
Num mercado cada vez mais dominado por SUVs e picapes, a BMW decidiu sustentar uma posição que muitos concorrentes já começaram a abandonar sem muito alarde.
Sebastian Mackensen, chefe da operação da marca na América do Norte, afirmou que a fabricante quer continuar produzindo e vendendo sedãs, apesar das tarifas sobre importações alemãs.
A declaração veio um dia antes da apresentação da versão atualizada do Série 7, modelo grande de luxo que agora incorpora tecnologias inicialmente desenvolvidas para os EVs da marca.
Entre as novidades estão um head-up display panorâmico projetado no para-brisa, um assistente de voz com inteligência artificial e uma nova arquitetura tecnológica inspirada na chamada Neue Klasse.
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BMW havia planejado essa base como parte de sua ofensiva elétrica, aproximando-se de uma lógica mais orientada por software, como fizeram Tesla, Rivian, Lucid e marcas chinesas.
Segundo Mackensen, tantas inovações já amadureceram dentro da empresa que a decisão passou a ser levá-las para toda a linha, não apenas aos futuros elétricos.
No caso do Série 7, isso inclui também uma tela traseira ampliada que desce do teto e, junto de um sistema com 36 alto-falantes, transforma o banco traseiro em minissala de cinema.
Hoje, o sedã parte de mais de US$ 99.000 (R$ 492.200) na versão básica e chega a US$ 168.000 (R$ 835.200) no i7 M70, topo elétrico de alto desempenho.
Mackensen definiu o modelo como o ponto mais alto do portfólio da BMW, destacando luxo e desempenho como pilares inseparáveis da proposta do carro.
Só que a realidade comercial americana ficou menos amigável aos sedãs desde 2018, quando o X7 passou a superar o Série 7 com folga nas vendas.
Em 2025, a BMW vendeu nos Estados Unidos quase o dobro de SUVs X7 em relação aos sedãs grandes, somando aí as vendas do Série 7 e do cupê Série 8.
A desvantagem não é apenas cultural, porque o X7 é produzido em Spartanburg, na Carolina do Sul, enquanto o Série 7, como todos os sedãs da BMW, é importado.
Isso significa enfrentar a tarifa de 15% aplicada aos veículos vindos da Alemanha, fator que, segundo Robby DeGraff, da AutoPacific, pesa diretamente na viabilidade do modelo.
DeGraff ainda afirmou que o i7 corre risco maior por causa do enfraquecimento das vendas de EVs nos Estados Unidos, mercado hoje mais hesitante nesse segmento.
Mesmo assim, a BMW vê espaço para insistir, especialmente porque rivais como Volvo, Lexus, Audi e Lincoln reduziram ou eliminaram seus sedãs grandes do mercado americano.
Stuart Pearson, da Oxcap Analytics, ponderou que o argumento econômico puro favorece os SUVs, mas lembrou que o Série 7 compartilha base com sedãs menores, como o Série 5.
Para Sean Tucker, do Kelley Blue Book, esses carros agora existem mais para provar do que a BMW é capaz do que por lógica comercial pura, funcionando como vitrine tecnológica.
Essa leitura ganha força quando se observa que 45% dos futuros compradores da marca, em pesquisa da AutoPacific com 18.000 americanos, ainda preferem um sedã de quatro portas.
Com os Estados Unidos respondendo por cerca de 30% dos lucros da BMW, Mackensen reforçou metas ambiciosas para 2026 e disse que a marca segue confiante no próprio desempenho.
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