Paulo está custando R$ 113, o mesmo que em Minas Gerais, que até pouco tempo atrás era o mais barato do Brasil.

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Por fim, o obrigatório para todo Mercosul: o seguro Carta Verde.

Este é adquirido em qualquer seguradora ou alguns poucos bancos.

O valor varia de acordo com o tipo de veículo, valor da indenização ao terceiro e tempo de permanência no país.

Em termos de segurança, as leis argentinas exigem somente extintor e um segundo triangulo.

Picapes e veículos comerciais devem portar um indicativo de limite de 80 ou 110 km/h.

Para quem vai enfrentar a neve, é recomendável o uso de correntes nas rodas.

Argentina – Galeria de fotos

Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 25 anos. Há 14 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações. Também trabalhou nas áreas de retificação de motores, comércio e energia.